Pelo momento em que se vive


Ricardo Kohn, Gestor.

O mundo está virado de ponta-cabeça. Decisões de mandatários ameaçam o cidadão médio de todas as nações democráticas. Três casos chamam a atenção: a insanidade bélica do líder imprevisível da Coréia do Norte; a máquina de corrupção instalada no Brasil; e a estupidez ofensiva do novo presidente norte-americano.

Sobre o comportamento da Coréia do Norte não há previsões. Seu líder delinquente, além de ter iniciativas próprias, é massa de manobra de países próximos. No entanto, há o que analisar no Brasil e nos Estados Unidos.

Casa Branca, inaugurada a 1º de novembro de 1800

Casa Branca, inaugurada em 1º de novembro de 1800

O norte-americano médio possui um perfil pessoal bem definido: é inocente, acredita no que lhe dizem, dedica-se a fazer o que sabe, é sempre teimoso e produtivo, mas poucas vezes é hábil nas análises que efetua. Entretanto, é ativo na defesa de seus princípios democráticos e libertários.

Acredito que essa imagem espelha bem milhões de americanos. Basta recordar que, em 4 de julho de 1776, durante a Guerra Revolucionária (1775-1781), seus habitantes declararam a independência do jugo britânico e, naquele mesmo instante, tornaram-se uma República Democrática.

O povo americano é pragmático e luta contra qualquer decisão pública que possa submete-lo a cenários de desastre. Ouso dizer que, pela estupidez sequencial de seus recentes atos executivos, Donald Trump não ficará sequer um ano no cargo.

O brasileiro médio também possui seu perfil delineado: é metido a esperto, mente por motivos mesquinhos, crê saber de tudo, é indolente e improdutivo, adora criticar a quem acaba de conhecer. Por isso, está sempre preocupado com a defesa de seus direitos particulares, mas esquece de seus deveres diante da sociedade.

É essa curiosa criatura, filha imberbe da Nova República, que elege os membros dos poderes executivo e legislativo. Creio que há uma estreita ligação com nossa origem colonial e o tempo que o Brasil gastou para tornar-se República Independente: embora “descoberto” em 1500, colonizado durante 389 anos, foi somente em 15 de novembro de 1889 que se tornou uma república: às vezes ditatorial, outras democráticas, mas muitas vezes enredado pelo populismo porco e a corrupção pública organizada.

Palácio do Planalto, inaugurado em 21 de abril de 1960

Palácio do Planalto, inaugurado em 21 de abril de 1960

A única Constituição dos EUA foi ratificada em julho de 1788. Há 229 anos que independência e democracia caminham sólidas e inabaláveis no Estado norte-americano. Por outro lado, a última Carta Magna brasileira foi promulgada em outubro de 1988, dois séculos depois. Nos 36 anos que se seguiram ela não parou de receber “retalhos”, dada a imensidão de seus títulos, artigos e parágrafos, que só promovem controvérsias e conflitos.

O momento em que se vive é muito delicado. Assim como os norte-americanos, precisamos colocar milhões de brasileiros nas ruas, a gritar: ─ Programa Penitenciária para TodosÉ uma ordem!

Choque frontal com o Ambiente


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

A finalidade deste artigo é demonstrar a importância do ambiente estabilizado para todos os seres vivos do planeta, inclusive os humanos; do ambiente  estável versus os impactos que sofre com as atividades que nele são implantadas, as quais tentam ser explicadas como “a adaptação e evolução do homo sapiens face à dinâmica deste espaço”. Bela retórica, porém, falsa como rocha líquida. Inicia-se o artigo com a desmistificação da expressão “meio ambiente”.

1. Introdução

O vocábulo “meio” possui diversos significados, os quais variam em função de seu uso: como adjetivo, substantivo ou advérbio. Por exemplo, como adjetivo pode significar “metade”; como substantivo, “lugar onde se vive” = “ambiente”; como advérbio, “mais ou menos”. A fonte usada é o Dicionário Priberam[1], onde se encontram outros significados para este mesmo vocábulo.

Na expressão “meio ambiente”, o vocábulo meio pode ser entendido como adjetivo, substantivo ou advérbio. Ou seja, faz com que a expressão signifique coisas esdrúxulas: metade do ambiente, ambiente ambiente e mais ou menos ambiente.

Não há dúvida que essas expressões trazem um erro trivial da gramática (o pleonasmo ambiente ambiente) e dois deboches com as ciências do ambiente (metade do ambiente e mais ou menos ambiente). Além de deixar evidente a pouca formação de seu criador e respectivos repetidores, destaca-se.

2. A expressão “meio ambiente”

A origem temporal de “meio ambiente” é bem discutível. Sobretudo, quando se visa a acentuar a relevância de entender o que é o ambiente diante das práticas de trabalho em consultoria, foco principal desse artigo.

No entanto, provém da academia uma pesquisa exaustiva que pretende justificar que o termo a ser usado pode ser meio ambiente[2], quando consideradas as óticas das ciências naturais e ciências humanas. Segundo o texto, da ecologia e da educação ambiental. Essa pesquisa remete-se à Idade Média e considera que o ambiente (meio ambiente) deva ser visto, analisado e trabalhado através da visão antropogênica.

Discorda-se frontalmente dessa afirmação. As ditas ciências humanas não se prestam para entender o que é o ambiente, dado que são mais discursivas, opinativas, simples retórica. Há que se buscar ciências que o detalham “como se fossem o próprio ambiente a esclarecer seu comportamento, as relações que nele se estabelecem, bem como suas funcionalidades”.

Afinal, educação ambiental não constitui ciência, apenas uma técnica ainda rudimentar. Além disso, seu título é um pleonasmo (toda a educação é ambiental), tal como Saneamento Ambiental. Por acaso existe um sistema de tratamento de esgotos que não seja oportuno para a qualidade do ambiente?!

As ciências do ambiente[3] que se destacam são ecologia, meteorologia, hidrologia, geologia, pedologia e a biologia. É através da aplicação delas que se pode trabalhar impune no ambiente.

Porém, enfatiza-se que a explicação das atividades antropogênicas precisa ser efetuada através dos processos da ecologia. Há décadas que notórios ecólogos mundiais demonstram que o ser humano é parte dos ecossistemas, embora neles cause rupturas ambientais que os degradam.

3. Como são conceituados meio ambiente e ambiente

Os conceitos abaixo, bem como suas análises de conteúdo, demonstram que há um severo choque frontal entre a desinformação de legisladores e juristas versus a visão de consultores especializados, cientistas e acadêmicos.

3.1. Conceito brasileiro de meio ambiente

Segundo a Lei no 6.938[4], em vigor até hoje, meio ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

O conteúdo deste texto, tido como oficial, cria severas dúvidas ao leitor medianamente atento. Destacam-se algumas:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto do ambiente?
  • Quais são as entidades do ambiente que promovem “influências e interações”?
  • Como “condições e leis” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas no papel?
  • As ditas “influências” significam o quê, provém de onde, de que fatos?
  • As “interações” seriam similares às relações ambientais ou ecológicas?
  • Ainda assim, seriam somente as “interações” de ordem física, química e biológica?
  • Delas resultariam o quê, currais ou ecossistemas limpos?!

Trata-se do conceito “sopa de pedra”. Nele cabe de tudo. Mas, afora colocar a pedra no meio do prato, nada esclarece. É um mero jogo de palavras que não conseguem se conectar. Por isso mesmo, com significado difuso, ambíguo, genérico, confuso. Em suma, é uma piada oficial sem qualquer significação.

3.2. Conceito profissional de ambiente

Segundo especialistas em gestão do ambiente e ecologia, ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem. Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são analisáveis através do desempenho de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

A visão estável do ambiente

Engenharia inteligente, ambiente estabilizado

Segue a análise de conteúdo deste conceito:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. A ser assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos sistemas ecológicos da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que ocorrem há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem naturezas física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana, embora considerada sábia, é, se tanto, a 6ª parte do ambiente da Terra. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

Em tempo, sugere-se não esquecer: “o ambiente é ilegal“, pois não funciona conforme determinam as leis e os responsáveis por sua produção. De fato, estes não possuem o devido domínio das ciências do ambiente. Além disso, que soe como uma ameaça: a lei da gravidade nunca será abolida por qualquer decreto-lei.

4. Considerações do autor

Atuo há 31 anos em Planejamento e Gestão do Ambiente. Exatamente, desde janeiro/1986. Confesso que, naquela ocasião, chamava de “meio ambiente” o objeto dos planos que elaborava. Contudo, pela carência de literatura em português, pude recorrer a livros e artigos em inglês para estudar o tema. Neles, sempre li apenas “environment[5], pois não existe o vocábulo “meio” a agredir a gramática e os estudantes.

Intitulei este artigo “Choque frontal com o Ambiente” por achar uma covardia, cometida pelos que possuem plateias, repisarem esse erro crasso sobre a ciência do ambiente. Refiro-me, sobretudo, a professores universitários, que mais parecem jornalistas televisivos, a estrelarem em Shows de Espalha Ignorância e enganarem covardemente àqueles que os assistem de forma passiva.

Deixo para reflexão dos leitores uma breve observação acerca do conceito de ambiente: o ser humano precisa ter muito cuidado com as artes de sua engenharia, pois “qualquer porção da biosfera” é apenas o planeta Terra inteiro. Minha única fé é no ambiente estável!

_____

[1] Confira em: https://www.priberam.pt/dlpo/Meio.

