Crocodilos, jacarés e répteis similares


Muito se fala acerca desses animais silvestres. Pelo menos no Brasil parece haver certo desprezo por eles, além do terror, por óbvio. Contudo, suas regiões de ocorrência, a menos da zona oeste do Rio de Janeiro (a do BRT), ficam bem longe dos humanos citadinos.

Usam termos de gíria e de provocações com os crocodilos: “Crocodilagem daquele cara!”, diz um distinto ser superior. E seu parceiro de bar logo responde: ”É sim, mas ele vai chorar lágrimas de crocodilo. Você vai ver, deixa comigo…”, conclui ameaçando.

Esquecendo dessas homenagens indiretas atribuídas a esses répteis, correndo todos os riscos de que este artigo não seja lido, vamos falar de crocodilos e jacarés pelo mundo.

Crocodilos em geral

Os crocodilos, jacarés, aligátores, caimans e o gavial são répteis da ordem Crocodylia, a qual se divide em três famílias – Crocodylidae, Alligatoridae e Gavialidae –, que por sua vez subdividem-se em inúmeras espécies já conhecidas pela zoologia, biologia e ecologia.

Crocodilo é nome comum para catorze espécies dos répteis da família Crocodylidae. O termo também é usado (erroneamente) para incluir todos os membros da ordem Crocodylia: isto é, os crocodilos verdadeiros (africanos e australianos), o gavial (asiático) (família Gavialidae) e os caimans, aligátores e jacarés (família Alligatoridae) que habitam as Américas.

Com essa visão mais abrangente, esses répteis geralmente habitam as margens de rios, enquanto os da Austrália e das ilhas do Pacífico também possuem habitat oceânico. O gavial é o único dos crocodilos que possui um predador natural do crocodilo que é o tigre asiático, mas que raramente se alimenta dele.

Nos dias atuais o maior réptil na face da terra é o Crocodilo-de-água-salgada, encontrado no norte da Austrália e em ilhas do sudeste asiático.

Depois de algumas espécies de aves, os crocodilos em geral são os parentes mais próximos dos dinossauros. Tanto dinossauros quanto crocodilos evoluíram dos tecodontes, assim como as aves podem ter evoluído dos dinossauros. Isso faz com que os crocodilos sejam mais aparentados com as aves do que com todos os outros répteis atuais. Surgiram a 248 milhões de anos aproximadamente, tendo convivido com várias espécies de dinossauros. Apesar de não terem a mesma mobilidade que seus antepassados, já foram registrados répteis correndo nas margens de rios a uma velocidade de até 16 km/h.

A principal arma dos crocodilos em geral é sua poderosa mandíbula cheia de dentes (podem chegar a 80 dentes). Segundo estudos realizados pela Universidade Estadual da Flórida, uma bocada de um destes animais pode chegar à incrível pressão de até 15 toneladas.

Essa explosão de energia pode perfurar o casco de tartarugas adultas, uma de suas presas preferidas. Apesar de ter muitos dentes este réptil não mastiga seu alimento, pois seus dentes não são alinhados adequadamente. Assim sendo, ele arranca pedaços das vítimas girando o corpo e rasgando o couro e a pele das presas. Com a carne na boca ele apenas a engole.

Outro fator que impede que esse réptil mastigue seu alimento deve-se à menor potência do músculo que abre sua boca, quando comparado ao músculo que a fecha. Essa composição de forças favorece mordidas rápidas e violentas. Por isso é comum observar pesquisadores lidando com répteis enormes controlados com apenas uma fita adesiva enrolada na boca.

Os crocodilos em geral podem abrir a boca em um ângulo superior à 75º. Isso auxilia tanto na obtenção de calor em seus “banhos de sol”, quanto na maior facilidade em abocanhar animais de grande porte, como zebras búfalos, gnus e até jovens elefantes.

Engolindo suas presas em pedaços, às vezes até membros inteiros, sua digestão tem de ser extremamente eficaz e rápida. Por muito tempo os cientistas não entendiam como esses répteis consegue metabolizar rapidamente tanto alimento em seu estômago.

