Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural da Humanidade, segundo a Unesco


A cidade do Rio está de parabéns pelo longo e fabuloso título que acaba de receber. Em nossa opinião de leigos, bastava chama-la de “Patrimônio Natural da Humanidade”, sem qualquer ornamento ou adereço. Não entendemos o que significa uma “paisagem que seja cultural”. Temos belíssimas e inigualáveis paisagens dentro da urbe, não há dúvida, mas decaímos muito em termos da produção cultural.

Basta usar um parâmetro de comparação entre dois tempos da cidade. Por exemplo: o número pífio de intelectuais, escritores, músicos e pintores que temos na cidade de hoje, fundamento básico da cultura, com a grande quantidade que tivemos, a criar e elevar a cultura do Rio, ao longo do século 20.

Outro aspecto relevante para a formação da cultura de uma cidade é encontrado em sua arquitetura. Embora derive dos fundamentos básicos acima, a cultura de grandes cidades é refletida na arquitetura de seus prédios e equipamentos urbanos. É o caso das cidades europeias como Paris, Roma, Praga, Barcelona, Lisboa e Londres. Talvez seja em função da arquitetura que essas cidades possuam a dita “Paisagem Cultural”.

No ano de 2009, a cidade do Rio promoveu um concurso internacional para a nova sede do Museu da Imagem e do Som (MIS). Sua finalidade foi a de escolher o melhor projeto de arquitetura para o futuro museu. A localização do MIS escolhida pelos gestores públicos não foi considerada pelos participantes sequer razoável: Avenida Atlântica, Posto 6, bairro de Copacabana.

O escritório de arquitetura que se sagrou vencedor do evento é norte-americano (“Diller Scofidio+Renfro“). Segundo informações divulgadas pela mídia, esse escritório possui um vigoroso portfólio de trabalhos já realizados, com projetos arquitetônicos de expressão na Suíça e nos EUA. Mas, se pensarmos um pouco, Suíça e Estados Unidos da América não são propriamente os melhores representantes da cultura arquitetônica existente e desejada para o Rio. Vejam o desenho do projeto vencedor.

Projeto inacabado do Museu da Imagem e do Som

Vista do projeto por outra perspectiva

O projeto será um corpo estranho entre os prédios que o circundam, uma espécie de tumor benigno da Avenida Atlântica, um verdadeiro bacamarte, destinado a enferrujar com a maresia. Com esse desenho ficaria melhor situado na Barra da Tijuca, bem ao lado do polêmico prédio da Cidade da Música (hoje renomeado Cidade das Artes). Formariam um par de geringonças arquitetônicas compatíveis entre si.

O grande número de planos inclinados (pisos e paredes) impede qualquer desejo de ampliação de seu espaço interno. As rampas são demasiadamente inclinadas. A fachada não dialoga com os prédios da vizinhança. O que vemos é uma obra com pouca flexibilidade para outros usos. “Enfim, uma nave espacial pra inglês ver”. A ideia de muito movimento nos planos inclinados da fachada quebra o quarteirão Atlântico ao meio.

Bem menos incompatível com a região é o traço suave de outro escritório de arquitetura que participou do concurso, assinado por Isay Weinfeld. Todavia, foi vencido pelo “bacamarte espacial inclinado“.

Projeto vencido, apresentado por Isay Weinfeld