[2] Um trabalho intitulado “Um olhar epistemológico sobre o vocábulo ambiente: algumas contribuições para pensarmos a ecologia e a educação ambiental”, realizado por dois profissionais na UNESP, Rio Claro, SP. Chega a considerações finais um tanto insípidas, muito embora constem da tese de doutorado em Educação para a Ciência, de Job Antônio Garcia Ribeiro, hoje professor da UNESP.

[3] Nota: não se usa o termo Ciências Naturais, pois implicaria admitir que existam Ciências Artificiais.

[4] Datada de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a “Política Nacional do Meio Ambiente”.

[5] Em países mais civilizados o vocábulo equivalente a “meio ambiente” é environment (Grã-Bretanha e EUA); environnement (França); umwelt (Alemanha); ambiente (Itália).

Penitenciárias de alta segurança


Os pensadores brasileiros encontram-se atormentados. O lamentável quadro de insegurança prisional no Brasil dá margem a indagações. Dado que as notícias que obtemos da imprensa não são seguras, temos imensas dúvidas sobre a possível segurança nacional.

A tal “guerra de facções” acontece em presídios de diversos estados. Nas cidades de Manaus (AM) e Nísia Floresta (RN), por exemplo, chacinas foram cometidas em presídios, nas barbas do poder público. Se considerarmos que existem cerca de 2.000 unidades carcerárias no país, de que crimes essas ditas “facções” serão capazes de cometer, se não forem contidas pelas Forças Armadas?!

Surge a primeira dúvida: ─ “O termo facção significava o quê”?

Concordamos que no passado era referido às facções em que se dividiam partidos políticos: as facções conservadoras, as extremistas, as populistas e as “em cima do muro”. Para grupos organizados de criminosos, preferimos usar o termo malta. Tanto serve para se referir a traficantes e assassinos, quanto para as maltas políticas que, descaradamente, assaltam o Erário.

Chamou-nos a atenção o fato que existem pelo menos 27 maltas de traficantes, presos em penitenciárias. Por outro lado, há 35 partidos políticos registrados no TSE, com parlamentares soltos no Congresso.

E tem-se outra dúvida: ─ “Quem chefia as maltas de traficantes”?

Iniciamos a pensar que ainda existem os super-traficantes. Mas logo verificamos que ou estão recolhidos em presídios ou foram executados pela polícia e por seus rivais. Ficamos com a nítida sensação que as maltas de traficantes são comandadas pela cúpula de certas maltas políticas! Elas nos parecem intimamente entrelaçadas.

A matança no presídio de Alcaçuz, Nísia Floresta

Considere que basta pegar o telefone ─ a beber uísque na piscina do hotel 5 estrelas ─ e dar ordens ao traficante encarcerado. Obediente, ele cometerá a barbárie solicitada. Dessa forma, desde 1º de janeiro temos assistido, ao vivo, a matança dentro de penitenciárias. Virou seriado de televisão.

Debatemos sobre os ditos “presídios de segurança máxima”. Óbvio que, se existem essas unidades, é por que também há os de segurança mínima! Uma penitenciária construída sobre dunas é piada de segurança. Para fazer túneis de fuga basta dispor de uma colher de plástico!

Adveio desse debate outra dúvida especial: ─ “Fazem projetos de arquitetura para presídios”?

Encontramos diversos presídios de alta segurança que tiveram projetos de arquitetura, a garantir sua eficiência, ou seja, manter os presidiários em “celas individuais com 6 a 7 m2” ou células solitárias controladas pela administração do presídio.

Chamou-nos atenção a penitenciária ADX Florence, construída no Colorado, Estados Unidos. É considerada a prisão mais segura do mundo. Os detentos chamam-na “Inferno na Terra”; mas é questão de ponto de vista…

Imagem aérea da ADX Florence

Vista aérea da penitenciária ADX Florence

A ADX Florence está situada em região montanhosa e sem vegetação. Essa é a estratégia adotada para manter os criminosos de alta periculosidade presos, “sadios” iguais aos do Brasil.

A penitenciária chega a brilhar por sua limpeza e manutenção permanente. Seus corredores chamam atenção pela qualidade de suas instalações e equipamentos de controle.

O corredor da ADX Florence

O corredor da ADX Florence

Até hoje não há notícia da fuga de prisioneiros ou de motins internos na ADX Florence. De fato, cada detento tem sua área individual de sol e lazer, onde pode permanecer até uma hora por dia, sem contato com os demais presidiários.

De certa forma, achamos essa medida simples e relativamente fácil de ser aplicada. Basta ter um bom projeto de arquitetura e uma região montanhosa para instalar a penitenciária, com suas celas, corredores, bem como sistema de varrição por câmeras de vídeo e detectores de movimento.

Presídio Central de Porto Alegre

Presídio Central de Porto Alegre

O Brasil  optou por “novas tecnologias” de segurança. Existem várias modalidades de presídios no país: o “Queijo-suíço”, onde os detentos fogem pelos furos que cavam; o “Mercado-árabe”, com detentos soltos no pátio, a vender panos, maconha e outras iguarias. Porém, são incontáveis os presídios “Peneira”, cercados por grandes paredões modernos, que já vem furados de fábrica.

Se nada mais há para ser tratado, consideramos encerrada esta condenação.

Tagarelice de suposições


Ricardo Kohn, escritor.

Em certos telejornais existe um hábito curioso. Repórteres que cobrem fatos nos locais de ocorrência insistem em usar o verbete “suposto”. Dizem eles, quase emocionados: liderados pelo suposto chefe da facção; degolado pelo suposto assassino (!); a quadrilha de colarinho-branco é comandada pelo suposto Rei do Quadrilhão; cometeram um suposto desvio do erário; está na UTI acometido de suposta febre amarela (!); e assim prossegue a ladainha do telejornal.

Acredito que esse suposto noticiário seja fruto de uma diretriz, entalhada a ferro-e-fogo, pelo suposto editor-chefe, sempre marionete dos que mandam na emissora.

Como seria noticiado um suposto jardim, semeado de supostas flores a desabrochar

Como seria noticiado um suposto jardim, semeado de supostas flores a desabrochar, supostamente.

Consultei o dicionário para confirmar o significado do verbo supor: 1. Alegar ou afirmar hipoteticamente para tirar alguma indução; 2. Admitir como possível, conjecturar, imaginar, presumir; 3. Formar hipóteses sobre.

Concluí que qualquer noticiário feito com base em suposições ou é falso ou só impede que o editor-chefe suje as cuecas. Além de duelar com as imagens mostradas, nada informa ao telespectador que, por sinal, paga caro para assistir supostos comentaristas e repórteres amestrados.

Por óbvio, há exceções. São os jornalistas que não abrem mão de narrar a verdade factual, sem propelir suposições cretinas. Porém, são poucos, a maioria é feita de “lambe-sacos” e “tagarelas supositórias”.

A continuar com essa ladainha televisiva, plena de suposições, as empresas proprietárias das emissoras poderão falir. Ou não! Que tal mudar o nome do jornal para Supositório Jornalístico?…

Terroristas no Brasil


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Permaneci silencioso durante 2016. Rascunhei artigos para o blog, mas depositei-os na lixeira. Eram superficiais diante dos “desgovernos brasileiros” neste século XXI. Venderam ao mundo um país de mentira, criado a peso d’ouro pela propaganda oficial.

Entrementes, por motivos de família, cá de Portugal, acompanho o desempenho do Brasil desde março de ‘64, quando ocorreu a revolução militar. Interessei-me pelo facto de ter os dois filhos mais velhos a residir no Brasil. Pensava que poderiam ser vitimados por guerrilheiros urbanos, que lutavam armados para implantar a ditadura do proletariado. E meus meninos eram comerciantes da livre iniciativa que, em tese, poderiam ser executados, na qualidade de “inimigos da guerrilha marxista-leninista”, que então se ensaiava.

Com o retorno do Brasil ao Estado de Direito Democrático (1988), acreditei que tudo iria melhorar; sou otimista. A economia seria recuperada e a política tinha líderes competentes para conduzi-la. Enganei-me, tal “o quadrado que acredita rolar”… Os guerrilheiros-terroristas continuaram a tentar assumir o poder central, muito embora, desta feita, a usar “focinho de paz e amor”. Por fim, desgraçadamente, conseguiram-no em 2003.

Resultado: tudo o que acontece hoje no país assume dimensões descomunais. Em especial, ladroagem, corrupção, ataques ao erário, analfabetismo, miséria, desemprego, caos político-econômico e total insegurança pública. Estas são as “realizações nobres” de quadrilhas do “colarinho-branco”. Tratam-se de factos imundos, imensamente imundos.

O Brasil de hoje é terra quase arrasada. Mas estou pasmo, pois muitos dos “guerrilheiros marxista-leninistas”, dos ditos “anos de chumbo”, tornaram-se misteriosamente milionários!

A parte isto, recebi telefonema de meu mais velho no dia primeiro de 2017. Evidente que me desejou longa vida e um bom ano de pesca. Porém, falou-me acerca de um massacre em duas unidades prisionais de Manaus, cometido entre presidiários de duas facções criminosas: a tal Família do Norte (FDN) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). ─ “Pai, chacinaram e degolaram 60 membros do PCC nessas prisões”, disse-me ele assustado.

