O Homem e os Mantras do planeta


Os Mantras (do sânscrito, “Man”, mente, e “Tra”, alavanca) são sílabas ou poemas de esperança que tiveram origem no hinduísmo [1] e são usados até hoje por outras culturas, tal como no budismo tibetano.

Significa dizer que o ser humano pode ser capaz de usar sua mente com a força de uma alavanca. Quanto maior for seu cérebro, maior será a alavanca em que se transforma. Resta saber qual deve ser o ponto de apoio para uma grande mente.

A paz do Monge em sua insignificância perante o planeta

A propósito, um dos mantras mais entoado pelo budismo tibetano é o “Om mani padme hum”. Consideram-no o “mantra das seis sílabas da compaixão”. É entoado por monges e aprendizes, podendo ser encontrado esculpido em rochas ou escrito em papéis, que são distribuídos em rodas de cânticos, visando a potencializar seus efeitos (seu ponto de apoio).

Suas seis sílabas possuem significados específicos, que caracterizam a mesma ação (fechar a porta), em seis reinos distintos, contra cada uma das seis ameaças fundamentais de sentir um sofrimento (risco de perder o ponto de apoio):

  • Om – fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses. O sofrimento do reino dos deuses surge da previsão do fim do reino dos deuses. Este sofrimento provém do orgulho. Orgulho para ser um dos deuses.
  • Ma – fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses guerreiros. O sofrimento é o da briga constante. Este sofrimento provém da inveja. Inveja dos deuses guerreiros.
  • Ni – fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino humano. Os sofrimentos dos humanos são o nascimento, a doença, a velhice e a morte. Este sofrimento provém do desejo. Desejo de nunca morrer.
  • Pad fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino animal. O sofrimento dos animais é o da estupidez, da rapina de um sobre o outro, de ser morto pelos homens para obterem carne, peles etc, e de ser morto por feras. Este sofrimento provém da ignorância. Ignorância perante os animais.
  • Me – fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos fantasmas famintos. O sofrimento dos fantasmas famintos é o da fome e o da sede. Este sofrimento provém da ganância. Ganância para matar sua fome e sede.
  • Hum – fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino do inferno. O sofrimento dos infernos é o calor e o frio. Este sofrimento provém do ódio. Ódio contra tudo e todos.

Refletindo um pouco sobre este mantra é possível verificar que as proteções contra os sofrimentos humanos considerados nefastos, existentes há milênios, são perfeitamente adaptáveis “aos reinos de hoje”.

Contudo, há diferenças de premissa. Este mantra específico não funciona como uma força de coerção sobre as pessoas, apenas como orientações. Sua aceitação não é imposta como ameaças e punições aos sete pecados capitais e a dez mandamentos; é voluntária, aceita por cada pessoa de acordo com seu livre arbítrio.

Derivada desta postura verifica-se que este mantra pretende ser um processo proativo, que visa a impedir pessoas de enfrentarem as “seis ameaças fundamentais de sentir um sofrimento”. Ele é diverso de mandamentos e pecados capitais, que constituem processos reativos destinados a punir, tentando impedir que “sofrimentos” já realizados voltem a ocorrer.


[1] O hinduísmo moderno cresceu a partir dos Vedas, dos quais o mais antigo é o Rig Veda, que data de 3.700 anos passados. Se formos considerar as “religiões pré-históricas da Índia”, estaremos falando em cerca de 7.500 anos passados, no fim do período Neolítico.

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