Crocodilo

Crocodilo de água salgada no banho-de-sol

Durante a autópsia de um exemplar, liderada pelo biólogo Richard Dawkins (evolucionista), foi descoberta uma artéria a mais no coração desses animais. A artéria passa por trás do músculo cardíaco e chega ao estômago. Assim, com essa estrutura incomum, o aparelho digestivo desse réptil recebe mais irrigação sanguínea e consegue produzir mais suco gástrico para consumir sua pesada alimentação.

Jacarés, Aligátores e Caimans

Jacarés e aligátores são animais muito parecidos com os crocodilos, dos quais se distinguem pela cabeça mais curta e larga e pela presença de membranas interdigitais nos polegares das patas traseiras. Com relação à dentição, o quarto dente canino da mandíbula inferior encaixa num furo da mandíbula superior, enquanto que nos crocodilos sobressai externamente, quando estão com a boca fechada.

O tamanho de um jacaré pode variar de sessenta centímetros (jacaré-anão) até 6,5 metros (jacaré-açu), a pesar de 60 a 500 quilos.

Os jacarés habitam as Américas. Na América do Norte e no México, ocorrem mais o Aligátor e o Caiman. Na América do Sul há ocorrência de diversas espécies e subespécies, tais como o Jacaré normal, o Jacaré-açu, o Jacaré-anão e o Caiman de papo amarelo.

Jacaré-açu

Também conhecido por Jacaré-negro, o Jacaré-açu é um predador do topo de cadeia alimentar. Exemplares adultos de grandes dimensões podem predar qualquer animal de seu habitat, inclusive outros predadores de topo, como onças, jaguatiricas, jiboias e sucuris. Contudo, normalmente, alimentam-se de animais menores, como tartarugas, capivaras, veados e muitas espécies de peixe.

Jacaré-açu

O Jacaré-açu esteve à beira da extinção, devido ao valor comercial do seu couro de cor negra e da sua carne. Atualmente, encontra-se protegido e sua população é estável no Brasil.

Trata-se da maior espécie de jacaré, com tamanho médio de 3,5 metros e mais de trezentos quilogramas. Já foram registrados exemplares com mais de 5,5 metros de comprimento e peso de meia tonelada.

Jacaré-anão

O Jacaré-anão (Paleosuchus palpebrosus) ocorre ao norte da América do Sul. É encontrado na Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Vive principalmente próximo a correntes fluviais rápidas, mas vive também em águas pobres em nutrientes.

Jacaré-anão

É a menor espécie da família dos aligatores alcançando apenas 1,5 metros de comprimento. Os jacarés-anões juvenis alimentam-se de invertebrados, enquanto que os adultos comem peixes e invertebrados. Abriga-se em tocas durante o dia.

Gavial

O Gavial (Gavialis gangeticus) é a única espécie sobrevivente (extante) de crocodilo do gênero Gavialis, família Gavialidae. Pode ser encontrado nos rios da Índia e Nepal. Historicamente também habitava os rios do Paquistão, Butão, Bangladesh e Mianmar.

O estranho Gavial

A espécie difere dos demais crocodilianos pelo focinho estreito e alongado, e pela presença de uma protuberância nos machos adultos, caracterizando um dimorfismo sexual visível. Outra característica única é a exteriorização dos dentes da metade anterior da maxila e da mandíbula quando a boca do animal está fechada (prognata inferior). Com registros de espécimes medindo até seis metros de comprimento, é uma das maiores espécies dentro da ordem Crocodylia.

Essa espécie é considerada uma das mais ameaçadas de extinção atualmente. Sua população não ultrapassa a trezentos animais, além de que seus habitats preferenciais têm sofrido processos de contínua destruição pelo homem, tanto através da expansão urbana quanto da agropecuária, que se apropria das áreas ciliares onde os gaviais se reproduzem e passam uma parte de suas vidas.

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