Ouvi estupefacto as notícias de Simãozinho. Interessei-me por conhecer mais detalhes da clamorosa barbárie. Após analisar o farto material que comenta esse genocídio medieval, cheguei a cinco conclusões elementares:

  • A FDN é a protagonista da barbárie, associada à facção do Rio de Janeiro, o chamado Comando Vermelho (CV);
  • O PCC é a maior facção criminosa brasileira; sediada em São Paulo, esse gigante do crime comanda o tráfico transnacional de cocaína e armas pesadas. É mais destruidora que as demais;
  • O objetivo desta “irmandade temporária” é destruir o PCC ou pelo menos vence-lo na região norte, justo por que faz fronteira com países produtores de cocaína em larga escala – Bolívia, Peru e Colômbia. A questão é baratear a rota do tráfico, afora contar com a obscura segurança da floresta amazonense;
  • O genocídio realizado em Manaus envolve tão-somente dois presídios; todavia, existem centenas deles espalhados pelos estados brasileiros, onde o litígio entre essas mesmas facções está prestes a rebentar;
  • Merece atenção a possível participação do executivo, legislativo e judiciário amazonense em esquemas de propina com a empresa que diz administrar presídios instalados no estado.

Diagnóstico sumário da grave ameaça

Em síntese, o Brasil está a ser tomado por facções de guerrilheiros-terroristas, semelhantes às da década de ’60. Não se trata de acionar as polícias civil e militar, pois o país vive um Estado de Guerra aberta contra o tráfico internacional. Sinto dizer, mas está prestes a se tornar uma grande Colômbia, onde o terrorismo das FARC formula práticas brutais para a FDN executar!

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Operações Especiais na selva e na cidade

Para enfrentar cenários de guerra, a pronta-resposta somente cabe às Forças Armadas. Não importa o que acham ou pensam o Ministro da Justiça, a Presidente do STF ou o próprio Presidente da República. O único a comandar esse quadro há de ser o Ministro da Defesa, a quem cabe garantir a segurança nacional com o uso da força, sempre que necessário.

Finalizo surpreso com o facto que o Brasil possui a melhor escola mundial de guerra na selva. Através do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), ao longo de seu meio século de existência, já formou milhares de profissionais da selva. Um dos paradigmas que orienta esses militares é eloquente, a meu ver:

─ “Pense e aja como caçador, não como caça”.

Profecias para 2017


Por Zik-sênior, o ermitão.

Zik Sênior

Zik Sênior

É redundante analisar o que aconteceu em 2016; parece falta do que fazer, é pataquada! Todos sabem que a única ação relevante que ocorreu durante o ano passado foi a de desmascarar a corrupção generalizada que se instalou no Estado Brasileiro, desde as eleições de 2002. Foram 14 anos de bandalha.

O país tornou-se um ninho de quadrilhas; a corrupção foi socializada pelo cafetão do povo. O pensamento dele ainda arde em meus ouvidos: ─ “Todos nós temos direito a comandar uma quadrilha-de-assalto ao tesouro público”.

A ser assim, faço uma pergunta elementar: ─ “O que precisa ser feito em 2017”?

E a resposta é simples: ─ “Colar cacos institucionais que ainda restam e incinerar o lixo público remanescente”. Afora isso, estou preocupado. Nesse cenário, só me resta fazer profecias para 2017, as quais posso ver na lâmpada do futuro:

─ Em julho, por erro de cirurgia plástica, o rosto de uma senadora começará a desbarrancar. Vai brotar-lhe um narigão de bruxa com verrugas, seus olhos ficarão vermelhos e empapuçados, cabelos a cairdentes a apodrecer. Que lástima…

─ Durante 2017, inúmeros prefeitos recém-eleitos sofrerão graves problemas de saúde. Muitos falecerão, mas a maioria terá diarreia crônica diante do que recebeu de seu antecessor.

─ Em abril, “Lola da Silva” será enviado para a Papuda, antes mesmo de se tornar “dodecaréu”. Capacíssimo! Na História do planeta, será o 1º Campeão Mundial em Corrupção… “Uma inesquecível vitória“, segundo dirá o próprio a um repórter.

─ No mês da sorte – agosto –, acontecerão 20 prisões de políticos e autoridades. Condenados por “mera picuinha” de 9 juízes da 1ª instância. Confesso, gostaria que fossem 200 ou 300 prisões…

─ Por falar nisso, ao longo do mês de junho, dois juízes da Alta Corte sofrerão impeachment, por justa-causa: calhordice amestrada.

─ Em setembro, a esbravejar num palanque, “Lindinho” sofrerá tremeliques, a parecer um enfarto; mas logo uma equipe médica do SUS descobrirá que o “rapaz apenas se borrara nas calças”. Cuidado, jovem, esforços exagerados podem matar…

─ Em novembro, a “anta desvairada” será atacada por populares revoltados, após um comício que cometerá no Nordeste. Eles nada entenderão do que ela falará. Isso enraivece qualquer pessoa decente…

─ Neste ano, o Dr. Canalheiros será caçado no país pela Polícia Federal. Depois de fugir muito por todas as regiões, será descoberto no porão imundo de sua casa de campo, escondido a beira-mar. Veja quanta água…

Tsunami política

Resultado da tsunami política

No apagar das luzes, ainda consigo ver mais uma profecia na lâmpada:

─ No último trimestre de 2017, a PF fará um arrastão em Brasília, São Paulo. Minas Gerais e Rio de Janeiro. Vejo 480 policiais conduzindo a “moçada” com algemas e mordaça, senão eles xingam e cospem

Em 2017, salve-se quem puder!

Para que serve a Gestão do Ambiente


Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Introdução

Segundo arqueólogos e pesquisadores, o homo sapiens surgiu no ambiente terrestre há cerca de 190.000 anos. Estimam que seu comportamento moderno date de 50.000 anos atrás. Sempre buscou construir seu habitat preferencial, dispondo dos meios de que se apropriava do ambiente. E ainda se comporta assim, mesmo a saber que o ambiente da Terra é finito.

O homo sapiens evoluiu de (i) pequenos grupos nômades de caçadores-coletores (10.000 anos atrás); (ii) passou pela fixação de grupos maiores, graças à agricultura ainda precária; (iii) até chegar a construir as cidades, com sistemas de transporte, moradias, fábricas, escritórios de trabalho, universidades, instituições científicas, etc.

Embora, no tempo e no espaço, esses três cenários sejam distintos, há um fato comum entre eles: tudo foi construído pelo “homem inteligente” sobre o ambiente terrestre, a despeito das consequências nefastas que resultaram nesse ambiente.

Há outra variável a ser considerada nessa evolução: a produção de ciências para que o homo sapiens pudesse melhorar, em proveito próprio, a apropriação dos bens de propriedade do ambiente, a que chama docemente de recursos naturais. Assim nasceram, a partir da filosofia e da matemática, as ciências que são consideradas básicas: geologia, hidrologia, pedologia, biologia, ecologia, física e química. No entanto, causa perplexidade que a evolução dessas ciências se deu, sobretudo, nos últimos 200 anos!

Infere-se assim que o homo sapiens moderno somente começou a usar sua inteligência nos últimos 4% de seu tempo de existência no ambiente do planeta. Nesse mesmo período aprimorou várias tecnologias derivadas das ciências. Merece destacar as diversas engenharias, em constante aprimoramento, que lhe permitiram construir cidades, bem como incontáveis artefatos de paz e guerra, de vida e morte.

Legado do homo sapiens

Seu mais importante legado foi a produção do conhecimento, não há dúvida. Todavia, esse conhecimento não é acessível para a maioria dos habitantes do planeta. Esse fato é explicado pela Economia, que estabelece valor monetário para todas as coisas que representem serviço ou produto, fruto do trabalho humano.

Porém, o “humano inteligente” criou outras áreas do conhecimento e difundiu-as como se fossem ciências: Antropologia, Arqueologia, Sociologia e “CiênciaPolítica, por exemplo. Deve-se refletir se constituem ciência ou tecnologia. Na ótica deste artigo, tratam-se de para-ciências[1]. Vejamos.

Classificação de Ciência, Tecnologia e Para-ciência

Há uma tendência na formação superior brasileira que precisa ser revista: chamar de ciências várias tecnologias que nelas se apoiaram para serem elaboradas.

Até por que, há os que entendem, da forma correta, a tecnologia como a ciência aplicada. Todavia, devem adotar redação mais apropriada: a tecnologia resulta da aplicação de ciências conhecidas e confirmadas.

A ser assim, uma ciência deve abordar temas acadêmicos, possuir conceitos próprios, bem como teorias que correlacionam conceitos e processos, os quais constituem estruturas que visam a melhorar o conhecimento humano.

Por sua vez, a tecnologia precisa ser destinada à realização de atividades práticas, com base nas ciências conhecidas. Pressupõe, por parte de seus usuários, o conhecimento razoável das ciências utilizadas.

Porém, tem-se a 3ª classe de abordagem ao conhecimento humano, que é a para-ciência. Possui conceitos e processos próprios, usa conceitos de outras áreas, possui uma abordagem teórica básica e metodologias para aplicação prática. Pode-se dizer que é próxima da ciência, mas usa tecnologias pré-existentes.

Esse é o caso de áreas do conhecimento humano, como Engenharia, Arquitetura, Medicina, Economia, Antropologia, Arqueologia, Sociologia, Política[2] e, mais recentemente, Gestão do Ambiente. Todas são “para-ciências”.

Homo sapiens no Ambiente

Há cerca de somente 45 anos, iniciou-se a preocupação crescente com a Natureza. A engenharia e a economia, conforme operavam, possuíam a capacidade de devastá-la. Dado a isso, vários movimentos de “ativismo ambiental” nasceram naquela oportunidade.

Em países do 1º mundo esse ativismo logo se transformou em cursos de nível superior. Leis foram promulgadas para determinar como o homo sapiens deve se relacionar com o ambiente. Porém, um fato chamou a atenção. As leis se baseavam nas ciências básicas e não duelavam com suas teorias, conceitos e processos. No mais das vezes, as leis foram regidas pela Ecologia, que trata da coleção de ecossistemas que conformam o ambiente.

