Como estará a segurança pública no Rio, em 2016?


Pronta-resposta a perigos e emergências

Nota: As fotos 2, 3, 4 e 5 constantes neste documento ilustram os atuais resultados da civilização, da educação, da segurança e da competência no trabalho. São algumas das referências do Condomínio de Amatciems, na Letônia, a 80 km da capital, Riga.

I. Introdução

Este documento contém um diagnóstico preliminar que pretende oferecer suporte para o desenvolvimento de um plano de pronta resposta a perigos e emergências para a Cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de uma proposta preliminar para realizar o que se entende como essencial para garantir e manter a segurança pública da cidade. Usamos como base para este diagnóstico a realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.

As metas e projetos ambientais que tratam especificamente deste tema nos Jogos de 2016, uma vez detalhados e implantados da forma adequada, constituirão um legado de segurança pública para a cidade e que poderá ser replicado em outros estados. Vale observar que as metas e projetos destinados à visitação das instalações olímpicas desde as obras constituem também um sistema de triagem de visitantes.

O objetivo deste documento inicial é o de identificar as primeiras linhas de ação para o tratamento de eventuais cenários de perigos e cenários de emergências identificados, de forma a que não se tornem acidentes ou emergências.

Acredita-se que todas as cidades que realizaram ou pretendam realizar eventos com a grandeza dos Jogos Olímpicos consideraram, como um dever absoluto de suas estruturas de segurança, prevenção e controle, a organização e a implantação de planos específicos de segurança, bem como o treinamento de equipes especializadas.

II. Cenários de perigos

Os cenários de perigos passíveis de realização em uma grande metrópole certamente são incontáveis. Dependem de inúmeros aspectos: localização da cidade; topografia de seu terreno; clima; sua expressão econômica; interesses e ações de grupos internos e externos à cidade; sua população fixa e flutuante; suas características culturais; seu nível educacional e de civilização; mecanismos de dissuasão disponíveis para pronta resposta; forças de segurança existentes; sistemas e equipamentos disponibilizados para estas forças; e habilidades técnicas e operacionais aplicadas pelas mesmas.

Considera-se que pela magnitude dos Jogos de 2016 e pelas condições atuais de prevenção de eventos da segurança pública, a cidade do Rio de Janeiro é palco de diversos cenários de perigos e emergências.

Os principais cenários de perigos estão aqui classificados como conjuntos de hipóteses acidentais, cada qual podendo apresentar variações, de acordo com as suas causas e áreas de ocorrência. Em outras palavras, a realização de uma hipótese acidental configura um cenário de perigo, através de acidentes e/ou de emergências.

Relacionam-se abaixo alguns dos possíveis e mais importantes conjuntos de hipóteses acidentais que podem gerar cenários de perigos na cidade do Rio de Janeiro, durante a realização dos Jogos.

Acidente aéreo;
Acidente terrestre com veículos;
Acidente terrestre com metrô;
Acidente terrestre com trem;
Acidente marítimo local;
Acidente marítimo interestadual e internacional;
Incêndio em florestas urbanas;
Incêndio em favelas;
Incêndio em edificações.

É importante chamar a atenção para o fato de que incidentes e acidentes podem ocorrer (i) por força do acaso, (ii) por falha mecânica e (iii) por falha humana. Mas também há eventos que podem ser processos cuidadosamente planejados. Estão tratados em item próprio sem a conotação de hipóteses de acidentes, mas de hipóteses de emergências. Nestes casos os cenários tornam-se graves ameaças à cidade, às suas instituições e, sobretudo, às pessoas.

Seguem considerações acerca de cada uma das hipóteses e de suas ocorrências durante os Jogos de 2016. De forma ainda preliminar, cada hipótese – aqui denominada por evento – está analisada segundo (i) sua possibilidade de ocorrência (Baixa, Média e Alta), (ii) suas causas possíveis e (iii) suas consequências adversas (Baixa, Média e Alta). Na sequência das analises das hipóteses acidentais encontram-se duas tabelas que integram e sintetizam suas análises.

1. Acidente de transporte aéreo

Constituem eventos de baixa possibilidade de ocorrência. Várias são suas possíveis causas: deficiências operacionais da aeronave; falhas humanas na aeronave; condições meteorológicas indesejáveis; qualidade da infraestrutura aeroviária; qualidade do controle de voo; e ato de terrorismo, muito embora para esta última, não haja casos confirmados no Brasil.

Suas consequências adversas são altas, pois envolvem a morte de pessoas, grandes perdas de patrimônio e médias consequências ao ambiente.

