Reflexões e Resultados da Conferência


Em todos os grandes eventos de impacto mundial, anunciados largamente pela mídia internacional, as expectativas dos otimistas sempre são grandes, às vezes até desmesuradas. E é ótimo que seja assim. São estas as pessoas que sempre carregaram o mundo nas costas, em silêncio e anônimas; humildes, fazendo pequenas coisas, mas sempre alertas. Feito escoteiros dedicados num mundo que vive certo pânico.

Replantando

Antes mesmo de terem início os trabalhos nestes eventos, uma série de formadores de opinião antecipam suas propostas e desejos, acreditando que poderão aumentar a qualidade dos temas discutidos e, consequentemente, de seus resultados promulgados, ainda que, de início, somente em folhas de papel.

Esperança

No momento, estamos assistindo aos atos finais da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a denominada Rio+20. Os humildes otimistas (nós nos consideramos um grupo deles) permanecem acreditando que algo de útil e efetivo há de ser acordado. Mesmo que o G7 esteja representado apenas pelo estadista da França. Os outros seis ficaram em casa.

Encastelados

Mas, afinal, o que significa a ausência e o silêncio de alguns chefes de estado se a ONU congrega 193 Estados-Nação? Não deve ser considerada pelos presentes a importância dos que faltaram e sim dos que vieram. Decerto os ausentes encontrarão desculpas relevantes para não fazerem parte dos debates.

Fechando as portas

Os trabalhos tiveram início com os chanceleres discutindo o que é chamado de “Rascunho Zero” do evento. Foi noticiado pela mídia que este documento continha 200 parágrafos, que haveriam de ser debatidos, ajustados e consensuados pelos representantes de governo presentes. Tudo indica que o documento final será fraco, que criará um Protesto Final do público e nada além.

Outonando

Algumas delegações já retornaram a seus países. Com certeza do dever não cumprido. A partir de amanhã nossos aeroportos assistirão a uma revoada de estadistas e diplomatas. Alguns poucos estarão cientes que gastaram dinheiro público de seus países, conheceram pessoas novas, fizeram compras, mas, de positivo, fizeram absolutamente nada.

Retornando

Inúmeras pessoas, detentoras de notório saber, normalmente economistas, partindo das “profecias” da hipótese do aquecimento global, enfocam apenas aspectos econômicos da questão ambiental planetária. Decoraram todos os números, percentuais, estatísticas e conceitos difusos com que alimentam seus raciocínios (meramente econômicos).

O grave problema de seus discursos é o fato de que misturam temas, como produção agrícola, conduta dos fumantes, obesidade, “economia tem que crescer”, geração de empregos, pegada ecológica, produção de agrotóxicos, níveis elevados e concentrados de consumo, riscos desconhecidos da exploração do petróleo, setor automobilístico, crise do clima, dentre outros. Trata-se de um gigantesco guarda-chuva de variáveis não elementares e complexas para serem compostas em uma política pública de qualquer Estado.

É quase impossível entender acerca do que estão falando. Esquecem-se, no entanto, que o retrato atual do planeta foi construído por eles próprios, notórios economistas.

De todas as suas retóricas, concordamos com a afirmação de que a crise mundial que estamos tentando ultrapassar é uma crise de excessos e que a chamada economia verde resume-se nas transições das fontes de energia, no uso racional de nossa biodiversidade e na maior eficiência do uso dos recursos naturais, reduzindo suas perdas, desperdícios e a quantidade de sua apropriação.

Todas as fotografias deste artigo foram retiradas da página Wallpaper Colection, de Valmir F. Machado, a quem agradecemos pela qualidade de suas publicações fotográficas.

2 pensamentos sobre “Reflexões e Resultados da Conferência

  1. Acredito que a partir de agora, o que temos que discutir é nosso modelo de vida, exatamente como apontado no seu texto. Tudo se mistura, pois está tudo irremediavelmente interligado, para o bem ou para o mal. Tudo! A obesidade mórbida de um indivíduo do mundo provoca desmatamento na Amazônia pela “necessidade” de aumentar a fronteira agrícola brasileira para produção de mais comoditties; o excesso de consumo, instigado por sempre ter algo mais novo, diferente para ter o desejo de estar sempre a frente, ter o último modelo de tudo; trocar de carro, pois o novo vem com uma sopa de letras de acessórios; trocar os móveis da casa porque trocou a estação do ano (acredite, recebi ontem um e-mail com esse apelo de uma empresa de móveis!!!). Enfim, não temos outra alternativa a não ser repensar o que nosso estilo de vida e modo de consumir ocidental nos levou – “gastar” 3 planetas para manter o padrão atual… Vamos acabar como os Rapa Nui?! Espero que não! Na minha área estudamos o que aconteceu no passado e no presente para efetuar a predição do futuro (Princípio do Atualismo, de Hutton adaptado).

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    • Se observarmos o quadro apontado pelo artigo com alguma atenção, vamos compreender que a obesidade ou miséria de um povo não provocam respostas produtivas obrigatórias de outros povos. O engano está em entendermos que a obesidade, a miséria, a falta de mais automóveis, a falta de vestuário e outras carências e ausências, absolutamente não constituem “oportunidades de novos negócios” ou de produzir mais energia para a indústria, de mais exploração de recursos naturais, da completa indecência que destrói a biodiversidade do planeta. O que ocorre é que o ser dito humano vem sendo amestrado há séculos para pensar desta forma burra. Tudo vira troca de mercadorias por cifrões.

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