No ocaso brasileiro, o ativismo ambiental foi carnavalizado. Leis foram promulgadas com propostas bizarras. Chocam-se frontalmente com as ciências que deveriam atender e criaram verdadeiras muralhas burocráticas, a duplicar o custo dos trabalhos de controle ambiental que determinam.

De início, empresas privadas e fundações começaram a oferecer cursos intensivos de 5 dias. Mesmo assim, somente ensinavam como aplicar as leis promulgadas em estudos ambientais. O primeiro curso de nível superior foi criado em 1976: Graduação em Ecologia, na (Unesp) Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro.

Hoje diversas universidades oferecem cursos de nível superior em Engenharia Ambiental, Ecologia e Gestão Ambiental, entre outros. Observa-se que o processo da gestão e da engenharia são distintos. Além disso, o conteúdo da Engenharia Ambiental não deve ser semelhante ao da Gestão do Ambiente. Até por que, o ser humano ainda não possui, que se saiba, a “habilidade” de projetar e construir o ambiente primitivo.

Conceito de Gestão

A gestão requer a existência de um objeto a ser gerido. Pode ser uma equipe de pessoas, uma empresa, uma escola, um serviço público, um município ou um estado, por exemplo.

Para efetuar a gestão são realizadas atividades que a antecedem. Eis o processo que culmina com a gestão propriamente dita.

  • Conhecer as entidades do objeto que se relacionam e de que forma se relacionam (diagnosticar);
  • Identificar as ameaças e oportunidades decorrentes dessas relações (análise SWOT[3]);
  • Baseado em variáveis críticas, internas e externas às entidades do objeto, estimar como elas se relacionarão (prognosticar e cenarizar);
  • Identificar e mensurar os efeitos positivos e negativos, presentes e futuros, sobre o desempenho das entidades relacionadas, bem como caracterizar os efeitos sobre as partes afetadas (avaliar);
  • Elaborar um plano de ação para otimizar os efeitos identificados (planejar);
  • Gestão: implantar o plano, monitorar e aferir os resultados alcançados, ajustando-o sempre que necessário (replanejar).

A Gestão do Ambiente

O processo mantém-se o mesmo, acima sumarizado. Seu objeto é o Ambiente. As entidades que se relacionam são “atividades humanas e o ambiente da região em que se localizam”.

A finalidade da Gestão do Ambiente é manter a Sustentabilidade da região afetada, a garantir que as atividades humanas apresentem Desempenho Ambiental adequado, de forma a manter a Estabilidade do Ambiente, como fora em sua origem.

Visando a esclarecer aos leitores, conceitua-se Ambiente da seguinte forma:

“É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem. Essas porções possuem distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são analisáveis pelo comportamento de seus fatores físicos (ar, água e solo), bióticos (flora e fauna) e antropogênicos (homem e suas atividades)”.

Da mesma maneira, Sustentabilidade é um atributo exclusivo do Ambiente, que consiste em sua capacidade – e na de seus ecossistemas componentes – de manter e desenvolver relações ambientais estáveis entre seus fatores constituintes – ar, água, solo, flora, fauna e homem.

Tela do computador de um aficionado em Gestão do Ambiente

Tela do computador de um especialista na Gestão do Ambiente

Conclusões

Em síntese, quando bem aplicada, a Gestão do Ambiente é a ferramenta essencial para o controle de qualidade da Economia e da Engenharia. Sem aplicar suas teorias e práticas, as grandes decisões empresariais e públicas continuarão a se pautar no retorno financeiro de investidores e na factibilidade da engenharia em realiza-las a baixo custo.

Acredita-se que a “para-ciênciaGestão do Ambiente mereça ter espaço acadêmico e prático na Universidade Brasileira. Decerto não afetará os demais cursos e, sobretudo, o de Ecologia, pois foi concebida a partir de seus princípios conceituais.

Bibliografia

Este artigo tem como fundamento as teorias e práticas obtidos na seguinte obra:

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[1] O prefixo grego “para-” significa “proximidade, semelhança, intensidade”. Criou-se o neologismo “para-ciência”, de maneira a classificar um conteúdo teórico e prático que constitua a transição entre ciência e tecnologia.

[2] A pretensão humana, sempre arrogante, denominou a Política de Ciência Política!

[3] De forma simplificada, a análise SWOT identifica os pontos forte e fracos do objeto a ser gerido, bem como as oportunidades e ameaças que incidem sobre o objeto. Trata-se de tecnologia testada.

Alienígenas à solta


Ricardo Kohn, escritor.

E, por fim, foi comprovado: os alienígenas realmente existem e vivem no Brasil, instalados de norte a sul do país. Ao que se sabe, existem milhares deles à solta, a trafegar na escuridão com propósitos inconfessáveis, diria Hitchcock.

Segundo informe de um agente especial da inteligência britânica, Mr. Ian Weaver, a Scotland Yard, com suporte norte-americano – NSA, CIA e FBI –, montou uma força-tarefa dedicada a traçar o perfil nebuloso desses aliens e realizar ações higienizadoras. O pouco que me foi dito é fruto de árdua investigação, altamente confidencial, em curso há quase quinze anos.

Conversei com o agente Weaver no The World’s End, Hight Street, Edimburg. Isso esclarece os relatos que recebi: escoceses não se dão bem com ingleses. Sobretudo, após a 10ª dose de single malt, quando ingleses são vistos como inimigos figadais.

The World’s End – Histórico Pub Escocês

The World’s End – Histórico Pub Escocês

Comíamos saladas e carnes para guarnecer o estômago. Porém, em dado momento Weaver levantou-se e seguiu em direção ao banheiro. Ao retornar ouvi sua voz exaltada:
─ “Fuck The Scotland Yard! I’m not a boy scout!

Fiquei apreensivo, pois Ian Weaver é um ruivo com quase 2 metros de altura e pesa 120 quilos, sem gorduras. Porém, recuperado pela água gelada que jogara no rosto, falou sobriamente acerca das descobertas da força-tarefa: os principais traços do perfil ameaçador dos aliens do presente, que buscam ocupar e derrotar a nação brasileira. Fez uma espécie de taxonomia dos alienígenas à solta, a qual partilho com os leitores.

1. Aparência física: os aliens são feitos de pasta mole, de massa imoral de modelar. Assumem a fisionomia que mais lhes convier no momento, desde um juiz da alta corte, passando por molusco ordinário, até chegar a ladrão de galinhas ou mesmo a uma vagabunda brejeira.

2. Comunicação: em tese, os aliens são capazes de aprender todos os idiomas falados no planeta. No entanto, são precários na sintaxe e, sobretudo, na conexão lógica entre as frases. Assim, na comunicação com terceiros, sempre resultam parágrafos sem sentido, talvez pela possível redução de seus neurônios no ambiente da Terra.

3. Habitat: tudo indica que os aliens são capazes de viver em qualquer tipo de comunidade, em especial aquelas que possuam proximidade com as vítimas que estão selecionadas: pessoas, setor privado, empresas estatais e inúmeras instituições públicas. Weaver disse ser normal que possuam vários habitats no país. Contudo, o preferencial é Brasília.

4. Alimentação: os alimentos dos aliens são variados. Depende da aparência que assumirem no momento. Por exemplo, no mesmo dia, podem almoçar em um restaurante de luxo com políticos e empresários. Mais tarde, jantar na favela, pela “amizade de negócios” que estabeleceram com o chefe do tráfico.

No entanto, pelas experiências de laboratório feitas em aliens capturados, há pelo menos dois traços comuns a todos: (i) quando roubam grandes quantias de dinheiro público, ficam enfastiados e não necessitam de mais alimentos; e (ii) quando canibalizam seres humanos, tanto física, quanto monetariamente.

5. Reprodução: os aliens machos evitam acasalar com as fêmeas da sua espécie. O motivo é simples. Após a cópula, elas normalmente os devoram. Dessa forma, adaptaram-se para acasalar com fêmeas humanas. Segundo Weaver, tudo leva a crer que, durante a cópula, eles transmitem sua psicopatia aos filhotes humanos produzidos. Chamam a isso de “força do amor filial”. Não se sabe ainda a causa dessa transmissão, se é genética ou fruto da manipulação mental.

6. Interesse: em suma, o interesse original dos aliens é tomar o país de assalto. Todavia, como não possuem exército, buscam a conquista por meio da falência do Estado. Tentam quebrar as principais empresas estatais. Desviam dinheiro público, pagam propina aos companheiros e enriquecem a si próprios.

A propósito, o agente Ian Weaver tem uma tese que me pareceu possível:
─ “Eles roubam para implantar aDitadura Alienígena do Proletariadono Brasil”.

7. Vícios: mesmo com todas as cruéis habilidades que praticam nos brasileiros, os aliens não são perfeitos em suas ações imorais. Quero crer que no planeta desconhecido de onde provém, não existem bebidas como cerveja e cachaça. Pois bem, o agente especial disse-me que, a começar pelo “Comandante dos Alienistas” (o molusco ordinário), 90% deles viciou-se nessas bebidas. Muitos, sem carro e motorista, colapsam pelas sarjetas.

Segundo o agente Weaver, o gerente da força-tarefa obteve informes que retratavam uma situação patética: o assassinato sumário de um alien municipal por uma quadrilha de aliens federais, que se considerara roubada. Houve temor que essa prática se tornasse um vício, tal a cachaça. Muito embora haja ocorrido outros assassinatos políticos, em situações bizarras de fogo-amigo, o gerente decidiu não levar as investigações adiante.