2. Acidentes de transporte terrestre

Na cidade do Rio de Janeiro constituem eventos de baixa e alta possibilidade de ocorrência, especialmente os acidentes e incidentes com veículos terrestres com alta possibilidade.

Suas causas mais prováveis variam em função do tipo de transporte – veículos, metrô e trem. Basicamente são as seguintes:

  • Veículos – falha humana, excesso de ingestão de álcool e falha operacional;
  • Metrô – falha humana, falha de gestão corporativa e falha operacional;
  • Trem – falha humana, falha de gestão corporativa e falha operacional.

Suas consequências adversas são variáveis em função do tipo de transporte. Até o presente momento podem ser assim classificadas:

  • Veículos – de média a alta adversidade, com perdas de patrimônio e de vidas;
  • Metrô – de baixa a média adversidade, com perdas de patrimônio e de vidas;
  • Trem – de baixa a média adversidade, com perdas de patrimônio e de vidas.

3. Acidentes de transporte marítimo

Constituem eventos de baixa possibilidade de ocorrência na cidade do Rio de Janeiro.

Para analisar suas causas estão consideradas duas naturezas de transporte marítimo. A que se denomina de transporte doméstico, envolvendo os equipamentos que trafegam entre Rio e Niterói e entre Rio e a Ilha de Paquetá. As causas dos eventos mais recentes no transporte doméstico envolveram imperícia humana e falha de gestão corporativa.

A outra natureza refere-se ao transporte marítimo interestadual e internacional. Suas causas mais prováveis podem ser o grande número de navios trafegando na Baía da Guanabara no período dos Jogos, eventuais falhas humanas, falha da gestão corporativa das empresas de transporte marítimo e falha operacional do equipamento.

No caso de ocorrência destes eventos, para ambas as naturezas de transporte marítimo analisadas, as consequências esperadas devem ser (i) de média adversidade, com risco de perdas de patrimônio; (ii) de baixa adversidade, para perda de vidas humanas; e (iii) perdas ambientais, dependendo das características do evento, poderão ter consequências de baixa até alta adversidade.

4. Incêndios

Há três tipos de incêndios a serem considerados, a saber: (i) incêndios em florestas urbanas; (ii) incêndios em favelas e (iii) incêndios em edificações.

Incêndio florestal na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro

Na cidade do Rio de Janeiro os incêndios em florestas urbanas tendem a constituir eventos sazonais em função do clima, com alta possibilidade de ocorrência. As duas áreas de florestas urbanas com maior expressão da cidade são o Parque Nacional da Tijuca e o Parque Estadual da Pedra Branca. Juntos, estes parques somam uma área aproximada de 165 km2 de floresta.

A realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 acontecerá nos períodos de 5 a 21 de agosto de 2016 e de 7 a 18 de setembro de 2016, respectivamente. Trata-se de um período de estiagem, com clima mais seco e com menor pluviosidade (de maio a outubro), acarretando maiores riscos de incêndios em áreas com vegetação.

Fortalecendo esta tendência, acontecem nesta mesma oportunidade as festas juninas, julinas e agostinas, que representam antigas tradições herdadas pelos brasileiros. Nestas festas são comuns os balões (material incendiário) e o uso de fogos de artifício (material explosivo), aumentando as chances de ocorrência de incêndios em áreas vegetadas.

Há outros fatores quer podem induzir incêndios em áreas com vegetação – acampamentos com fogueiras, fumantes, uso de palitos de fósforo e outras fontes térmicas, as quais não são relevantes para a presente análise.

Os incêndios em favelas são eventos de média a alta possibilidade de ocorrência. Suas causas mais comuns decorrem (i) da explosão de bujões de gás, (ii) de depósitos clandestinos de material explosivo e/ou comburente, (iii) de curtos-circuitos em ligações clandestinas de energia e (iv) do uso de velas para iluminação. Muito embora não sejam tão comuns na cidade, a existência de grande quantidade de favelas nas vizinhanças dos cinco clusters olímpicos favorece as chances de ocorrência.

Por fim, têm-se os incêndios em edificações, que apresentam baixa possibilidade de ocorrência, sobretudo os de maiores proporções. Isto se deve ao fato de haver um controle relativamente bom para suas causas mais prováveis (sistemas elétricos adequados), que envolvem curto-circuito de aparelhos elétricos e explosão após vazamento de gás.

