Estudo Preliminar de Viabilidade Ambiental do Planeta


1. EPVA do Planeta Terra

Este é o exercício de nossa equipe. Um tanto arriscado, por sinal. Mas, consideramos que constitui uma boa prática ambiental, relevante para o momento em que vivemos. Serve como um bom teste para a gestão ambiental e da sustentabilidade.

Aplicando alguns conceitos básicos para o planeta , focalizamos alguns de seus cenários ambientais, considerados para um intervalo de tempo gerencial de até 100 anos.

Além disso, realizamos algumas considerações expeditas sobre como o Brasil pode oferecer contribuições para o beneficiamento dos Cenários Ambientais do Planeta.

Primeiramente, apresentamos o cenário de atual, baseado em três variáveis que cremos serem críticas: economia internacional, efeito estufa e gestão da sustentabilidade. Sempre que possível, registramos as macrotendências da qualidade ambiental do planeta, visto sob a ótica do comportamento ocorrente e provável destas mesmas variáveis.

Este texto foi escrito primeiramente em novembro de 2009 e seguiu sendo revisto até fins de 2010. Vale dizer que montamos uma boa equipe de especialistas ambientais já acostumados a grandes desafios analíticos.

Imagem do Planeta Terra feita em alta resolução pela NASA

2. Cenário Atual do Planeta

Para elaborar este cenário precisamos de algumas informações capazes de identificar os impactos ambientais mais significativos ocorrentes na Terra. O caminho adequado foi iniciar pelos trabalhos de campo. Mas, neste caso, a única forma de ver toda a área de influência foi sentar sobre o topo da Lua para observar o planeta Terra.

Pois fomos até lá, munidos de um ótimo telescópio de primeira geração. Não é um caçador de galáxias, mas é um bom equipamento. Fizemos todas as nossas observações em 48 horas. As informações secundárias que utilizamos provêm da mídia nacional e internacional. Muitas delas são boas, pois permitem a reflexão. Outras são difusas, têm significado dúbio e informam menos do que confundem. Tivemos que filtrá-las e, quando possível, depurá-las.

Nesta “primeira visita de campo” observamos com destaque os agentes causadores de ameaças e alterações adversas no ambiente da Terra, gerando fenômenos significativos que o impactam em seus ecossistemas aéreos, aquáticos e terrestres. No entanto, seus agentes são retroimpactados, fazendo com que todos os países sofram efeitos adversos, assim como seus empreendimentos de infraestrutura, agrícolas, da pecuária, extrativos e industriais. O mesmo acontece com as grandes áreas urbanas e com países insulares.

2.1. Alterações físicas

  • Alterações climáticas – Essas alterações são bastante complexas e não são simples de analisar, sobretudo se desejamos identificar de forma mais precisa quais são suas reais causas. É o tema mais abordado no momento e que motivou mais uma cimeira, em Copenhague: a COP-15. Nela estiveram reunidos muitos ministros e estadistas que nada entendiam de climatologia e meteorologia; apenas “discutiram politicamente”.

As alterações climáticas constituem um fato ambiental que decorre do denominado efeito estufa, o qual é um processo natural do planeta e que permite a existência dos seres vivos nas atuais condições de temperatura da Terra. O planeta emite CO2 e outros gases na atmosfera, independente da existência das atividades humanas. Neste processo, o efeito estufa garante a temperatura do planeta a que todos os seus ecossistemas e comunidades vêm-se adaptando ao longo de milhões de anos. No entanto, estamos assistindo a ‘previsões’ (profecias?) da intensificação de seus efeitos. Alguns fenômenos climáticos realmente são visíveis em diversas regiões do planeta, sobretudo no Círculo Polar Ártico, em cordilheiras mais elevadas e em áreas urbanas densamente povoadas. O que não são claramente visíveis são suas causas efetivas. Há muitos debates sobre o assunto em todo o mundo, dada a sua complexidade e seus possíveis efeitos sobre milhares ou milhões de pessoas que habitam países insulares.

Há muitos textos a respeito deste tema disponíveis na WEB. No entanto, em sua maioria, ou não são científicos ou são assinados por cientistas que não trabalham com a dinâmica climática[1]. Poucos citam suas fontes. Muitos deles afirmam que se baseiam em ‘estudos de especialistas’. São textos de curto alcance e provavelmente exagerados. Constituem notícias suportadas pela mídia internacional, que não permitem aos estudiosos interessados em responder à questão básica para iniciar qualquer debate sério sobre as alterações do clima no planeta:

― Considerando o período dos últimos 100 anos (1910 a 2010), qual foi a quantidade média de gases do efeito estufa[2] emitida naturalmente pelo planeta, por ano, e qual foi a quantidade média da emissão destes gases, proporcionada por atividades humanas, no mesmo intervalo de tempo? Ou seja, quantos bilhões de toneladas de gases estufa são próprios e naturais do planeta Terra e quantos decorrem das atividades humanas, constituindo o denominado ‘efeito estufa antropogênico’? Será que o Homem chegou a emitir 1% da emissão terrestre? Ou foram 2, 5, 10, 50%?

Acreditamos que somente a partir do conhecimento desta relação tornar-se-á possível estimar as proporções das responsabilidades sobre o eventual aumento permanente do aquecimento do planeta e, em consequência, das mudanças climáticas antropogênicas que vêm sendo alardeadas e datadas com previsão e certeza assustadoras. A partir daí, se for o caso, torna-se possível planificar ações consensuais e inteligentes, com a participação de todos os estados nacionais. Ainda assim, somos obrigados a salientar que é extremamente difícil realizar consensos planetários em fins de 2009, pois a inteligência ambiental média do conjunto dos estadistas nacionais nos parece muito baixa e precária.

Acreditamos que para este sumário de estudo ambiental preliminar não caberia contratar um cientista de clima e meteorologia. Devemos apenas analisar o material disponível e efetuar deduções lógicas e coerentes. No entanto, caso estivéssemos elaborando um relatório de avaliação conclusivo, seríamos obrigados a ter a opinião abalizada de muitos cientistas do clima.

Acerca do efeito estufa, sugerimos a leitura de artigo do Prof. Richard S. Lindzen em http://resistir.info/climatologia/lindzen_rev2.html (acessado dia 10 de novembro de 2009). O Prof. Lindzen é um cientista do clima respeitado em todo o planeta[3], com dezenas de trabalhos publicados. Mas, é cético com relação ao aquecimento global da forma com que vem sendo publicado. Afirma que as previsões do aquecimento global antropogênico são pelo menos muito imprecisas. Diz o professor: “as previsões dos modelos ao longo do último século (século XX) descrevem a mecânica do aquecimento incorretamente e superestimam muito sua magnitude”. Voltamos a falar deste evento e de seus fenômenos decorrentes. Mas, neste momento, achamos que só podemos falar de “Oscilações Climáticas”: em um mesmo dia de verão, no Rio Grande do Sul a temperatura foi a 2º C, com geada, e no Rio de Janeiro alcançou 35º C.