O agente especial narrou outros vícios menores dos alienígenas. Mas disse-me que, por serem menos insidiosos – aliens malhando a mulher de outros aliens; aliens cuspidores; aliens pederastas; aliens predadores –, foram arquivados para eventuais investigações.

Despedi-me de Ian Weaver e deixei o pub – The World’s End – rumo ao aeroporto. Durante o voo de retorno ao Rio, integrei todas as anotações que fizera de nossa conversa. Fiquei circunspecto por dois motivos:

Como um investigador escocês sabe tanto acerca do Brasil, no século 21?
Acho de passei a crer nos alienígenas à solta!

Soldado-raso da Matemática


Ricardo Kohn, escritor.

Ao fim da década de ’30, nascer na floresta Amazônica e, ainda assim, sobreviver, era “indicador de elevada espiritualidade”, segundo a crença dos moradores de Arapuruca. Mas foi o que aconteceu com o mais novo morador do vilarejo, batizado nas águas do igarapé que atravessava a comunidade. Em homenagem a seu avô português, foi nomeado Raul Simas Neto.

Dr. Reinaldo Simas, seu saudoso pai, foi um médico que abnegara a própria vida para cumprir o juramento da profissão. Embora residisse em Manaus, deslocava-se com a família e atendia a várias populações ribeirinhas, moradoras no interior do Amazonas. Dava consultas, fazia exames, distribuía remédios e aplicava vacinas para as zoonoses da região. Tudo às custas do “Consultório do Dr. Simas”.

Após 12 anos dedicados à clínica geral, o sisudo Reinaldo conversou com sua mulher. Pensava como seria possível criar condições para a vida futura de Raul. Disse-lhe:

─ “Ione, temos que pensar na vida do Raulzinho. Ele precisa cursar boas escolas e ter uma formação superior adequada. Os tempos futuros dele não nos pertencerão”…

Foi assim que o médico definiu, de forma lógica, quase matemática, a equação capaz de criar um futuro melhor para Raulzinho. E Dona Ione, munida do sentimento da bem-aventurança, iniciou o transporte da família para o Rio de Janeiro.

Instalaram-se no bairro de Ramos e matricularam Raulzinho no Colégio Cardeal Arcoverde. Lá ele cursou ginásio e científico, destacando-se nas disciplinas da matemática e estatística.

Após concluído o ciclo básico, Raul ingressou no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Morou durante 5 anos nos alojamentos do ITA, em São José dos Campos. Formou-se com louvor em engenharia eletrônica, turma de 1962.

Tinha sede de retornar para casa e conseguir trabalho adequado, onde aplicaria os complexos ensinamentos que recebera. Seu sonho era ingressar na Petrobras.

Fez concurso público para Engenheiro de Manutenção da Petrobras. Logrou êxito, mas foi alocado na Refinaria Duque de Caixas como “mero operário de manutenção da REDUC”. Lá permaneceu por dois anos, sem perspectivas de carreira.

Com a bagagem acadêmica que possuía, Raul resolveu dar tempo ao mercado de trabalho. Assim, matriculou-se no curso noturno da Faculdade Nacional de FilosofiaUniversidade do Brasil –, para se aprimorar em modelagem matemática. Do próprio ITA, já recebera bons conhecimentos de Pesquisa Operacional, porém, formou-se em Matemática na F.N.Fi.

equacoes-complexas

Na visão de Raul, abrira-se um novo segmento do mercado: o relativo ao desenvolvimento de algoritmos e modelos matemáticos destinados a otimizar projetos de engenharia. Junto com outros quatro especialistas, fundaram uma empresa dedicada, que ganhou o nome criativo de “Matema”.

Raul e eu conhecemo-nos em 1971, num seminário de Matemática Aplicada. Recebera um convite e decidi comparecer. Embora não fosse conhecedor da matéria – nada entendi dos algoritmos apresentados –, após concluído o seminário, a matemática tornou-se para mim a base da lógica, o fundamento do raciocínio: – “Quod erat demonstrandum[1], por assim dizer.

Nesse evento, meu então professor de Pesquisa Operacional, Frederico, apresentou-me Raul Simas Neto. Entre outras coisas, Fred gostava de citar o nome completo das pessoas, o que mostrava sua prodigiosa memória. Por outro lado, meu instinto notou que ele nutria admiração pessoal e acadêmica por Raul, muito embora, também fosse um cidadão consciente e houvesse obtido mais títulos universitários.

Passou algum tempo para que nos aproximássemos. Afinal, não pertencíamos a mesma geração. Raul é 10 anos mais velho. No entanto, acredito que a causa foi o interesse mútuo pela literatura e a obra de escritores universais. Ambos gostamos de escrever contos e crônicas; no eterno verão da cidade do Rio nunca postergamos uma conversa de bar, com petiscos, regada a chope gelado.

Bem, passaram-se 45 anos e chegamos ao final de 2016. Somos avôs com a cabeça quase branca. Atualmente, posso afirmar, somos da mesma geração, apenas com uma Grande Guerra entre as datas de nossos nascimentos.

Temo-nos falado mais por telefone, pois a economia não está a permitir a prática de exageros. Em nossa última conversa, Raul afirmou que precisava trabalhar, mesmo após aposentado. Seu interesse é aplicar “métodos quantitativos” para resolver problemas que hoje não faltam ao país.

Disse-lhe que ele continuava 10 anos luz à frente de nossa época. Mas respondeu-me com espanto:

─ “Que isso?!, sou um soldado-raso da Matemática”.

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[1] Em português, “como queríamos demonstrar” ou “cqd”.

Pequena luz na escuridão


Ricardo Kohn, escritor.

Lucas nasceu no pós-guerra, filho de família remediada. Porém, com esforço da avó, estudou em bons colégios. Diz o grupo de amigos da época do qual faço parte , que era uma pessoa incomum: “todo dia acordava feliz e em busca de algo novo; amava fazer amizades; falava com todos, sem restrição”. Nunca pensou se corria algum risco com essas atitudes. Lucas não era estrategista.

Desde criança mostrava habilidades nativas. Por exemplo, capacidade de observar o mundo a seu redor, sem fazer críticas; era um curioso contumaz. Possuía criatividade ao formular soluções para percalços diários. Partilhava as soluções que encontrava com todos e ficava feliz com isso. Lucas, o jovem inocente.

a-luz-na-escuridao

Mais tarde, a cursar uma universidade pública, perguntava aos professores “como aplico essa teoria no meu trabalho”? Sua preocupação era a prática que desejava realizar. “A teoria eu aprendo nos livros”, pensava Lucas, o adolescente desafiador.

Quando cursava o 1º ano na faculdade, foi indicado para o cargo de Secretário do Diretório Acadêmico. Lucas era democrata e liberal; a chapa que o convidou tinha perfil autocrático, de esquerda. A curiosidade fez com que aceitasse o convite. Desejava saber o que era Diretório Acadêmico e como funcionava. Pois bem, foi eleito Secretário Geral do Diretório Acadêmico, com mais votos que a chapa de esquerda! Tinha liderança, porém nunca se interessou em saber quem o indicara. Lucas, o universitário iluminado.

Durante o 2º ano, começou a trabalhar numa empresa de projetos. Atuava junto a engenheiros de primeira linha. Com eles assistiu seu maior desejo tornar-se realidade: praticar as teorias. Porém, aos poucos, surgia nele um conflito: “sigo na faculdade ou persigo meu trabalho”? Em dois meses, decidiu. Trocou certos professores pelos mestres da engenharia. Assistia às aulas apenas de professores que, nas suas palavras, “não vomitavam decorebas”. Lucas, o pragmático.

Três anos após, obviamente, não concluiu a graduação; no entanto, tornara-se “bacharel em práticas”. Aprendera a fazer seus trabalhos, apenas com a prática e a leitura técnica. Pode-se dizer que se tornara professor de si mesmo. Lucas, o invejado autodidata.

Semana passada encontrei-me com ele. Almoçamos juntos. Não nos víamos há quase 30 anos. Sua reação foi o doce sorriso franco, o mesmo de sempre. Trocamos um forte abraço. Os poucos fios de cabelo que ainda lhe restam estão brancos. Mesmo assim, Lucas é jovem para a idade.

Nosso reencontro durou mais de nove horas! Fomos os últimos a “sermos expulsos” do restaurante. Pude concluir que ele vincara os mesmos valores que construíra desde a infância: inocente, desafiador, iluminado, pragmático e autodidata.

Sinto grande admiração por Lucas: tornou-se um estrategista: a pequena luz que mostra a escuridão em que se vive! Marcamos nova data para não esquecermos que ainda há futuro…

Já se passaram 54 anos…


Por Ricardo Kohn, escritor.

Morava no Rio, em Santa Teresa, mas cursava o 1º ano científico no Liceu Franco-Brasileiro, no bairro de Laranjeiras. No fim do ano de 1962, por volta da uma da tarde, peguei um bonde lotado na Estação da Carioca, no centro do Rio. Era sábado (tínhamos aulas aos sábados) e fora convidado para assistir a uma audição de piano. Uma das futuras pianistas era minha namorada; não queria me atrasar.

Lembro-me que o motorneiro já avisara estar prestes a sair da estação, a tilintar o sino do bonde. Assim, subi no estribo esquerdo do reboque, fora do caminho de cobradores.

