Vacas chifrando pessoas…


Em verdade, vacas domésticas cabeceando pessoas burras.

Assistimos a um documentário em um canal a cabo que apresentou um caso por demais curioso. Em um belo campo gramado da Universidade de Ohio, havia duas vacas preto-e-brancas aparentemente pastando a grama. Logo atrás das bovinas, corriam três carros da polícia e alguns alunos do curso de veterinária. Todos tentavam “tirar as vacas do gramado”. Com certeza, a Universidade considerou que as vacas eram extremamente selvagens e perigosas, portanto chamou a polícia para intervir na “recuperação das bovinas”.

Os policiais, sem saber exatamente o que fazer, limitaram-se a acompanhar as “meninas” pastando. E elas, na qualidade de ruminantes, não entenderam por quais motivos estavam sendo perseguidas pela turba de veículos e humanos.

Uma jovem aluna da veterinária, decerto tentando demonstrar seu aprendizado, aproximou-se das vacas “para conversar”. Levou uma excelente cabeçada e voou pelos ares, tendo sido um pouco pisoteada. Mas, graças à sorte, não sofreu maiores contusões e levantou-se, galharda e imediatamente, para prosseguir com sua perseguição. É provável que possuísse uma bolsa de estudos, caso contrário haveria desistido de seu intento após a formidável cabeçada que tomou.

Fazendo uma breve analogia entre as vacas e a CPMI do Cachoeira que ora acontece, fomos estimulados a encontrar algumas semelhanças entre as duas situações tragicômicas:

Cachoeira e seu advogado, Márcio Thomaz Bastos, na CPMI

─ As vacas inocentes que calmamente pastam a grama nos parecem a melhor imagem da postura da sociedade brasileira diante do caso político do contraventor e criminoso Senhor Cachoeira (e seus auxiliares).

─ A polícia perseguidora dessas vacas assemelha-se aos partidos da situação, dado que não têm a menor ideia sobre o que fazer ou opinar diante do quadro que se lhes apresenta.

─ Todas as “vacas” que não são inocentes, e que se encontram acompanhadas por advogados, os quais cobram preços absurdos por seus serviços, a serem pagos com dinheiro do crime organizado, sem qualquer exceção, precisam ser premiadas com imediato encarceramento em prisão pública.

─ Por fim, os advogados das vacas, precisam justificar de forma clara e indubitável, por quais motivos pessoais não seguem as prescrições jurídicas essenciais de Dr. Sobral Pinto[1].

Em alguns de seus textos, citados pelo jornalista Augusto Nunes, lê-se a alma deste notável advogado e jurista:

O primeiro e mais fundamental dever do advogado é ser o juiz inicial da causa que lhe levam para patrocinar” (…). “Incumbe-lhe, antes de tudo, examinar minuciosamente a hipótese para ver se ela é realmente defensável em face dos preceitos da justiça. Só depois de que eu me convenço de que a justiça está com a parte que me procura é que me ponho à sua disposição”.

A regra vale também para velhos amigos: ”Não seria a primeira vez que, procurado por um amigo para patrocinar a causa que me trazia, tive de dizer-lhe que a justiça não estava do seu lado, pelo que não me era lícito defender seus interesses”.


[1] Heráclito Fontoura Sobral Pinto (Barbacena, 5 de novembro de 1893 — Rio de Janeiro, 30 de novembro de 1991) foi um jurista brasileiro, defensor dos direitos humanos, especialmente durante a ditadura do Estado Novo e a ditadura militar instaurada em 1964.


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