No caso de ocorrência de qualquer um destes eventos, as consequências esperadas devem ser, pela ordem: (i) Florestas: de alta adversidade, com risco de perdas ambientais e de patrimônio; (ii) Favelas: de alta adversidade, com risco de perda de vidas humanas, de patrimônio e ambientais; e (iii) Edifícios: de alta adversidade, com riscos de perdas humanas e patrimoniais.

5. Síntese das possibilidades de ocorrência

A tabela abaixo sintetiza as análises relativas às possibilidades de ocorrência das hipóteses de acidente consideradas, durante a realização dos Jogos de 2016. Estão considerados os três níveis de possibilidade de ocorrência, quais sejam: baixa, média e alta. Em cada nível há três subníveis a que correspondem mínima, intermediária e máxima chance de ocorrência do evento.

Hipótese de acidentes

6. Síntese das perdas esperadas

A tabela abaixo sintetiza as análises relativas às consequências previstas para as ocorrências das hipóteses de acidente consideradas, durante a realização dos Jogos de 2016. Estão consideradas três classes de perda, quais sejam: patrimonial, de vida humana e ambiental. Em cada classe há três níveis a que correspondem baixa, média e alta intensidade de ocorrência do evento.

Possibilidade de Perdas com Acidentes

III. Cenários de emergências

Há outros cenários a serem considerados e que constituem, em função de suas naturezas, cenários de emergências, pois não são acidentais. São processos realizados pelo homem com propósito criminoso e pré-definido. O expressivo ingresso de população flutuante esperado para o período dos Jogos de 2016 certamente é o principal fato motivador dos cenários de emergência passíveis de ocorrência. No estudo ambiental realizado pela FGV Projetos em 2008, encontra-se a seguinte informação estimada:

“(…) a população flutuante esperada para a cidade do Rio de Janeiro durante os Jogos de 2016 (…) poderá oscilar entre 650.000 e 700.000 de pessoas, envolvendo brasileiros e estrangeiros – atletas, árbitros, comissões técnicas, jornalistas e público olímpico”.

Esta informação foi básica para a análise do fenômeno denominado ‘Variação da pressão sobre segurança pública’, que foi considerado de alto impacto, antes, durante e após os Jogos de 2016.

A análise dos cenários de emergências é similar à dos cenários de perigos. Seguem as hipóteses de emergências consideradas.

  • Tráfico e venda de drogas;
  • Crime de morte;
  • Sequestro;
  • Assalto e variantes;
  • Violência localizada;
  • Ação terrorista.

Vista aérea do condomínio de Amatciems

1. Tráfico e venda de drogas

Constitui evento de alta possibilidade de ocorrência. Seria ainda mais correto afirmar que se trata de um evento com certeza de ocorrência, pois raras são as grandes cidades no mundo onde este evento não acontece.

Discriminar as causas deste evento é repisar sobre o óbvio: (i) aparente falha de gestão pública da estrutura de segurança brasileira, envolvendo União, Estados e Municípios e (ii) falha na integração das ações, pessoal e equipamentos de todos os poderes públicos. Especificamente, através de instituições de segurança do Estado, a cidade do Rio de Janeiro vem percebendo pequenas melhorias visando a coibir as iniciativas do tráfico e da venda de drogas. Mas ainda estão longe de serem minimamente aceitáveis pelos cidadãos atingidos.

Não há dúvida de que o tráfico é um problema internacional e bastante complexo para ser pelo menos amenizado. Na cidade do Rio de Janeiro, suas consequências adversas têm sido marcadas por (i) perdas de vidas humanas, (ii) perdas patrimoniais, (iii) perdas de relevantes espaços ambientais, (iv) perdas na imagem pública das instituições de segurança e, por fim, (v) elevadas perdas monetárias. São consequências de alta intensidade.

Pelas relações que este evento possui e mantém com diversos dos cenários de emergências aqui enumerados – crime de morte, sequestro, assalto e violência localizada -, um plano específico e integrado deve ser elaborado pela Unidade de Gestão dos Jogos de 2016. Desta forma, sugerimos que a Unidade de Gestão dos Jogos contemple também a gestão da área de segurança pública, integrando as forças da União, do Estado e do Município.