  • Movimentos de solo – Terraplenagens, cortes, aterros e demolições são observados em quase todo o planeta. Em sua maioria, os movimentos de solo são decorrentes de novos empreendimentos humanos, considerados necessários por investidores e pelos mercados a que tencionam atender. Muito embora a superfície da Terra seja espacialmente limitada, o uso e a ocupação do solo terrestre é um processo que parece não ter fim, tanto para finalidades habitacionais, quanto produtivas. No entanto, há grandes regiões onde esses processos apresentam-se comparativamente menos intensos, como é o caso de boa parte da Europa Ocidental. Por outro lado, as indústrias extrativas merecem destaque, sobretudo as de minérios. As mineradoras líderes do mercado mundial já começaram a incorporar a gestão da sustentabilidade como prática organizacional necessária a suas atividades produtivas que, essencialmente, se baseiam em movimentos de solo.
  • Áreas com desertificação – O quadro atual dos processos da desertificação planetária é expressivo, em especial se consideramos suas nítidas tendências. Através de análises realizadas utilizando técnicas de geoprocessamento, há informações claras de que boa parte superfície terrestre está sujeita a estes processos. Sem considerar as regiões de solos secos, os continentes e países que mais se destacam na desertificação são os seguintes: África, sobretudo no Saara, suas áreas de entorno e parcelas da África Meridional; sudoeste de Madagascar; sul da Ucrânia; Israel, Jordânia, Síria, Iraque, Cazaquistão, Uzbequistão, Paquistão, Afeganistão, Irã e sudeste da Arábia Saudita; sul da Índia; sul de Portugal e da Espanha; centro-oeste dos Estados Unidos da América, áreas centrais do México; nordeste do Brasil, sul da Bolívia, áreas esparsas da Argentina e do Chile; e diversas regiões da Austrália.

Os fatos causadores da desertificação são vários. Alguns decorrem de solos secos e frágeis, localizados em regiões de clima árido. Assim sendo, são dados do problema. No entanto, grandes processos de desertificação são baseados em variáveis de cunho antropogênico, como a exposição do solo por meio de desmatamentos e queimadas, processos erosivos, assoreamentos resultantes e a consequente redução da vazão de aquíferos. Este processo torna solos normais, com alguma qualidade edafológica, em solos secos, frágeis e inúteis, ou seja, tendendo a desertos.

Há décadas este processo está acontecendo em boa parte da Bacia do Rio São Francisco. Não podemos afirmar, mas temos a opinião de que o projeto de transposição de bacia do São Francisco, ora em andamento, em nada amenizará a desertificação do semiárido nordestino, nem aumentará o tempo de vida do Velho Chico. Ao contrário, sem investimentos mínimos para sua reabilitação ambiental, parte da bacia do rio poderá ser transformada no Deserto de São Francisco. E não será consequência do ‘aquecimento global’, mas da ignorância política nacional.

2.2. Alterações bióticas

  • Desmatamento de florestas – O Brasil ainda é o líder mundial na prática criminosa e ilegal do desmatamento de florestas. A Mata Atlântica está hoje reduzida praticamente ao seu mínimo. A Floresta Amazônica continua a sofrer com o corte e as queimadas, tal como as Matas do Cerrado. As áreas de Caatinga se encontram em grande parte desertificadas. O caso brasileiro é tão grave que, de nosso ponto de vista lunar, mal conseguimos observar o restante do planeta. Aliás, por acaso, estamos vendo uma possível luz de fogo em Burundi (o menor emissor de CO2 do planeta), situado na África Meridional, ao lado do Congo e logo abaixo de Ruanda. Sem qualquer ironia, mas visto daqui o Brasil, nosso Brasil, quarto maior emissor de CO2 do planeta, parece um enorme ‘Burundão’.

O desmatamento das florestas brasileiras, na intensidade com que vem sendo praticado ilegalmente, sobretudo os registrados em regiões tropicais primitivas, é responsável por uma série inaudita de potentes impactos ambientais adversos. Desencadeiam alterações ambientais secundárias de todas as ordens. Vejamos alguns exemplos: alteração do mesoclima, alteração da drenagem superficial, inundação de baixios, lixiviação de solos, evasão da fauna, perdas de habitats preferenciais, alteração do uso e ocupação do solo, processos de migração humana, atração da fauna com hábitos peridomiciliares, abertura de estradas e caminhos de acesso (com novos desmatamentos), posse ilegal de terras e atividades agropecuárias em ambiente impróprio, dentre outras.

Estas alterações secundárias, por sua vez, também geram novos fenômenos com expressivos impactos adversos, físicos, bióticos e antropogênicos, tais como variação da qualidade dos solos, a variação dos processos erosivos, a variação dos processos de assoreamento, variação da vazão de aquíferos, variação da abundância e da diversidade da flora, variação dos processos de fotossíntese (afetando o ciclo do oxigênio e o ciclo do carbono), variação da abundância e da diversidade da fauna, variação da competição inter e intraespecífica da fauna, variação do risco de acidentes, variação da demanda por habitação, variação de acidentes com animais peçonhentos, variação da demanda por serviços de hospitalares, variação da demanda por educação, variação do comércio ilegal de madeira, variação da pressão sobre os equipamentos viários, variação da tensão social entre comunidades locais, variação do comércio de drogas, variação dos índices de criminalidade, variação da pressão sobre a segurança pública e variação dos processos de corrupção, pública e privada. Chega de variação!

Podemos afirmar que esta nefasta cadeia de eventos ambientais[4] não ocorreria da mesma forma caso nunca houvesse existido ‘um Homem e uma Serra Elétrica’[5]. Na verdade, foram e são muitos pequenos homens e suas grandes serras afiadas, diante da majestade da Floresta Amazônica, a qual imolam diariamente.

A continuarem os desmatamentos em todo planeta, a Terra perderá a proteção de sua pele de forma tortuosa e permanecerá por algum tempo ao sol, tostando em carne viva. E não será devido ao aquecimento global, mas apenas à insensatez dos animais humanos.

2.3. Ameaças e alterações antropogênicas

  • Inteligência ambiental de estadistas – Muitas nações do planeta já elegeram históricos estadistas. Algumas delas ainda os têm, após sucessivas trocas democráticas. Houve excepcionais políticos, grandes negociadores, excelentes economistas, bons financistas e assim por diante. Mas, porque foram e são bons estadistas?

Respondemos dizendo que, pelo menos no mundo ocidental, foram pessoas preparadas para exercerem a função de estadistas. Parece ser óbvio, mas não é. Pelo menos não é assim que ocorre na África e na América Latina.