O antigo bonde de Santa Teresa, com carro elétrico e reboque

O antigo bonde de Santa Teresa, com carro elétrico e reboque

De fato, nunca ficava no caminho dos cobradores. Eles perambulavam pelo estribo, a cobrar cada passageiro, com as mãos coalhadas de notas velhas e sebosas, presas entre os dedos para dar trocos.

Embora a maioria dos cobradores fosse boa gente, havia os que tentavam se roçar em jovens do estribo. Por isso, sempre viajava no lado esquerdo, mesmo quando sentava em um banco do reboque.

Logo no início da viagem, para entrar no bairro o motorneiro tinha que trafegar sobre os Arcos da Lapa. O vento na face era gostoso. Sobretudo, para os que viajavam no estribo e não sentiam receio da altura. Naquela máquina de ferros sobre trilhos, sacolejava-se sobre ruas, carros e o telhado de casarões antigos, a quase 20 metros de altura do solo.

Para os mais jovens éramos heróis dos bondes de Santa Teresa; para adultos, apenas idiotas.

O acidente

Finda a travessia do aqueduto da Lapa, estava-se em Santa Teresa, no início da rua Joaquim Murtinho. Os motorneiros giravam o manete de cobre para acelerar o comboio e subir até a Estação do Curvelo.

Naquele dia – 7 de novembro de 1962 – eu estava distraído, pendurado no estribo a brincar com uma criança risonha no colo de sua avó. Foi assim que, na primeira curva da Joaquim Murtinho, meu corpo projetou-se para fora do reboque; fiquei exposto numa via de mão dupla. Um outro bonde que descia a rua bateu em minha cabeça, arrancando-me de tudo. Caí entre os dois pares de trilhos de ferro e a luz se apagou

Três dias depois acordei sem saber em que ambiente me encontrava: deitado numa cama de hospital, com mais de 160 pontos na cabeça. Não quebrei ossos, mas aprendi que nunca fora um herói

Imprensa pasteurizada


Louis Pasteur

Louis Pasteur em seu laboratório

O processo de pasteurização foi criado pelo cientista francês Louis Pasteur, no século XVIII. Sua finalidade era eliminar micro-organismos patogênicos que existem em alguns alimentos. Uma excepcional criação, daquele que foi um dos fundadores da microbiologia!

Porém, no século XXI, a pasteurização é usada “proteger políticos patogênicos“. Trata-se do método adotado por uma imprensa inescrupulosa, que busca adaptar certos políticos ─ ladrões populistas ─ ao que, na sua própria opinião, é o “gosto popular”.

Com essa visão deformada, sobretudo, as empresas de comunicação televisiva, correm o risco de perder todos os anúncios e publicidades que as mantém financeiramente.

Diante desse quadro, é provável que Pasteur as aconselhasse:
─ “Sugiro que jornalistas noticiem a realidade de forma  crítica e honesta; ou suas empresas irão à falência, idiotas.”

Enfim, o Mar de Ross tornou-se Reserva


O Mar de Ross localiza-se ao sul da Nova Zelândia e recebeu esse nome em homenagem ao explorador britânico, James Clark Ross que, em 1841, liderou uma expedição à Antártida.

Em Ross, vivem 38% dos Pinguins-de-Adélia existentes no mundo, 30% da fauna de Petréis-Mergulhadores e cerca de 6% da população mundial de Baleias Minke[1].

Baleia Minke no Mar de Ross

Baleia Minke no Mar de Ross

Trata-se de decisão há muito desejada. O Mar de Ross, situado na Antártida, foi declarado nessa sexta-feira (28/10) a maior reserva marinha protegida do mundo.

A Reserva Marinha do Mar de Ross

A Reserva Marinha do Mar de Ross

Na prática, ocupa uma área de 1,57 milhões de km2 (equivalente à soma dos territórios da Espanha e da França). Contudo, representa apenas 2% do Oceano Antártico, mas ficará protegida da pesca industrial, durante 35 anos.

Após muitos anos de negociações e recuos, a decisão foi anunciada pelo ministro de Negócios Estrangeiros da Nova Zelândia, Sr. Murray McCully, ao fim de um encontro multilateral realizado em Hobart, na Austrália.

O acordo surge agora, após duas semanas de negociações entre os delegados de 24 países e da União Europeia, durante o encontro anual da Comissão para Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártida.

A Rússia sempre se opôs a essa classificação – de área marinha protegida –, mas desta vez votou a favor. Esperam todos os que subscreveram o acordo que o Sr. Putin não o transgrida, como habitua-se a fazer em tudo o que assina, o déspota comunista.

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[1] A Baleia Minke é também chamada Baleia-Anã, dado o seu tamanho reduzido: de 8 a 10 metros de comprimento.

Teoria Geral das Quadrilhas


Por Zik Sênior, o ermitão

Zik Sênior

Zik Sênior

Confesso que por décadas senti um pouco de inveja de Karl Ludwig von Bertalanffy, o biólogo austríaco que concebeu a Teoria Geral dos Sistemas (TGS), publicada em todo o mundo a partir da década de 1950. Depois que a estudei a fundo, admirado por sua simplicidade, tornou-se meu livro de cabeceira durante mais de 5 anos.

Acontece que Bertalanffy não comungava com a visão racionalista, “meio quadrada”, de René Descartes. Também não era dialético, como Georg Hegel. Sua formação era biótica, orgânica, evolutiva. Acreditava em teorias capazes de explicar todos os entes vivos e não-vivos do planeta, bem como as relações que mantêm entre si, sempre a promover a evolução dos conjuntos que formam (sistemas).

Contudo, seu objetivo principal era elucubrar uma teoria capaz de analisar e demonstrar como funcionavam as organizações criadas pelo homo sapiens. Li que Bertalanffy despendeu mais de 25 anos nesta árdua labuta.

Hoje, a tomar por base a teoria criada por Bertalanffy, assim como inúmeros cientistas, acredito que posso ensaiar a Introdução à Teoria Geral das Quadrilhas (TGQ). Afinal, cursei Ciência Política em Coimbra (turma de 1932) e consigo analisar os atos inescrupulosos cometidos por quadrilhas, que calcinaram a ética, a moral e a economia do Brasil.

─ Conceito básico

De início, é essencial dizer o que entendo por “quadrilha”, segundo a ótica da TGS:

Quadrilha é toda corja de ladrões organizados que interage para alcançar fins comuns, a construir o rolo compressor da corrupção. Ela obtém melhores resultados do que se todos os corruptos envolvidos roubassem individualmente. Assim, todo conjunto de ladrões, a agir de forma imoral, devassa e integrada, constitui uma Quadrilha. Toda sua corja tem uma única finalidade: desviar dinheiro público para negócios pessoais e, de forma abominável, quebrar bancos e empresas estatais, fundos de pensão, autarquias ministeriais e tudo mais de valor que encontrarem pela frente”.

Óbvio que se trata de um conceito pragmático. Até por que, em meus 108 anos de idade, nunca assisti a algo semelhante no Brasil ou mesmo no mundo! Nos últimos 13 anos, o Estado tornou-se presa submissa da matilha predatória de hienas esfaimadas e selvagens.

Ao aplicar a teoria de Bertalanffy, verifica-se que uma “boa quadrilha (!?)” precisa ser um sistema fechado. Caso contrário, seria defenestrada por ações da Polícia e penas de prisão aplicadas pela Justiça. No entanto, os sistemas fechados descem ladeiras sem freios, rumo à autodestruição, graças à sua entropia. São incapazes de trocar de energia e matéria entre seus elementos e de absorver novas fontes de informação.

Em outras palavras, para a quadrilha não existe a hipótese da troca de informação e dinheiro com canalhas que não pertençam às suas corjas. Assim, a quadrilha destrói-se com a perda gradativa de seu “melhores sequazes”. Seu poder de ladroagem decai continuamente, até tornar-se incapaz de atender à fúria alimentar das Hienas Selvagens

A fundação do Partido das Quadrilhas

Hienas Selvagens são aquelas que, durante os últimos 13 anos, deixaram-nos estarrecidos por um fato: devoraram a poupança do povo brasileiro, de forma sumária e descarada.

Entretanto, foram apenas três hienas que, após aplaudidas por poucos “idiotas da sociedade”, se reuniram para criar uma pequena “súcia”. A trinca visava a transforma-la numa quadrilha especial, poderosa para permanecer imune às práticas da extorsão sistemática do erário.

Em suma, esse foi o processo adotado na formação das súcias, hoje investigadas pela Polícia Federal, pelo FBI, pela Interpol e instituições internacionais que, para sobrevivência dos povos que protegem, sabem enclausurar as corjas organizadas de salteadores públicos.

Porém, importa salientar que o mesmo processo inescrupuloso das súcias foi aplicado na formação do Partido das Quadrilhas Políticas, mais tarde conhecido pela curiosa sigla PQP.

E nasceu a hiena líder

Na década de 1960, as súcias limitavam-se a promover greves e fazer badernas nas portas de fábricas. As hienas esfaimadas ainda eram bandos desorganizados, dispersos e reduzidos. Todavia, havia uma matilha profissional de hienas selvagens que vigiava os acontecimentos e decidiu aderir às badernas. Até por que, durante essa década, tentaria implantar no Brasil a ditadura do proletariado. Não entro em detalhes sobre este fato, mas, naquela ocasião, foi devidamente escorraçada pela nação brasileira. Afinal, as hienas selvagens formavam uma matilha de hienas terroristas, disposta a tudo!