Amatciems: residências sem muros e vias sem pavimentação

2. Crime de morte

Na cidade do Rio de Janeiro, assim como em diversas capitais de estados brasileiros, os crimes de morte constituem eventos de alta possibilidade de ocorrência. Por infortúnio, as chances da não ocorrência de crimes de morte durante o período dos Jogos são próximas de zero. Suas causas imediatas são incontáveis e vão desde motivos totalmente fúteis a bizarras respostas em legítima defesa. Suas causas ancestrais decorrem da fragilidade da educação pública, do uso e ocupação do solo de forma desordenada, da fragilidade dos planos de segurança do Estado; e, de forma mais específica, da catálise pelo tráfico e venda de drogas em todo o Estado que, desde a década de 80, vem estabelecendo uma espécie de poder e de governo paralelo e concorrente ao governo oficial do estado.

As consequências diretas de sua ocorrência são de alta intensidade envolvendo perdas de vidas humanas.

3. Sequestro

Nas últimas duas décadas os sequestros na cidade do Rio de Janeiro vêm constituindo eventos de média possibilidade de ocorrência, com decréscimo significativo em relação às décadas anteriores.

Aparentemente suas principais causas são a necessidade de dinheiro vivo para a aquisição lotes de drogas, no mais das vezes envolvendo armas, maconha, craque, cocaína e pílulas estimulantes. A princípio, sequestros com base em motivação política (caso Abílio Diniz) não devem ser esperados. No entanto, em função da presença de muitas pessoas mundialmente notáveis, a instituição dos ‘sequestros relâmpagos’ pode ser intensificada na cidade do Rio de Janeiro.

Em caso de ocorrência de sequestros suas consequências esperadas podem causar até altos impactos sobre vidas humanas, perdas de patrimônio e perdas expressivas da imagem da estrutura de segurança pública no Brasil.

4. Assalto e variantes

Para a cidade do Rio de Janeiro constituem eventos de alta possibilidade de ocorrência.

Suas diferentes causas prováveis são incontáveis, uma vez que os alvos de assaltos podem ser pessoas físicas, residências, edifícios, lojas comerciais e agências bancárias. O mesmo acontece com suas motivações, que tanto dependem de quem realiza o assalto – indivíduo, grupo de indivíduos ou grupo organizado de indivíduos – quanto da natureza do alvo do assalto.

Suas consequências esperadas envolvem perdas de patrimônio e perdas de vidas humanas, podendo ser de baixo a alto impacto, dependendo do alvo escolhido e da atitude de quem realiza o assalto. Durante os Jogos atenção especial deve ser dada a grupos organizados que já sejam identificados pelas instituições de segurança brasileiras.

Custo e benefício: residência + terreno ao custo de 200 mil €

5. Violência localizada

Na cidade do Rio de Janeiro constituem eventos de alta possibilidade de ocorrência.

Inicialmente constituem processos pontuais de conflitos entre grupos de pessoas. Ocorrem, sobretudo, nas saídas de jogos de futebol e em bares de diversos bairros da cidade. Mas já houve casos em que foram se multiplicando e passaram a ser conflitos regionais.

Também são considerados como violência localizada os conflitos entre facções do tráfico de drogas, quando uma dada facção visa a ocupar favelas dominadas por sua antagonista.

Normalmente os primeiros eventos são controlados com relativa velocidade. Já os eventos de conflitos entre facções antagônicas costumam demandar vários dias para serem controlados e geram variadas consequências adversas de elevada intensidade, envolvendo (i) perdas de vidas humanas, (ii) perdas patrimoniais, (iii) perdas de relevantes espaços ambientais, (iv) perdas na imagem pública das instituições de segurança e, por fim, (v) elevadas perdas monetárias.

6. Ação terrorista

Eventos desta natureza apresentam baixa possibilidade de ocorrência no Brasil, em geral, e na cidade do Rio de Janeiro, especificamente.

Este documento de diagnóstico preliminar não considera a hipótese do terrorismo interno. Todavia, o novo contexto desportivo e geopolítico criado pela Copa de 2014 e pelos Jogos de 2016, com o Brasil ao centro, colocam a cidade como um alvo possível de ser considerado por grupos de terroristas estrangeiros.

Nas décadas de 60 e 70 grupos terroristas atuavam de forma isolada, sem apoio de Estados Nacionais. Nos dias atuais parece acontecer uma simbiose entre alguns Estados e grupos que realizam atrocidades internacionais.

Muito embora o governo brasileiro mantenha relações com Estados de diferentes posições políticas, ideológicas e religiosas, diretamente não possui relações de nenhuma natureza com grupos considerados terroristas.

As causas objetivas da ocorrência de ações de terrorismo são o extremismo e a radicalização religiosa e política. Visam ao poder absoluto, à discriminação de pessoas e ao extermínio de algumas classes e etnias.