Os melhores estadistas do planeta foram treinados durante vários anos por muitas pessoas. Provavelmente antigos professores, que detinham os conhecimentos dos fundamentos da moral e da ética, de relações pessoais, de compartilhamentos de conhecimentos, de gerencia de processos, de disciplina, de ciência política, de relações internacionais e de economia, e os transferiram com galhardia para os cérebros destes jovens e potenciais estadistas. Dois fatos chamam nossa atenção nesse processo: existiram bons professores e os jovens de então, potenciais estadistas, tinham excelentes cérebros. Sabemos que esta convergência de fatores positivos é incomum, é como um sorteio: é aleatório. Mas é assim que acontece estes encontros de cérebros.

Consideramos que este é o único modo de produção de bons estadistas. Não nos parece haver outra fórmula. Estadistas de qualidade não caem do céu e não são produzidos pela simples experiência política, que gera bem mais vícios do que virtudes.

No século XXI, verificamos que novos atributos vêm sendo requisitados dos bons estadistas. Dentre eles encontra-se o domínio da arte da sustentabilidade. Mas, em que consiste esta arte?

Consiste em saber como administrar o território de um país, garantindo-lhe estabilidade ambiental, e estimulando a criação de organizações produtivas, impondo-lhes padrões de elevado nível para seus desempenhos ambientais. É denominada por gestão da sustentabilidade. Vai além da gestão ambiental, dado que busca capacitar uma entidade organizada para que não impacte o ambiente, nem dele receba retroimpactos adversos como resposta.

É relativamente simples de realizar esta arte. Mas, dado o cenário ambiental atual do planeta, tudo nos leva a crer que há poucos estadistas capacitadosem sustentabilidade. Eo que consideramos ainda mais temerário é o fato que sequer sabem em que consiste esta tal gestão e quais as vantagens de sua aplicação para a manutenção da vida humana no planeta.

Todavia, esta ameaça ambiental pode ser facilmente superada, seja pelo treinamento de futuros estadistas, seja pelo voto do cidadão, quando em ambientes democráticos e não manipulados.

  • Concentração de estoques de recursos naturais – Recursos naturais são todos os elementos que compõem o ambiente terrestre. O próprio homem é um recurso natural. No entanto, se apropria de boa parte dos demais recursos para construir, transformar e produzir, fazendo com que os resultados desse processo possuam valores monetários, estabelecidos pelos mercados de negócios. Desta forma, há diversas classificações de recursos naturais em função das necessidades humanas. Contudo, para o ambiente, os recursos naturais não possuem valor monetário, mas apenas o valor de sua existência, de modo a garantir a estabilidade dos ecossistemas que o compõem. Em outras palavras, possuem o valor de sua qualidade ambiental que, como vimos, pode ser quantificada e monitorada, tal como se fosse uma moeda.

O homem estabeleceu, em decorrência de utilidades antropogênicas, que existem recursos naturais estratégicos, os quais normalmente são não-renováveis e limitados em seus estoques. O melhor exemplo de recurso não-renovável é o petróleo[6], cujos estoques estão concentrados em alguns países. Seus governos recebem tributos ou royalties em troca da concessão a empresas petroleiras para sua pesquisa, exploração, produção, refino e comercialização.

Outro exemplo são os vários tipos de minerais considerados estratégicos, de elevado interesse industrial, os quais são tratados de maneira similar ao petróleo.

Para o ambiente, por sua vez, todos os recursos naturais são estratégicos, pois deles depende a qualidade ambiental de seus ecossistemas constituintes.

Desta forma, é possível observar um conflito de uso e apropriação dos recursos naturais. De um lado, o homem apropriando estes recursos para a produção do desenvolvimento e da riqueza. De outro, o ambiente, dependendo dos mesmos recursos para sua existência. Cremos que a prática da gestão da sustentabilidade é uma boa forma de compatibilizar os interesses do homem com as necessidades do ambiente, do qual é parte integrante.

Quando o homem se antepõe ao ambiente, como se estivesse fora dele, sempre gera graves ameaças ambientais. A concentração desnecessária da posse e exploração de recursos naturais possui cada vez menos tempo para ser resolvida. Somente uma coisa é certa e óbvia: sem o Ambiente estável o Homem não existe.

  • Movimentos de tropas – Nesta alteração a posição brasileira possui destaque positivo. Nunca utilizamos armas e homens de forma ofensiva, mas apenas garantindo a soberania de nosso Estado. No entanto, o mesmo não acontece com outras nações. Observamos nitidamente um amplo e permanente movimento de tropas, desencadeando a alteração ‘Deslocamento de Sistemas de Armamentos’. É fácil constatar e registrar tropas que se dirigem a diversos pontos do planeta, com ênfase para o Oriente Médio.

Estariam tentando garantir a permanência da posse de estoques de recursos não renováveis? Ou buscando impedir a ocorrência de um novo 11 de Setembro, sufocando o terrorismo internacional em suas origens? Talvez, ambos.

Infelizmente, não temos esta resposta e não vamos especular, posto que se trata de uma questão de vários Estados (a maioria, sem estadistas) e da lamentável gestão George W. Bush nos EUA.

Assim sendo, a caracterização completa desta alteração ambiental e conclusões de seu comportamento futuro, quando observada à distância, encontra-se prejudicada.

  • Deslocamento de sistemas de armamentos – Para onde se levam tropas, é compatível que sejam enviados armamentos de terra, de mar e de ar. Em síntese, levam-se pessoas bem treinadas e tecnologia de destruição automatizada, operada via satélite.

Desta alteração decorrem tensões internacionais, demonstrações de força destrutiva, e provocações militares incabíveis. As estratégias deixam de ser decisões que visam a atingir alvos concretos em quadros de parcial desconhecimento. Passam a ser ameaças de destruições mútuas entre Estados. As estratégias tornam-se absurdos coletivos e sem alvos concretos.

Da mesma forma, a caracterização desta alteração também está incompleta e qualquer especulação não faz muito sentido por três aspectos básicos: (i) as disparidades de forças e equipamentos militares colocados sobre a mesa, pelos Estados envolvidos; (ii) os elevados riscos de seus desdobramentos; e (iii) a obviedade de que a única solução a ser encontrada precisa ser limpa e sem detonações de explosivos.

  • Implantação de centrais nucleares – Trata-se de uma alteração secundária, estimulada pelas duas anteriormente apresentadas. Para os Estados que tem como meta fazer parte do clube nuclear, sua finalidade provavelmente é criar maiores ameaças potenciais de litígios, uma vez que não há informação clara e definitiva acerca dos usos e objetivos dessas novas centrais: energia, medicina ou guerra?
  • Lançamentos de mísseis balísticos – É uma alteração similar à implantação de centrais nucleares, porém agravada pelo fato constituir uma demonstração cabal da disposição para promover e atuar agressivamente em litígios.

