Estação do Metrô na Praça da Paz: polêmica burra!


É obvio e legítimo que os moradores do bairro de Ipanema, na cidade do Rio, considerem-se como fiéis depositários da qualidade histórica e ambiental da Praça Nossa Senhora da Paz. Senão todos, pelo menos aqueles que discutem e enfrentam o projeto do Metrô proposto pelo estado. Por outro lado, também é nítido que o projeto é muito burro. Mais um dos excessos de pressa e gastança olímpica “em prol da cidade do Rio”.

Praça Nossa Senhora da Paz, Ipanema

Sendo bem objetivo, acreditamos que se Ipanema fosse uma grande favela, o Ministério Público não permitiria que qualquer árvore da praça fosse sequer tocada, o que dirá, “suprimida”, para falar na linguagem dos “burocratas ecologicamente corretos”. Para termos uma ideia do peso desta ignomínia, o Morro dos Cabritos pertence a uma APA – Área de Proteção Ambiental, legalmente instituída, criada pela prefeitura do Rio, em 1992. A finalidade desta APA é a de proteger o conjunto dos morros do Cabrito, do Sacopã, da Catacumba e da Saudade.

O que nos parece incompreensível é o fato de que esta APA admite que as demais vertentes desses morros possam ser ocupadas de forma desordenada, constituindo-se nas chamadas favelas cariocas. Ou seja, a prefeitura nada faz para administrar o uso do solo da cidade nas seguintes áreas: Favela dos Cabritos, Favela do Pavão e Favela do Pavãozinho, considerando apenas as áreas próximas da praça em questão. Na verdade, há mais 500 ou 600 áreas nas mesmas condições deploráveis de vida, demandando há muito ações públicas emergenciais.

Morro dos Cabritos dentro de uma APA

Muito embora sejamos defensores da sustentabilidade do ambiente, inclusive de seu espaço urbano (espaço antropogênico), a nosso ver a principal questão do projeto das novas linhas do metrô não envolve a Praça Nossa Senhora da Paz, apesar de ela possuir uma cobertura arbórea saudável e ser um dos dois únicos fragmentos de vegetação existentes entre a lagoa e a orla de Ipanema e Leblon (o outro é o Jardim de Ala, embora menos denso). É claro que, como cariocas, não admitimos a hipótese de “destruição temporária” da praça. A prefeitura ou o estado que pense e projete estações em outra localização.

Todavia, o mais grave é o fato de que a principal questão do projeto de ampliação do metrô do Rio não é de ordem ambiental, mas da engenharia de transporte, que foi incapaz de pensar em soluções mais limpas e eficientes, mais humanas, que também contemplassem outros bairros em termos de origem e destino.

A “lombriga armada e amada pelo estado e pela prefeitura” é um erro crasso de engenharia. Justo por isso, achamos que a discussão da estação do metrô em Ipanema trata-se de uma polêmica inconsequente, onde o poder público sairá vencedor, a despeito da burrice que propõe para a cidade e seus munícipes.

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