Nos dias atuais as formas da ação terrorista envolvem carros-bomba e homens-bomba, sobretudo as que acontecem com frequência no Oriente Médio.

Na ocorrência destes eventos as consequências esperadas serão de alta adversidade, com perdas de patrimônio, perdas de vidas humanas, perdas ambientais.

É importante ressaltar que uma ação terrorista realizada por grupos organizados pode utilizar estratagemas para mudar o foco de ação da segurança. Acidentes normais em um ponto da cidade poderão estar ligados a uma ação terrorista em áreas distantes do acidente.

7. Síntese das possibilidades de ocorrência

A tabela abaixo sintetiza as análises relativas às possibilidades de ocorrência das hipóteses de emergências consideradas, durante a realização dos Jogos de 2016. Estão considerados os três níveis de possibilidade de ocorrência, quais sejam: baixa, média e alta. Em cada nível há três subníveis a que correspondem mínima, intermediária e máxima chance de ocorrência do evento.

Hipótese de emergências

8. Síntese das perdas esperadas

A tabela abaixo sintetiza as análises relativas às consequências previstas para as ocorrências das hipóteses de emergências consideradas, durante a realização dos Jogos de 2016. Estão consideradas três classes de perda, quais sejam: de patrimônio, de vida humana e ambiental. Em cada classe há três níveis a que correspondem baixa, média e alta intensidade de ocorrência do evento.

Possibilidade de Perdas com Emergências

IV. Estrutura da ação

O plano de ação de pronta resposta da segurança pública deverá ser capaz de realizar quase automaticamente as seguintes ações, nesta ordem:

  • Prever – prever ou antever os cenários de perigo e de emergência que possam estar se desenvolvendo;
  • Observar e entender – observar os cenários de perigo e de emergência que estejam em andamento e seus agentes causadores mais prováveis, buscando entender seus processos;
  • Mobilizar e ativar – mobilizar o alerta aos recursos humanos e equipamentos para impedir as ocorrências de eventos de emergência e, se for o caso, ativá-los para a pronta resposta.
  • Responder – responder imediatamente aos eventos de emergência ativados.

Estas ações precisam ser realizadas em qualquer ponto da cidade do Rio de Janeiro, bem como em todas as suas entradas e saídas.

Muito embora toda a cidade seja a área de interesse do plano de ação, sugere-se que o foco principal sejam as áreas dos clusters, seus acessos e saídas, bem como acessos e saídas da cidade, por terra, mar e ar. Por fim, que inclua cada instalação olímpica e seus acessos.

As ações devem seguir o processo sequencial acima apresentado: Prever, Observar e Entender, Mobilizar, Ativar e Responder. Para facilitar todas as referências a este processo ao longo deste documento deu-se a ele o título Poemar.

V. Equipes e equipamentos

A realização das ações do Poemar precisa ser sistemática e permanente. Requer a aplicação de variados tipos de recursos humanos, capacitados para operar com recursos técnicos especializados, envolvendo comunicação, telecomunicação, imagens, vídeos e registros gravados de todos os processos identificados como sendo de interesse.

1. Recursos humanos

Os recursos humanos destinados aos Jogos de 2016 basicamente deverão ser selecionados nas instituições de segurança pública da União, do Estado e do Município. Sugere-se que as forças armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – sejam consideradas, sobretudo pelo fato de que já possuem treinamentos básicos da doutrina e da disciplina requeridas para a defesa do Estado. Além disso, constituem forte instrumento de dissuasão.

Sugere-se que os recursos humanos do Poemar sejam organizados em três grupos distintos e complementares, a saber:

  • O Grupo I, que atua nas ruas da cidade com a finalidade de previsão de cenários de perigos e emergências, notificando ao escritório central a previsão de eventos de emergência.
  • O Grupo II, que atua na Unidade Central de Segurança com a finalidade de (i) observar e entender os cenários de perigo e de emergência que estejam em andamento; (ii) de mobilizar o alerta aos recursos humanos e técnicos necessários à pronta resposta; e (iii) acionar a ação dos grupos de pronta resposta.
  • O Grupo III, constituído por vários Grupos de Pronta Resposta, que atua com a finalidade de realizar as ações necessárias para estancar ou impedir qualquer ocorrência e limpar a área afetada, caso necessário.

Como complemento essencial ao processo, a presença das seguintes instituições é básica para os resultados da pronta resposta:

  • Corpo de Bombeiros.
  • Defesa Civil.
  • Equipes capacitadas para limpeza de ambientes afetados, envolvendo qualquer tipo de resíduo sólido ou líquido, incluindo, sobretudo, aqueles classificados pela legislação brasileira como tóxicos e perigosos.