Resumindo: movimentos de tropas, deslocamentos de sistemas de bélicos, implantação de novas centrais nucleares e lançamentos de mísseis balísticos, são processos de manejo humano que ocorrem simultaneamente. Em seu conjunto, conformam um quadro de elevado risco ambiental e de segurança para o planeta, que deveria ser capaz de aterrorizar até mesmo ao mais ignorante dos seres humanos. Muitos de nós já assistimos a este cenário, durante os 46 anos da guerra fria (1945-1991). No entanto, neste longo período, a disputa política e econômica entre os EUA e a União Soviética sempre se deu de forma indireta. Hoje assistimos a conflitos diretos entre Estados, basicamente representados por EUA, Iraque, Irã, Afeganistão, Israel, Síria, Palestina, Líbia, Paquistão e Coréia do Norte. Isto sem considerarmos as forças da OTAN.

  • Geração de efluentes gasosos – Os efluentes gasosos que mais preocupam em suas emissões e concentrações com relação ao clima da Terra são o vapor d’água, o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) e os clorofluorcarbonos (CFC). No entanto, vamos nos concentrar apenas no CO2, porquanto, depois do vapor d’água, é o gás de maior emissão no planeta e, consequentemente, de maior concentração em sua atmosfera. As maiores fontes da emissão humana de CO2 estão concentradas em países mais industrializados e em metrópoles densamente povoadas, nas quais a cobertura vegetal foi reduzida. Nestas regiões a queima de combustíveis fósseis é mais elevada, proporcionando maior emissão e menor capacidade de sequestro pelos processos de fotossíntese. Não existe cobertura vegetal suficiente para absorver e metabolizar o carbono emitido. Plantas (terrestres e aquáticas) agregam parte do carbono e liberam oxigênio na atmosfera. Plantas jovens realizam este processo com maior intensidade.

Duas coisas ficam claras nesta análise. A importância da contenção dos desmatamentos, que afetam a flora, os solos e os recursos hídricos, com efeitos danosos sobre o ciclo do oxigênio e o ciclo do carbono, e a questão que ainda não está devidamente respondida:

― Quantos bilhões de toneladas de CO2 são próprios e naturais do planeta Terra (efeito estufa) e quantos decorrem de empreendimentos realizados pelo Homem (efeito estufa antropogênico)?

  • Geração de efluentes líquidos e pastosos – Muito embora a geração desses efluentes seja muito expressiva, há diversas tecnologias dominadas que permitem seu tratamento, destino e a consequente minimização dos efeitos adversos. No entanto, nos países ditos em desenvolvimento e naqueles onde a miséria é dominante, não há como deter as ameaças à saúde pela ausência do saneamento básico. Soluções que realizem a cogeração de energia, através da emissão de metano proporcionada por esses efluentes, poderiam trazer reais impactos positivos para estes países.

Há que ser criada uma completa solução de compartilhamento e cooperação por parte das nações mais desenvolvidas. O fabuloso esforço de organizações não-governamentais ainda é insuficiente para amenizar esta ameaça e resolver seus eventos causadores.

  • Geração de resíduos e rejeitos – O processo desta alteração e suas possíveis soluções são similares à alteração relativa a efluentes líquidos e pastosos.
  • Geração de particulados – Esta alteração é mais incisiva em países que se encontram em desenvolvimento. Possuem muitas obras e utilizam pouca tecnologia para controlar a emissão de particulados na atmosfera. Além disso, nem sempre o controle ambiental é efetivo. Consta da lei o controle de gases, particulados e odores, mas nem sempre é aplicado ou fiscalizado.

Esta alteração também é encontrada em terras secas e terras desertificadas, onde a erosão eólica torna-se a responsável. Uma provável solução é o seu reflorestamento, senão por matas nativas, por culturas agrícolas integradas. Há tecnologias disponíveis para ambas as soluções. Falta a chamada vontade política.

  • Desemprego global – O desemprego é uma alteração ambiental dado que constitui a retirada do homem produtivo de um dado mercado de trabalho, sem retorno em curto prazo, e, evidentemente, sem sua anuência.

Nesta análise consideramos os denominados ‘subempregados’ como fora do mercado de trabalho. Sua principal causa foi recente a Crise Internacional de 2008, ou seja, nasceu no setor financeiro norte-americano e dispersou-se por todo o planeta, interferindo gradativamente na economia produtiva.

O desemprego durante o ímpeto da crise foi alarmante. Hoje ainda é grave, sobretudo na Europa, nos EUA, na África, na Ásia, em parte da Oceania e em grande parte dos países latino-americanos.

Para um estudo ambiental preliminar, não há como estimar os impactos das alterações identificadas. Mas não há dúvida de que, em grande parte, suas medidas são elevadas e muitos de seus processos decorrentes devem ser considerados intermitentes.

Desta forma, passamos a identificar os fenômenos derivados destas alterações. Somente focalizamos os eventos considerados planetários (distributividade máxima). Incluímos alguns eventos que, embora não sejam tão evidentes, merecem ser discutidos e previstos.

2.4. Fenômenos físicos

  • Variação da ocorrência de eventos naturais – Este evento se manifesta através do provável aumento da quantidade ou da intensidade de eventos ambientais, envolvendo terremotos, erupções vulcânicas, tornados, ciclones e tsunamis.

Terremotos e erupções vulcânicas são fenômenos geológicos, peculiares ao planeta. Vários cientistas tentam identificar a iminência de sua ocorrência, mas normalmente são imprevisíveis quanto às suas ocorrências, muito embora seus processos sejam conhecidos e tenham seus riscos mais ou menos estimáveis. A única pergunta que permanece sem resposta para geólogos e vulcanólogos é aparentemente simples: Quando vão acontecer?… A resposta também é simples: Senta e espera…

Tornados, furacões e ciclones são fenômenos também peculiares ao planeta. Podem ser identificados e monitorados. Permitem que ações de prevenção sejam realizadas, de sorte a reduzir seus potentes efeitos adversos. Possuem padrões de ocorrência associados às estações do ano. Segundo nosso entendimento, talvez possam ser amplificados pelo efeito estufa, mas cremos que ainda é difícil comprovar esta tese.

Os tsunamis são fenômenos marinhos que não ocorrem espontaneamente como os demais eventos ambientais. Normalmente, decorrem de terremotos ou de erupções vulcânicas. Por isso os denominamos de eventos ambientais decorrentes. O impacto de um meteoro no oceano também pode produzir um tsunami.

Concluímos considerando que terremotos, erupções vulcânicas, ventos fortes e tsunamis são fenômenos associados à geodiversidade do planeta, embora haja cientistas que os associam, em tese, ao efeito estufa. Contudo, em nossa visão, apenas os tornados, furacões e ciclones estariam associados, hipotética e parcialmente, ao efeito estufa.

