Os inselbergs e o endemismo


Similar ao iceberg (ilha de gelo), o termo inselberg (ilha de rocha), foi introduzido pelo geólogo alemão, Friedrich Wilhelm Bornhardt, em 1900. Foi a melhor forma de caracterizar montanhas pré-cambrianas, geralmente monolíticas, de gnaisse e granito, que emergem abruptamente do plano que as cerca.

Inselberg.jpg

No Brasil, são comuns os inselbergs graníticos ou gnáissicos, tendo então uma forma esferoidal e de alta inclinação (cerca de 40º). É o caso do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Além deste inselberg, outros podem ser encontrados na região do Sertão nordestino, denominada “Polígono das Secas“.

Esses relevos são considerados como “testemunhos“, pois são os relevos que resistem ao processo de pediplanação e pedogênese dos espaços físicos do ambiente.

Atualmente, independente da origem geológica, para fins ecológicos e florísticos, o termo designa formações rochosas que sustentam uma flora específica claramente diferenciada das áreas de baixio que as cercam.

A vegetação desses ecossistemas destaca-se das demais por suas características florísticas, estruturais, fisionômicas e, principalmente, pelo elevado endemismo. Os inselbergs são ecossistemas muito distintos e constituem refúgios importantes para pesquisa da biodiversidade, já que apresentam flora exclusiva e bem característica, associada a condições muito peculiares.

Esses ambientes encontram-se sob condições de estresse hídrico, altos níveis de radiação solar e apresentam pouca disponibilidade de substrato. Essas condições abióticas severas são fatores determinantes na adaptação das espécies encontradas nesses locais, atuando diretamente na formação de ecótipos[1], raças locais e espécies biológicas. Desta forma, os inselbergs caracterizam-se por formarem áreas isoladas, com elevado endemismo, diversidade biológica e genética.

Apesar disso, ainda são pouco conhecidos em suas características florísticas, genéticas, padrões de distribuição de seus componentes e comportamento de suas populações da flora.

Apenas recentemente foi reconhecida a importância dos inselbergs para o estudo da biodiversidade em vários aspectos. Como consequência, a flora dos inselbergs tem recebido nos últimos anos uma atenção considerável, com a publicação de diversos trabalhos em todo o mundo.


[1] Em uma espécie, um ecótipo é a presença de populações geneticamente únicas que são adaptadas ao seu ambiente local. Aexemplo, é aceito que o boto-cinza possui dois ecótipos – um fluvial, encontrado em rios amazônicos, e o outro pelágico, encontrado ao longo da costa sul-americana. Um ecótipo, como tal, não tem definição taxonômica formal.

5 pensamentos sobre “Os inselbergs e o endemismo

  1. O artigo publicado já dá a resposta para a erosão diferencial que cerca esses corpos rochosos. Muitas vezes esses granitóides estão encaixados em rochas mais susceptíveis aos processos erosivos, sobrando como testemunho desse processo e de uma paisagem antiga.

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    • PERDOE-NOS, SENHOR(A) ANÔNIMO(A), MAS OS INSELBERGS, POR DEFINIÇÃO DO GEÓLOGO CRIADOR DO CONCEITO GEOGRÁFICO, PODEM SER GNÁISSICOS E GRANÍTICOS. NÃO TEMOS COMO DISCUTIR A ORIGEM DESTA DEFINIÇÃO, FORMULADA NO ANO DE 1900.
      CONTUDO, CONCORDAMOS COM A EVENTUAL EVOLUÇÃO DO CONCEITO OU CARACTERIZAÇÃO DOS “INSELBERGS”.

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