O Morro da Viúva é propriedade privada?


O Morro da Viúva passou a ser assim denominado em 1753, após se tornar propriedade da viúva de Joaquim Figueiredo Pessoa de Barros. No alto do morro, segundo historiadores, ainda se encontram vestígios de um forte que ali foi levantado em 1863, por ocasião da questão Christie‘, para defesa da Praia do Flamengo e da Enseada de Botafogo.”

Na cidade do Rio de Janeiro, durante muitas décadas (ou séculos), a ocupação do solo municipal constituiu uma grave agressão ao ambiente natural da cidade e às suas preciosidades históricas. De certa forma, assim o é até os dias de hoje: a destruição de áreas, a título de “melhorias urbanas”, é contínua e desta forma será até que não haja mais sítios a serem ocupados. A exemplo, podemos ver na foto abaixo as muralhas de concreto que cercam o Morro da Viúva. Parece que este acidente geográfico tornou-se propriedade exclusiva e privada de alguns condomínios!

Morro da Viúva
Imagem registrada pelo fotógrafo Eduardo Sengés

Contudo, caso tenhamos pelo menos um helicóptero à disposição, com piloto, seremos capazes de ver o Morro, sua vegetação e sua indemolível rocha (gnaisse ou granito). Além, é claro, de residências (anexos de condomínios e comunidade de baixa renda) dos talentosos e afortunados habitantes do interior das muralhas da Viúva, a qual não é propriamente uma bastilha…

Embora não seja possível ver por meio desta foto, a vegetação do morro está sendo retirada para dar lugar a vias internas e ao eventual crescimento da comunidade residente no morro. Por outro lado, a Cedae está tentando reativar o reservatório de água construído em 1878.

“Desativado desde 1970, o equipamento foi tombado parcialmente pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (…) em 1998. Segundo a Cedae, a reativação depende apenas da retirada dos moradores pela prefeitura. O custo do projeto de recuperação é estimado em R$ 3 milhões. Segundo a Cedae, o reservatório terá função estratégica no abastecimento da Zona Sul.” Fonte: O Globo – Rio.

“A presidente da associação dos condomínios do bairro, Maria Thereza Sombra, diz temer a favelização do Morro da Viúva. — Queremos que os invasores sejam retirados para a recuperação da área. Além do reservatório, que a Cedae quer fazer voltar a funcionar, ali pode ser construído um parque ecológico que permita a visitação do público.” Fonte: O Globo – Rio.

A confusão está armada há várias décadas e a justiça resolve nada. Por isso, poderá chegar o dia em que todos os terrenos, condomínios, prédios e favelas do Morro da Viúva serão despropriados, de forma a que ao morro seja devolvida a sua feição primitiva. Afinal, o prédio da antiga Bolsa de Valores do Rio está com risco de ser desapropriado para receber os doutos vereadores do município.