  • Variação da temperatura de oceanos – Este fenômeno decorre do processo do efeito estufa natural do planeta. Na verdade, ele é o seu maior indicador, dado que a superfície de água do planeta é muito superior à terrestre. Se as águas dos oceanos sofrerem aumento em suas temperaturas, todo o planeta também será afetado.

Contudo, não há provas científicas de que todos os oceanos do planeta estejam tendo este mesmo comportamento. Muito ao contrário. Também não foi possível mensurar, com base nos dados encontrados, qual seria a massa d’água oceânica afetada e qual seria a não afetada.

No entanto, para os ecossistemas aquáticos que efetivamente sofrerem a elevação de temperatura devem ser esperados os seguintes eventos ambientais adversos: degelo de áreas polares, variação do centro de gravidade do planeta, variação da produção de algas marinhas, variação dos processos de fotossíntese, modificações de cadeias tróficas aquáticas e variação da abundância e da adversidade da fauna marinha.

Não há indicações científicas seguras da correlação entre a variação da temperatura de alguns oceanos e o ‘efeito estufa antropogênico’. Qualquer afirmação neste sentido seria um alarme precipitado, senão falso.

  • Variação do volume de áreas polares[7] – Há informações ambíguas sobre o degelo de áreas polares. Existem dois grupos distintos de profissionais que possuem visões diametralmente opostas (visões polares) sobre o tema do Global Warming, como foi divulgada e conhecida, nos países de língua inglesa, a hipótese do Aquecimento Global Antropogênico.

O grupo “que defende” o Global Warming é formado por cientistas de diversas áreas do conhecimento (inclusive alguns climatólogos), por políticos, artistas, intelectuais, jornalistas, publicitários, sensacionalistas e ambientalistas. Acreditam que o aquecimento global é uma tese indubitável e a proclamam de forma ameaçadora. Utilizam todos os meios de comunicação que se encontram disponíveis.

O outro grupo, envolvendo primordialmente cientistas do clima e da física, rechaça a hipótese do Global Warming, pois a consideram um exagero não comprovado. Afirmam que as curvas das alterações climáticas demonstram-se como funções quase senoidais, cíclicas, considerando as séries históricas de dados climáticos e meteorológicos do planeta.

Este grupo afirma possuir dados históricos que comprovam um comportamento climático cíclico do oceano Ártico, conforme mostra a figura abaixo.

 Evolução do Mar Gelado no Ártico –2002 a 2009 :: Fonte: IARC-JAXA, em http://mitos-climaticos.blogspot.com/

Os dados demonstram uma razoável ciclicidade de comportamento deste oceano, num curto período de 8 anos (2002 a2009). É possível observar que os mínimos e os máximos das curvas anuais são bastante semelhantes e que o ano de pior desempenho foi 2007. Em 2008 e 2009 verifica-se que a camada de gelo sofre algum crescimento relativo, demonstrando que a curva relativa a 2007 não significa uma tendência, mas provavelmente uma curva do ciclo.

Segundo o grupo de cientistas do clima, no outro extremo do planeta, a Antártica sofreu elevação de temperatura de2,5 °C, desde 1940. Parece-nos que esta variação pode ter causas completamente variadas e ainda desconhecidas. Na Antártica houve redução do tamanho em algumas geleiras, mas outras geleiras tiveram seus volumes ampliados. Não temos dados para avaliar se a camada total de gelo da Antártica aumentou, diminuiu ou manteve-se estável.

Para conhecer as opiniões do grupo de cientistas, sugerimos que os leitores visitem o blogue do Prof. Rui G. Mauro em http://mitos-climaticos.blogspot.com/ (acessado dia 11 de novembro de 2009). Neste blogue o interessado encontra artigos de diversos climatólogos e endereços de várias páginas com temas associados. Desde já avisamos que os debates são bastante aguerridos.

O grupo Global Warming afirma que “há evidências aferidas de degelos no Círculo Polar Ártico, sobretudo em áreas da Groelândia, Alaska, Canadá, Islândia, Finlândia, Escandinávia e Sibéria; que a região do oceano Ártico é a mais afetada; que nos últimos anos (sic), a camada de gelo do Ártico tornou-se cerca de 40% mais fina e a sua área foi reduzida em aproximadamente 14%.”

Para conhecer e analisar as opiniões do grupo Global Warming, sugerimos que os leitores visitem a página do ex-vice-presidente norteamericano, senhor Al Gore, posto que ele é um dos líderes e articuladores do Global Warming (http://www.algore.com/ acessado em 10 de novembro de 2009).

O Prof. Richard Lindzen pondera na abertura do artigo a que fizemos alusão:

Muitos aspectos do cenário catastrófico (do Global Warming) já foram descartados pela comunidade científica. Por exemplo, o temor da elevação do nível do mar, presente em muitas das discussões iniciais sobre o aquecimento global, teve estimativas sucessivamente reduzidas em várias ordens de grandeza. Agora há acordo de que até mesmo a contribuição do aquecimento para a elevação do nível do mar seria secundária”.

Apesar desta consideração do cientista, optamos por limitar as conclusões da análise deste fenômeno. Não temos meios para identificar a resultante dos degelos, sobretudo porque o volume de gelo da Antártica é superior aos degelos informados no restante do planeta.

Além disso, não possuímos competência nesta área e dados precisos que nos permitam correlacionar o degelo de áreas polares com a hipótese do Global Warming proporcionado pelo homem.

2.5. Fenômenos bióticos

  • Variação da produção de algas marinhas planctônicas – Desde há muito está comprovado pela ciência oceanográfica que a maior parte da produção de oxigênio do planeta decorre dos processos de fotossíntese das algas marinhas planctônicas. Dentre outras variáveis, a produção de algas marinhas também depende da temperatura do mar.

Com o eventual aquecimento de alguns oceanos, deveríamos prever, por um longo prazo de tempo, a redução da produção de algas e, em consequência, da produção de oxigênio e do sequestro do carbono, sobretudo em regiões temperadas.

No entanto, estaríamos admitindo que o Global Warming é um fenômeno indiscutível e comprovado. Estaríamos afirmando que o planeta, em 50 ou 100 anos, poderia perder quase 90% do oxigênio em sua atmosfera, ou seja, o equivalente à produção de O2 pelas algas!

Como roteiro de filme de terror, de baixa qualidade, pode ser utilizado. Como verdade científica, temos sérias dúvidas. Assim sendo, optamos por não considerar este evento. Quem estiver vivendo na oportunidade poderá conferir.

  • Variação da abundância e da biodiversidade da fauna – Conforme vimos na análise das alterações e fenômenos proporcionados pela remoção de florestas, um de seus efeitos primários é a variação da abundância e da diversidade da fauna, em geral.

