Tecnologia versus estoques de recursos ambientais


A velocidade da criação de novas tecnologias e seus incontáveis produtos diários chega a assustar as pessoas mais desatentas. Isso ocorre em tal monta que produtos que ontem pertenciam à era da ficção hoje fazem parte do cotidiano do ser humano.

Outro fato que impressiona é a rapidez com que esses produtos alcançam milhares ou milhões de usuários. Segundo pesquisas de mercado realizadas por uma empresa de telecomunicações norte-americana, o antigo telefone fixo levou 74 anos para atingir a casa de 50 milhões de clientes. Porém, a Internet precisou de curtos 4 anos para ter essa mesma quantidade de navegadores. Por fim, o aplicativo o Skype atingiu o mesmo volume de clientes em apenas 2 anos.

Diversos cientistas consagrados em suas áreas de trabalho acreditam que a tecnologia e sua evolução são uma das principais forças “que impulsionam a humanidade”, juntamente “com a política e a economia”.

Especialmente físicos, matemáticos e inventores gostam de “torturar números” para confirmar o que dizem. No entanto, esquecem-se de outras variáveis essenciais, que precisam ser modeladas nesta prática.

─ “As máquinas também avançam. Entre 1950 e 2000, o poder de processamento dos computadores cresceu inimagináveis 10 bilhões de vezes” – esta é uma das conclusões a que chegaram e tudo leva a crer que é uma verdade histórica, ou seja, passada.

Contudo, no futuro, entre 2050 e 2100, há uma grande probabilidade de que conclusões como esta sejam rejeitadas por qualquer investidor. Dificilmente será aprovado um plano de negócios que se esqueça de considerar o lixo eletrônico gerado e o estoque de recursos ambientais do planeta, disponível no tempo. Caso não mudem suas visões, lá se vai a força econômica, dita principal.

Estimam alguns profissionais da área de resíduos sólidos que o peso anual do lixo eletrônico mundial produzido pelas tecnologias embutidas em diversos aparelhos é de pelo menos 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico, composto por computadores, celulares, eletroeletrônicos e eletrodomésticos que, com ciclos de reposição cada vez mais reduzidos, chegam ao lixo que já representa algo como 4% de todo o lixo anual produzido no planeta.

Vale dizer que no lixo eletrônico há substâncias tóxicas e perigosas e dentre elas estão o mercúrio, o chumbo, o cádmio, o belírio, o arsênio, retardantes de chamas e PVC. Todas causam graves prejuízos à saúde (distúrbios renais, nos pulmões e no cérebro, dentre outros). Entrou a força ambiental, antes não considerada pelos economistas.

Devemos considerar os estoques de recursos naturais existentes no planeta e sua capacidade de serem transformados em matéria-prima e produtos semiacabados. Em outras palavras, o planeta possui recursos para produzir eletrônicos e eletrodomésticos para cada um dos seus 7 bilhões de habitantes? Se possui, até quando?

Foram-se agora as promessas equilibristas da força política, antes dita principal; aumenta a força ambiental, que passa a reger a orquestra de forças que impulsionam a humanidade, comandando o desenvolvimento tecnológico, em três rápidos movimentos da orquestra ambiental:

1º Movimento: O desenvolvimento de tecnologia atenderá à sociedade civil mundial.

2º Movimento: Cientistas e inventores não enriquecerão se suas tecnologias não reduzirem o consumo de recursos naturais.

3º Movimento: O lixo eletrônico gerado pelo uso de tecnologias inadequadas, segundo os dois primeiros movimentos, será debitado da conta bancária dos responsáveis por sua criação – inventores e investidores.

Orquestra Filarmônica Ambiental

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