A fim de garantir a qualidade das ações, no período de realização dos Jogos, com pelo menos 60 dias de antecedência, estas instituições devem estar subordinadas à chefia da Unidade Central de SegurançaUCS.

2. Recursos técnicos e logísticos

Sem entrar em detalhes técnicos e especificações, os recursos a serem disponibilizados e dedicados para a realização do processo Poemar estão assim discriminados.

  • Prédio da Unidade Central de Segurança.
  • Sistema de comunicação individual em radiofrequência, com transmissão em ondas seguras (controle de acesso, amplitude de cobertura e velocidade).
  • Sistema integrado de monitoração de áudio e contato individual, atendendo a todos os pontos da cidade do Rio de Janeiro, de suas entradas e de suas saídas.
  • Sistema integrado de monitoração visual da cidade do Rio de Janeiro, de suas entradas e de suas saídas.
  • Sistema computacional integrando todos os demais sistemas.
  • Sistema de geração de energia, própria e independente de qualquer concessionária, instalado em anexo da Unidade Central de Segurança.

Todos os sistemas de monitoração, computação e geração de energia da UCS devem ser duplicados, em hardware e software, de sorte a impedir qualquer tipo de interferência que possa afetar sua plena operação.

Sugere-se uma visita formal à cidade de Londres, onde autoridades brasileiras da área da segurança pública poderão tomar conhecimento de sistemas similares lá existentes.

3. Pré-seleção, seleção e treinamento

Devem ser estabelecidos requisitos específicos para efetuar a pré-seleção dos profissionais que atuarão em cada grupo de ação, de modo a que somente os efetivamente selecionados passem para a etapa de treinamento. Os requisitos básicos e gerais para todos os grupos devem ser os seguintes:

  • Ser brasileiro e maior de idade;
  • Não ter processo ou condenação na justiça;
  • Para os Grupos I e II é requisito básico possuir ensino superior ou equivalente, compatível com as atividades que irá realizar;
  • Ter domínio do idioma inglês, além da língua materna.

Após o processo de pré-seleção, os candidatos a vagas nos três grupos de ação devem ser rigorosamente selecionados. Seu treinamento deve ser intensivo para as atividades específicas que deverão realizar.

Recomenda-se que qualquer membro dos grupos de ação não tenha conhecimentos detalhados acerca das atividades dos demais grupos. Detenha apenas os conhecimentos gerais necessários para compreender (i) o que é; e (ii) como funciona o processo do Poemar.

Amatciems: Sistema de drenagem integrado, com controle de inundações

VI. Gerência do UCS

Este é um ponto crucial a ser considerado. Por um lado, a Unidade Central de Segurança será criada, desenvolvida e implantada com o aporte de recursos das três esferas de governo. Por outro lado, todas as ações de pronta resposta a acidentes e emergências, independentemente do processo acidental ou emergencial que esteja em andamento, requerem um comando único e centralizado para sua adequada realização.

Conforme foi proposto anteriormente, a UCS deve estar vinculada à Unidade de Gestão dos Jogos. No entanto, seu comando precisa ser autônomo e independente, exercido por profissional técnico e habilitado. Não deve haver indicação política para este cargo e nenhuma esfera de governo deve interferir em suas decisões. Não pode ocorrer qualquer tipo de conflito operacional.

Sugere-se que para a chefia da UCS seja selecionado um militar com experiência em segurança de fronteira e guerra na selva. Suas eventuais fragilidades urbanas podem ser sanadas através do uso de assessores técnicos e da interface que manterá com os órgãos estaduais de segurança.

VII. Observações finais

Todos os eventos considerados, relativos a cenários de perigos e cenários de emergências, são de extrema importância, independendo da frequência estimada para suas ocorrências. O Plano de Pronta Resposta a ser desenvolvido visará reduzir as chances de suas de ocorrência, pelo menos durante o período dos Jogos de 2016 (34 dias). No entanto, permanecerá como um legado para o Rio de Janeiro, justificando seus investimentos.

Em caso de aprovação deste projeto de segurança pública, o mesmo deve ter início neste primeiro semestre de 2010, pois envolverá a realização de vários processos que demandam a adoção de tecnologias apropriadas, a seleção de equipes para os grupos de ação, a seleção de treinadores devidamente capacitados e o treinamento das equipes da Unidade Central de Segurança.

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