Em ecossistemas aquáticos este fenômeno também acontece, por força de diversas variáveis, tais como lançamento em corpos d’água de efluentes com elevada toxicidade, lançamento de detritos não biodegradáveis, contaminação de aquíferos superficiais e subterrâneos e redução da disponibilidade de aquíferos, dentre outras.

Nos ecossistemas marinhos a variação da abundância e da diversidade da fauna ocorre principalmente como função da pesca e captura em períodos de defeso, da pesca predatória, da pressão da pesca industrial e de efeitos pontuais sobre a produção primária de organismos básicos para a cadeia alimentar.

No entanto, não visualizamos a correlação entre a variação da temperatura de rios, lagos e oceanos, causada pelo efeito estufa antropogênico, e as variações do comportamento da fauna aquática e marinha.

  • Variação das cadeias tróficas – As cadeias tróficas são sistematicamente modificadas por força da ação de diversas variáveis intervenientes. O planeta assiste a este fenômeno em ecossistemas terrestres e aquáticos há milhares de milhões de anos e a sucessão de seus sistemas permitiu a continuidade da vida.

Este é um processo natural, tanto da fauna em geral como do homem. Trocar de cardápio deve-se a dois motivos: ou é fruto da capacidade de adaptação dos ecossistemas ou da escolha racional do homem.

Hoje em dia não é mais possível comer uma lasca de Tiranossauro Rex assado ou um Mamute Al Primo Canto em qualquer restaurante do planeta.

2.6. Fenômenos antropogênicos

Chegamos à parte mais delicada e abrupta da transformação ambiental do planeta: os fenômenos ambientais totalmente criados e alimentados pelo homem. Temos que ser cuidadosos em nossa análise, de forma a reduzir adjetivações e exageros. Portanto, tentaremos ser objetivos e factuais.

  • Variação da modernização de armamentos bélicos – Vários são os motivos alegados para este evento. Dentre eles têm-se destacado os seguintes: defesa da ‘soberania’ nacional, capacidade de pronta-resposta a litígios e atividades de terrorismo, capacidade de mediação e intervenção nos ‘litígios dos outros’, necessidade de mobilização de forças militares em qualquer ponto do planeta, estímulos ao desenvolvimento de novas tecnologias que possam ser migradas para o uso da sociedade e para o fortalecimento econômico industrial.

Trata-se da antiga decisão entre produzir canhões ou manteiga, sendo que os recursos econômicos são sempre escassos. Este foi o dilema discutido pelo Prof. Paul Anthony Samuelson, Nobel de Economia em 1970, considerando a decisão de “ou investir em instrumentos de guerra ou no desenvolvimento de um país”. Naquela oportunidade, estávamos vivendo, ou melhor, tentando conviver com o processo da guerra fria.

Muito embora este dilema seja relativamente antigo em sua origem, é mais atual do que nunca. Os seus principais atores atuais são EUA, Coréia do Norte, Israel, China, Índia, Paquistão e Irã. Há outros países interessados ou aparentemente interessados em adquirir armas e esquecer a produção de manteiga. Dentre eles destacamos a Colômbia, a Venezuela e por último o Brasil, buscando estruturar uma força de dissuasão.

Junto com a modernização bélica, crescem as tensões internacionais e multiplicam-se os atores. Da mesma forma, aumentam os litígios internacionais e as situações potenciais de novos conflitos. De nossa parte, continuamos a saudar e apostar na manteiga.

  • Variação das transações comerciais internacionais – Com a crise iniciada em 2008, somente declarada em outubro do mesmo ano, ocorreu um expressivo congelamento do comércio internacional. O único país que suportou as consequências econômicas e financeiras da crise foi a China. Seu PIB permaneceu o mesmo em 2009. A China transformou a crise em “marolinha”. O Brasil sofreu um potente impacto econômico adverso. Teve PIB negativo em 2009.

Ainda está acontecendo um grande desemprego, em boa parte da Europa, da Ásia e da América Latina, mas, sobretudo nos EUA. Em decorrência, a renda das famílias teve expressiva queda e a arrecadação tributária das nações sofreu um grande baque, em especial naquelas que praticam exageros tributários (exceto o Brasil).

Em 2010 o Brasil recuperou seu fôlego produtivo com a entrada de capital externo e, pelo menos na superfície, aparenta possuir relativa saúde econômica.

Não vamos fazer qualquer profecia econômica para 2011, pois desconhecemos as variações da inteligência de todos os estadistas que estarão envolvidos.

  • Variação das culturas nacionais – Este fenômeno merece ser destacado pelas causas que o determinam e pelos processos que acarretam. Sua principal causa é a sistemática, permanente e incisiva produção e distribuição de informações inúteis e difusas. Trata-se de um processo que se assemelha a contar a mesma mentira infinitas vezes, até que ela seja percebida como verdade, inclusive por seus próprios autores.

Os cidadãos do mundo menos educado são surpreendidos, de hora em hora, com novas sequencias de informações e contrainformações. A mídia chama a esse processo de democracia da informação, que visa a permitir que seus leitores e ouvintes desenvolvam sua opinião através da reflexão. Ora, se não possuem educação para entender as informações que estão recebendo, como poderão efetuar reflexões? Não refletem. Na melhor das hipóteses, tornam-se ecos involuntários, soluços culturais. Na verdade, perdem a chance de construir capacidade crítica e de análise. Não nos parece que haja qualquer democracia neste processo de difusão de informações. Conforme considera o Prof. Andrew Oitke[8], na verdade trata-se de um processo de obesidade mental.

Em países menos desenvolvidos na área da educação, a cultura vem sendo transmutada, pela imposição de conceitos, hábitos e padrões esdrúxulos de comportamento, que muitas vezes não se coadunam com os fundamentos elementares da moral, da ética e da responsabilidade. Para muitos cidadãos do restante do mundo estes fundamentos sequer são considerados como ortodoxos ou conservadores; tratam-se apenas de princípios introdutórios à civilidade.

Não fosse este um estudo preliminar, um bom antropólogo como Andrew Oitke deveria ser contratado para abordar este tema em mais detalhes.

  • Variação de contrastes sociais – Este evento não significa que os contrastes sociais identificados refiram-se às tradicionais diferenças entre ricos e pobres, entre cultos e incultos, entre proprietários, arrendatários e inquilinos. Os contrastes a que nos referimos são disparates que derivam das inversões culturais acima tratadas. Na verdade, o que observamos pode ser definido em uma só frase: a ideologia ativa acima da razão silenciosa. Ou, ainda, a razão, humildemente e envergonhada, fazendo concessões e vênias à ideologia, qualquer que ela seja.

Na América Latina estes contrastes são bastante comuns, pois o espírito da razão encontra-se congelado pelo freezer político de diversos estados. Na África, tida como berço da civilização, onde o Egito ostentava talvez a mais grandiosa biblioteca da História – a Biblioteca Real de Alexandria – verificam-se contrastes sociais similares, embora bem mais graves e impactantes do que os latino-americanos.