Uma família de Hienas Terroristas ─ ano de 1968

Naquele processo entre greves e badernas, foi da escória de hienas esfaimadas que se deu a escolha doentia da hiena líder. Em minha opinião, tinha uma aparência degradante: era uma figura nanica, com cabelos hirsutos e sujos, orelhas de abano (felpudas), a pança cheia de vermes, sobre um par de pernas secas…

Não acredito que essa liderança haja sido motivada por alguma “habilidade especial” da hiena pançuda. Até por que, era preguiçoso, analfabeto, alcoólatra, imoral, mentiroso, populista, manipulador de idiotas, traidor, dedo-duro, vigarista e cafajeste. Um fenômeno da desgraça!

Ademais ─ diziam os mais interessados de sua corja ─, portava um hálito tenebroso e quase não tomava banho. Assim, num raio de 20 metros, a súcia era obrigada a inalar e agradecer seu fétido olor.

PQP assume o poder: o desastre!

A hiena pançuda – fundadora do Partido das Quadrilhas Políticas (PQP) – iniciou em 1980 a perseguição obstinada por um cargo que lhe desse “máximo poder público”. Em seus “sonhos delirantes”, via-se, de forma compulsiva, a desviar fabulosas somas de dinheiro público para “empresas fajutas de hienas selvagens”. E, claro, a embolsar significativa parcela dos vultosos roubos realizados.

─ “Porra, ninguém é de ferro…”, justificava-se, a andar sonâmbulo pelas madrugadas, no barraco em que se escondia.

Por isso, durante mais de 20 anos, a hiena pançuda azucrinou a vida política e econômica do país. Mas, mesmo assim, não conseguiu o tal cargo de “máximo poder público”. Todavia, de forma miraculosa, metamorfoseou-se: “de pobre proletário em ricaço boçal”.

Pouco após a virada para o século 21, o boçal começou a “botar as manguinhas de fora”. O PQP, que fora fundado e presidido por ele, enfim elegeu-o para a presidência da nação; deu-se início ao desastre político-econômico do país. Em minha visão, o camarada boçal confundiu tudo. Ao invés de ser um Chefe de Estado, tornou-se o “Rei do Quadrilhão”! E é evidente a explicação disso, sobretudo, à luz da teoria de Bertalanffy. Vejam.

Relembrem algumas “habilidades do boçal”, já citadas: mentiroso, populista, manipulador de idiotas, imoral, vigarista e cafajeste. Como alguém dotado dessas “virtudes” comandaria um Estado Nacional, sem destruí-lo?

Assim que, em seu primeiro ato no poder nomeou várias hienas selvagens para dezenas de ministérios amestrados; todas indicadas por seu “indefectível braço esquerdo[1]”, treinado em Cuba e na União Soviética. Vale lembrar que o “braço esquerdo” foi uma proeza de ladravaz e tornou-se o “Príncipe das Súcias do Quadrilhão”.

Bertalanffy diria que a invasão do Estado por uma gigantesca organização criminosa foi uma decisão de desesperados. Com as inúmeras súcias roubando em todas as áreas públicas, a socialização das quadrilhas não poderia dar certo em um sistema fechado.

Explico com a seguinte analogia: dispõe-se de um saco, com capacidade para receber um quilo de vermes, dedicados à tarefa de se alimentarem de um corpo morto; ao multiplicar a quantidade de vermes ou eles se tornarão antropofágicos, comendo a si próprios, ou o saco arrebentará. Nos dois cenários, a Festança do Quadrilhão de Vermes é desmascarada.

Perspectivas

Com o tempo que já vivi (108 anos) minhas perspectivas são sempre para amanhã. Não posso me dar ao luxo de formular cenários político-econômicos de médio e longo prazos. De toda sorte, guardo a certeza que, de uma forma ou de outra, com o preço que custar, a nação unida haverá de desratizar a política brasileira.

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[1] Aliás, o indefectível hoje se encontra “guardado num presídio”, condenado por promover a ação de “súcias deletérias”, em processos contínuos de corrupção planejada, durante quase uma década.

Gestão informatizada do Ambiente


Nos primórdios, há cerca de 3,2 bilhões de anos, decerto após sucessivas mutações ainda hoje indecifráveis, começou a surgir na Terra sua fauna nativa diversificada. Nasceu imersa em um espaço desconhecido: o ambiente planetário.

Depois disso, somente na década de 1860, um espécime moderno dessa fauna – o alemão Ernst Haeckel –, resolveu entender, de fato, como esse espaço funcionava. Criou uma forma de analisa-lo e chamou-a Ecologia (do grego, “oikos + logos” ou “estudo do lugar onde se vive”).

Desde então, a ecologia não parou de evoluir. Dezenas de milhares de pesquisas científicas foram realizadas mundo afora e o homo sapiens começou a perceber que é essencial garantir a estabilidade do ambiente em que vive.

Professor Eugene Odum

Professor Eugene Odum

Com vistas a garanti-la, ao longo do século 20, nações desenvolvidas redigiram sua legislação ambiental. Porém, sempre com base no estado-da-arte da ciência. Afinal, ecologia é a lógica dos ecossistemas que conformam o ambiente planetário. Assim, leis ambientais de qualidade precisam ser seus reflexos no espelho, nunca o inverso.

Agora, ao início do século 21, que prioriza a produção e o domínio da informação, há uma questão pendente no imaginário da sociedade: ─ Algum dia o homo sapiens será capaz de informatizar o ambiente?

Sabe-se ser possível modelar a dinâmica do ambiente e até informatizar esse processo. No entanto, ainda não há como desenvolver um sistema computacional que contenha o teor desta dinâmica, pois ela é fruto da necessidade e do acaso e o homo sapiens não é “seu divino criador”.

De toda forma, reuniu-se um pequeno grupo de trabalho, com especialistas em Gestão do Ambiente e Ciência da Computação, para pensar a “questão pendente”. Logo ela foi invertida, posta de cabeça para baixo, e tornou-se uma tarefa factível: desenvolver um sistema de computador para agilizar a elaboração de estudos, projetos, pesquisas e serviços ambientais. Ganhou o apelido de sistema IDEA.

Sua arquitetura está a ser concebida para integrar diversos aplicativos, que permitam realizar os seguintes processos ambientais:

  • Identificação da transformação ambiental de um território, como função de um ou mais empreendimentos e suas intervenções da engenharia;
  • Caracterização ambiental de projeto de engenharia, obra ou empresa (atividade transformadora ou empreendimento) vis-à-vis o território em que será implantado ou que já se encontra em operação;
  • Programação, realização e gestão de atividades de campo no território em análise;
  • Elaboração de matrizes de impactos ambientais, de matrizes de itens de passivo ambiental ou das matrizes de riscos ambientais e de segurança;
  • Elaboração de diagnósticos temáticos e do diagnóstico ambiental consolidado do território em estudo;
  • Formulação dos prognósticos ambientais para o mesmo território;
  • Modelagem de seus cenários ambientais futuros;
  • Avaliação de impactos ambientais, ocorrentes e previstos nesse território. Trata-se de modelo especializado onde os impactos são numericamente estimados e pertencem ao conjunto de Números Reais (Rn);
  • Elaboração de planos ambientais para otimizar os efeitos de impactos significativos ou corrigir os itens de passivo ambiental identificados;
  • Elaboração de programas ambientais para controle, manejo e monitoração dos segmentos ambientais em um território;
  • Elaboração de projetos ambientais e ações imediatas para controle, manejo e monitoração dos fatores ambientais em um território.

Dessa forma, será capaz de informatizar processos ambientais demandados pela legislação ambiental vigente, tais como: Estudos de Impacto Ambiental (EIA); Realização/gestão de Audiências Públicas; Levantamento/gestão de Passivos Ambientais (LGPA); Elaboração, implantação/gestão de Plano Corporativo Ambiental (PCA); Auditoria de PCA (APCA); Plano de Ações Imediatas (PAI) para correção das não-conformidades identificadas pela auditoria; Elaboração, implantação/gestão de Plano Executivo para Gestão Ambiental de obras (PEXA).

Porém, acima de tudo, o IDEA será capaz de monitorar os perigos e riscos de empresas em operação, visando a impedir a ocorrência de desastres humanos sobre o ambiente, tais como o da Samarco, em Bento Rodrigues, Mariana, ou o desastre anunciado da Petrobras, em Vila Socó, Cubatão, ocorrido em 1984.

Mar de lama em 21nov2015

Dentro em breve, o grupo de trabalho lançará uma campanha de crowdfunding para captar os recursos necessários à realização do Projeto IDEA. Conta-se desde já com sua contribuição.

Boas festas a todos. Que 2016 seja o ano da Cultura Técnica!

Parar, congelar e retomar


Por Equipe deSobre o Ambiente.

Deve-se explicação aos leitores. “Sobre o Ambiente” permaneceu 15 dias parados (de 5/09 a 20/9), resultado da clonagem do cartão de crédito com que foi paga a anuidade do blog. Por óbvio, a empresa proprietária do cartão cancelou várias compras efetuadas pelos estelionatários, dentre elas o pagamento da anuidade do blog.

Viver em um país onde estelionato é tido como crime de pequena monta, “normal em qualquer sociedade”, como dizem, gera sentimentos de frustração, inapetência e ódio. Afinal, “Sobre o Ambiente” foi criado na noite de 28 de abril de 2013 e, desde então, somente viu crescer o interesse de visitantes. Hoje possui 1884 seguidores, com mais de 268 mil acessos.

Assim, há oito dias, fez-se uma reunião de pauta, com vistas a redefinir o Norte do blog. A questão posta sobre a mesa era a seguinte: ─ Deleta-se oSobre o Ambiente” ou retoma-se seu curso.