Considerando todos os eventos da transformação ambiental, identificados e analisados como provavelmente verdadeiros, as oscilações da qualidade ambiental do planeta Terra tornam-se bastante nítidas, mesmo quando observadas à distância lunar (384.405 quilômetros, em média). As tendências que verificamos não são boas. Aliás, podem ser um tanto desastrosas para o futuro cenário tendencial do planeta. Dois processos com efeitos adversos se destacam em nossa opinião: a exploração concentrada de recursos naturais estratégicos e os elevados riscos de conflitos e enfrentamentos internacionais. Estes são os principais vetores de transformação ambiental vivida atualmente pelo planeta.

3. Cenário Alvo do Planeta

Acreditamos que para mudar as tendências do cenário atual, as quais resultam de um grande número de variáveis ambientais críticas, basta que trabalhemos sobre uma única variável: a moeda corrente. Vamos explicar.

Somos otimistas e acreditamos que, no período de 50 a 100 anos, as organizações e os governos serão obrigados a gerenciar seus recursos segundo critérios, diretrizes e princípios de ordem ambiental. As variáveis financeiras e econômicas, que hoje definem e orientam a gestão planetária, precisarão ser consideradas apenas como variáveis complementares. A Crise de 2008 – conforme será conhecida em 2108 – será narrada na cadeira da História Ambiental em escolas e universidades como o início de um processo no qual a humanidade começou a possuir alguma visão do que deveria ser seu caminho de vida e como deveria mudá-lo.

Alguns poderão dizer que este cenário não é otimista. Que na verdade é muito pessimista, pois caso isto aconteça, será sinal de que a Terra já se encontra à beira da falência ambiental e que a única saída será retornarmos ao passado, voltando a realizar escambos ao invés de trocas monetárias.

Não será tão drástico, pois continuaremos a realizar trocas comerciais, normalmente. Apenas a moeda de troca, para a manutenção da continuidade da vida das organizações e dos governos não será o dólar, o euro ou qualquer outra moeda hoje disponível, lastreada em ouro ou em mentiras. Provavelmente será uma única moeda planetária, um meio de troca, lastreado em inteligência, que represente uma nova competência dos governos e das grandes corporações. Será um meio de troca que não será representado por medidas monetárias, mas por medidas da qualidade ambiental resultante de seus processos produtivos, que também possuem valor: o óbvio valor da vida na Terra.

Esta competência constituirá a capacidade de governos e organizações em realizar produtos e serviços, desde que recompondo a estabilidade dos ecossistemas que alteram de maneira adversa. Para alcançar este estágio precisaremos da ONU reformulada. Na verdade, o mundo precisará de uma nova entidade multinacional composta por estadistas objetivos e preparada. Uma entidade que seja capaz de tomar decisões e de coordenar medidas. Que esteja mais interessada nos resultados posteriores às suas reuniões, do que em fotografias de risonhos estadistas (patéticos) e protocolos diplomáticos.

Mas, ainda estamos engatinhando nesta matéria, tal como crianças dentro de um cercado cheio de almofadas, apitos e brinquedos.

O mais próximo a que chegamos, de forma concreta, foi com a instituição dos ‘mecanismos de desenvolvimento limpo’ e seus respectivos ‘mercados de créditos de carbono’. Em nosso entender, os créditos de carbono são exclusivamente bens econômicos, visando a ganhos financeiros. Seu mercado está sujeito às burocracias do homem econômico, onde os créditos são negociados por agentes financeiros. Permite que algumas empresas “adquiram o direito de alterar e impactar adversamente qualquer ambiente” (licença de emissão de gases), enquanto as empresas vendedoras dos créditos não podem fazer o mesmo.

É um processo similar ao dos adicionais de insalubridade. De acordo com a lei vigente no Brasil, o funcionário de uma empresa recebe um adicional em sua remuneração, por trabalhar em um ambiente que reduz seu tempo de trabalho (e de vida) – Figura abaixo.

O soldador (foto cedida pelo Fotógrafo Ronaldo Kohn)

Muitas empresas de países em desenvolvimento se submeteram aos processos dos ‘mecanismos do desenvolvimento limpo’. Sem dúvida, e com méritos econômicos, no médio prazo se capitalizaram, vendendo os créditos relativos a seus negócios, instalados em ambientes estabilizados. Mas, ao mesmo tempo, o ambiente continuou sendo cada vez mais alterado de maneira adversa, por milhares e milhares de outras empresas, ausentes desse mercado.

Para testar a racionalidade do mercado de créditos de carbono, vamos analisar seus casos extremos, ou seja, com todas as empresas do planeta fazendo parte desse mercado e com nenhuma empresa desejando estar nesse mercado. Senão, vejamos.

Imaginemos que todas as empresas estivessem aptas a vender créditos de carbono, operando em conformidade com os ‘mecanismos do desenvolvimento limpo’. Com absoluta certeza, todas as áreas de influência dessas empresas teriam ecossistemas privilegiados, saudáveis e estáveis, caso já não houvessem sido alterados. Mas, diante deste cenário, quanto valeria uma unidade deste crédito no mercado?

Quem respondeu zero dólar acertou. Se todas as empresas vendem, não há compradores; não havendo compradores, não há valor e não há mercado. Não havendo mercado, não existirá motivação.

Agora vamos considerar o outro extremo. Todas as empresas do planeta buscam o crescimento econômico desenfreado e operam ‘desbravando matas e sertões’, ‘pagando o preço do desenvolvimento’, conforme era dito no século passado. Nenhuma empresa aceita mecanismos de qualquer espécie, além daqueles que se baseiam em critérios econômicos e financeiros. Desta forma, também não haverá mercado de carbono, pois simplesmente não haverá o que vender.

Concluímos assim que somente existirá o ‘mercado de créditos de carbono’ e dos ‘mecanismos de desenvolvimento limpo’ enquanto houver organizações e governos continuando a ‘sujar o ambiente do planeta‘. Por meio desses mecanismos limpos não acontece qualquer mudança nos fundamentos, o paradigma continua a ser predominantemente econômico e financeiro. A Humanidade permanecerá insalubre, reduzindo seu tempo de vida, com alguns adicionais tecnológicos, que aconteceriam mesmo sem o dito mercado do carbono.

Está faltando mais atenção a propostas científicas que integram os conceitos da ecologia aos da economia. Por exemplo, a Teoria da Avaliação Emergética, desenvolvida e publicada pelo Prof. Howard Odum, nos EUA, em 1983. Esta teoria visa ao estabelecimento de novas fórmulas de avaliação do valor das coisas de que realmente necessitamos e que por isso devemos produzir.

4. Contribuições do Brasil

Por uma enorme sorte geográfica, o Brasil ainda possui os maiores ativos ambientais do planeta: detém a maior parte da Amazônia e a maior reserva planetária de água doce. Em nossa opinião, o Estado Brasileiro deve articular, o quanto antes, uma estratégia para valorizar e financiar a existência destes ativos. Não se trata de uma ameaça à perda governada destes ativos ou do que resta deles; também não se trata de chantagem com as demais nações. Mas, de negociações com países desenvolvidos para a sua manutenção completa e permanente. Diante de todos os acontecimentos a que estamos assistindo neste início de século, estes ativos moram no Brasil, mas sem dúvida são ativos planetários.

Cremos que as contribuições brasileiras devem ser rapidamente oferecidas. Uma fórmula imediata para valorizar e financiar esses ativos ambientais pode ser similar à dos tais créditos de carbono empresariais, muito embora gerando receitas aplicadas estritamente na manutenção e melhoria da qualidade desses ativos.

Sem perder sua ‘soberania’, o Brasil deve fixar metas drásticas e consequentes, sujeitando-se à fiscalização de entidades internacionais específicas e de sua própria sociedade. Ou seja, o Brasil deve fixar metas de desmatamento zero em seus principais biomas e de recuperação total de seus aquíferos superficiais e subterrâneos.

Alguns conceituados economistas e cientistas de diversas áreas têm dúvidas quanto às consequências desta iniciativa, posto que outros países amazônicos poderiam utilizar a mesma fórmula, reduzindo os valores monetários dos créditos. Mas os créditos que propomos não são de carbono. São créditos de sustentabilidade. Exatamente, mercado de créditos da sustentabilidade, o qual vai muito além da pretensa solução carbônico-financeira, que vem se mostrando bastante precária e incipiente, sobretudo porque suas causas ainda não se encontram realmente identificadas. O que há é geração e distribuição de informação difusa sobre o assunto.

Uma solução para este impasse será a de valorizar monetariamente os ativos ambientais sustentados de cada país, limitando e garantindo seus financiamentos máximos, de forma a impedir variações de valor para um crédito da sustentabilidade, em qualquer tipo de mercado.

Salientamos que o principal motivo desta proposta de solução não está correlacionado ao efeito estufa antropogênico no planeta, mas apenas à garantia da melhoria e da manutenção da qualidade ambiental do continente sul-americano.

5. Conclusão

Pode parecer que criamos um impasse: ou viabilizamos econômica e financeiramente nossas instituições, reduzindo a qualidade ambiental do planeta; ou, para garantirmos a viabilidade da existência do ambiente planetário, ampliamos nossos investimentos em sustentabilidade.

Porém, apenas parece um impasse, porque não é desta forma que as coisas realmente acontecem. Devemos repaginar os investimentos e os gastos correntes, tanto de governos, quanto de organizações produtivas. Devemos anular os desperdícios econômicos, que são muitos e enormes. Devemos zerar definitivamente despesas supérfluas, que são inúmeras e também gigantescas. Por outro lado, devemos aplicar estas economias na estabilidade dos ambientes que alteramos, absurda e desnecessariamente. Todos podem ter certeza de uma coisa: sobrará muito capital para investir produtiva e socialmente, mas com prioridades mais sérias e adequadas.

Voltamos a afirmar:

A exploração concentrada de recursos naturais estratégicos e os elevados riscos de conflitos e enfrentamentos internacionais” são as maiores ameaças que inúmeras nações oferecem ao planeta. Oscilações climáticas estão ocorrendo, sem dúvida, mas a responsabilidade do homem neste processo certamente é pequena, se é que existe.

No entanto, no período entre 50 e 100 anos, será encontrada uma forma para que não mais existam governos e corporações que desestabilizem o planeta. Isto não é utopia. A Terra é ambientalmente viável. Mudar de planeta seria mais uma ideia desmiolada de cientistas autocentrados. O desenvolvimento de um Plano para Sustentabilidade do Planeta poderá ser bem mais importante do que as intenções declaradas de metas de redução de gases do efeito estufa, discutidas eternamente por países em encontros internacionais. Tal plano iria muito além da redução dos ‘gases humanos’. Contemplaria todas as alterações e fenômenos com impactos adversos, ocorrentes e previstos no planeta.

Em nossa opinião, ainda falta um respeitado estadista que grite bem alto um comando direto:

─ “Faça-se o Plano!

Rio de Janeiro, 31 de novembro de 2010
Equipe de Gestão da Sustentabilidade


[1] Ressaltamos que não temos um climatólogo em nossa equipe.

[2] Embora os gases responsáveis pelo efeito estufa natural sejam vários (dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, CFC e vapor d’água), somente consideramos nesta análise o dióxido de carbono, pois não conseguimos obter informações sobre os demais gases.

[3] Richard S. Lindzen é Professor Titular de Meteorologia do Massachusetts Institute of Technology. Foi colaborador proeminente do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) e o principal responsável pelos “Assessment Report” – pedra basilar dos relatórios quinquenais do IPCC. Renunciou a essa colaboração perante a falta de ética do núcleo central de decisão do IPCC que publicou textos não aprovados pelo grupo de climatologistas responsáveis pela componente científica dos documentos oficiais. Em especial, insurgiu-se contra a afirmação “da prova discernível da intervenção humana nas alterações climáticas”, quando os cientistas apontavam exatamente para a falta de provas e salientavam as muitas incertezas na matéria. A sua voz é regularmente ouvida nas comissões científicas do Congresso dos Estados Unidos. É membro da Academia das Ciências dos EUA. O autor possui uma grande obra científica publicada. Veja em detalhes na http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Lindzen.

[4] A cadeia de eventos da transformação ambiental apresentada, decorrente dos desmatamentos de florestas tropicais, não está completa. É apenas composta por ‘alguns exemplos’.

[5] Paradoxalmente, se houvesse uma sigla para esta pobre expressão, ‘um Homem e uma Serra Elétrica’, ela seria HSE, confundindo-se com seu antônimo: Health, Safety and Environment – HSE ou, em português, Saúde, Segurança e Ambiente – SSA.

[6] Vale dizer que há uma teoria que afirma ser o petróleo de origem abiótica e não de fóssil. Achamos estranha, pois teria como consequência a capacidade permanente de produção de petróleo pela Terra. O petróleo seria um recurso renovável. Não nos detivemos em considerar esta hipótese, apesar de nos chamar atenção para o fato que cargas orgânicas, quando sob elevada pressão e altas temperaturas, deveriam gerar carvão e cinzas altamente compactadas.

[7] Todos os dados e informações referentes a este fenômeno foram obtidos através de páginas científicas encontradas na WEB.

[8] Discutido no livro do antropólogo OITKE, Andrew – Mental Obesity, 2001.

Um pensamento sobre “Estudo Preliminar de Viabilidade Ambiental do Planeta

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