Na verdade, todos sentiam-se congelados com os efeitos nefastos de estelionatários: queda expressiva na visitação e perda de interesse na postagem de novos artigos[1]. Porém, Simão Macko, o pescador, reavivou a todos com ponderações factuais:

─ “Voto pela continuidade do blog e explico por quê. Sou português, pai de quatro filhos que vivem no Brasil, há muito. Deles tenho netos, bisnetos e um tataraneto, todos brasileiros. Posso afirmar que o país de vocês está parado diante do estelionato praticado, durante 13 anos, por ladrões da pátria. Eles não sabem e muito menos querem governar, apenas precisam roubar para si. O portento da criatura parida por ‘luizinácio’, o larápio, decerto está com os dias contados na presidência. De facto, a opção não é deletar o povo! Ao contrário, por menor que seja nossa contribuição, devemos ajuda-lo a higienizar a república. Portanto, a ser assim, inverto a opção: o quanto antes, é o povo brasileiro que precisa deletar esta canalha”!

Vestimenta nacionalDiante das evidências destacadas por Simão, notórias mundialmente, decidiu-se retomar “Sobre o Ambiente”. Sabe-se que demandará algum tempo para que se volte aos níveis de visitação alcançados ao longo de 2 anos e 9 meses. Porém, contamos com o apoio dos seguidores mais dedicados a estancar a hemorragia moral do governo brasileiro.

Assim, se não for pedir muito, sugere-se que doravante compartilhem nossas postagens nas redes sociais que participam.

……….

[1] Havia outra variável que prejudicava um pouco a decisão. Ricardo Kohn, na qualidade de coordenador do “Sobre o Ambiente”, está envolvido em palestras acadêmicas sobre seu novo livro. Seu tempo disponível para o blog tornou-se menor. Enfim, ou articula lançamentos em universidades ou dedica-se a redigir artigos.

Commodities ameaçam o ambiente


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Desgovernos de “países subdesenvolvidos”, na pretensão de faze-los desatolar do pântano, colocar o focinho ao vento, dedicam financiamento público para o setor de produção primária. É assim que esses “atrozes senhores” implantam a “indústria de commodities”.

Dessa forma, a frágil produção agrícola e pecuária passa a sustentar a economia nacional, como no caso brasileiro. Entrementes, o preço das commodities é sempre definido por compradores mundiais. E é facto, não discutem a origem dos grãos, basta que encontrem matéria-prima de qualidade para alimentar seu setor industrial, provenha donde for.

Muito embora milhões de pessoas vivam em estado de miséria absoluta, é claro que a sobrevivência deles impõe o consumo dalgum “tipo de alimento”. No mais das vezes, retirado de “lixeiras socialistas”.

Imagem viva do “supermercado”

Imagem viva do “supermercado”

Ocorre que a produção primária demanda gigantescas áreas de culturas agrícolas, pastagens de bovinos, soberbos currais de porcos e granjas industriais para criação e matança indolor de aves.

Porém, o uso de “defensivos agrícolas tóxicos” esgota a qualidade do solo. Bovinos, porcos e aves “tomam bola” [hormônios] para crescimento rápido, a seguirem rechonchudos rumo ao abatedouro. É uma festança anual de dólares!

Mas há o outro lado desta façanha. As regiões em que se encontram os grandes produtores agropecuários eram recobertas pelo bioma Cerrado, sobretudo, no planalto central brasileiro. Foram desmatadas e ainda sofrem queimadas para dar lugar às noviças commodities. Desde 1970, o Cerrado vem sendo devastado de forma inexorável. Junto com ele, suas espécies 100% endêmicas e a fauna abundante que nele havia.

É impossível que não haja solução inteligente para o agronegócio brasileiro. A de hoje é a mais barata e rentável, sem dúvida, mas tem horizonte limitado no tempo. O ambiente em que ocorre decerto será desertificado.

A propósito, lembro-me que a boca de um político analfabeto [pleonasmo] vomitou a seguinte frase: “fiz do Brasil o celeiro do mundo”. Porém, e o que é mais grave, até hoje o idiota regozija-se desta patranha. A ser desta forma, que o recolham, a seus companheiros e descendentes. Trancafiem-nos a todos numa granja de segurança máxima!

Verão na Groenlândia


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Com a área de seu terreno no entorno de 1.166.000 km2, a maior ilha do planeta, Groenlândia, abriga o povo Inuit, há cerca de 4500 anos. Acredita-se que na pré-história da Groenlândia (a partir de 2500 a.C.) ocorreram repetidas migrações deste povo, do norte do continente americano para a ilha. Por habitarem o polo Ártico, já estavam adaptados às condições das regiões mais frias.

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

Mapa da Groenlândia ou Gronelândia

No entanto, dados indicam que, durante o ano 1000, o clima na região sudeste da ilha era relativamente ameno, tal como o de hoje: temperatura no inverno (chuvoso, fevereiro-março) variando entre -5 e -11 oC; e no verão (seco, julho-agosto), entre 11 e 4 oC. Tanto é assim que, naquela época, eram normais no sul da ilha o nascimento de árvores e espécies herbáceas. Desse fato provem seu nome em inglês, Greenland, ou Grönland, em dinamarquês.

Nuuk, a capital da Groenlândia

Nuuk, a capital da Groenlândia

Colonização norueguesa

Por volta do ano 895, a ilha foi invadida por barcos vikings, capitaneados por Erik, o Vermelho. Diz a lenda que se tratava de um criminoso norueguês, deportado para a Islândia por haver cometido um crime de homicídio em seu país. Presume-se que, desde há 1125 anos, a lei norueguesa já fora feita para todos, a ser cumprida fielmente.

Erik Vermelho, decidira colonizar a ilha. Colérico, invadiu e desmatou várias áreas para fazer dois assentamentos: o maior, no lado leste (Eystribyggd), onde se localizava Brattalid, a residência oficial de Vermelho“, protegida por 5000 vikings; o outro, na orla oeste (Vestribyggd), abrigava mais 1000 vikings de reforço.

Colonização dinamarquesa

Ainda sob os efeitos do fim da Idade Média, em 1536, Dinamarca e Noruega oficializaram sua integração nacional. A Groenlândia tornou-se colônia dinamarquesa e a Noruega, um anexo. Somente quase de três séculos após (1814), cada uma seguiu rumo como nação independente, mas a ilha permaneceu sob controle dinamarquês.

Durante o século 19, a Groenlândia foi região de interesse para os exploradores e cientistas. De toda sorte, afirmou-se a colonização dinamarquesa e as missões enviadas foram bem-sucedidas. No entanto, a justiça dinamarquesa só se aplicava aos colonos, sobretudo, aos Inuit.

Houve uma imigração de famílias Inuit canadenses, que se estabeleceram ao norte da ilha. Os últimos grupos lá chegaram em 1864. Nesse período, o comércio e as condições econômicas da ilha decaíram, a provocar sensível despovoamento na sua costa leste.

Porém, em 1863, realizaram-se as primeiras eleições democráticas da Groenlândia, a visar a eleger representantes distritais[1]. Mais tarde, já na primeira metade do século 20, foram criados dois conselhos de governança, um para gerir o norte da ilha e outro para o sul. Contudo, decisões importantes, que afetavam as condições de vida dos groenlandeses, eram tomadas em Copenhague. Permanecia “algo de podre no Reino da Dinamarca”.

A geopolítica da Groenlândia

Pelo menos em duas ocasiões de crise mundial a Groenlândia foi vista pelo mundo externo como uma região estratégica:

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Hitler orientou suas operações de guerra na direção da Groenlândia, foi firmado um tratado com os Estados Unidos para a instalação de bases na ilha, em abril de 1941. A Dinamarca não conseguia governar a ilha na 2ª guerra. Assim, a Groenlândia passou a ter status mais independente. Seus suprimentos foram garantidos pelo Canadá e os Estados Unidos.
  • Durante a Guerra Fria, a Groenlândia teve importância estratégica, por permitir o controle de parte dos acessos entre os portos árticos soviéticos e o Oceano Atlântico, bem como por ser área sensível para observação do eventual uso de mísseis balísticos intercontinentais, que deveriam sobrevoar o Ártico.

Groenlândia, nação do Reino da Dinamarca

O status colonial da Groenlândia foi revisto em 1953, quando se converteu em parte integrante do reino dinamarquês, com representação no parlamento dinamarquês. A Dinamarca iniciou também um programa para prover serviços médicos e de educação para os groenlandeses.

De sua parte, o governo local groenlandês se apresenta como uma nação Inuit. Os nomes de lugares em dinamarquês foram substituídos por nomes locais. Godthåb, que foi o centro da ocupação colonial dinamarquesa, agora é a cidade de Nuuk, capital de um governo quase soberano. Em 1985 foi criada a bandeira da Groenlândia. No entanto, o movimento que busca sua soberania ampla ainda não teve espaço político. Mas tem tudo para acontecer.

As relações internacionais, antes comandadas pela Dinamarca, são em sua maior parte geridas localmente. Depois de separar-se da União Europeia, a Groenlândia firmou tratados especiais com a UE, uniu-se em diversos assuntos com a Islândia, as Ilhas Faroe, assim como com a população Inuit do Canadá e da Rússia.

Também é membro-fundador da Organização Ambiental do Conselho do Ártico. Está pendente a renegociação do tratado de 1951 entre Dinamarca e Estados Unidos, desta vez com participação do governo local da Groenlândia. Por fim, é esperado que a base aérea de Thule converta-se em estação de rastreamento de satélites, para uso das Nações Unidas.

Por falar em satélites, o Aqua, satélite da NASA que monitora o ciclo da água, a precipitação das chuvas, sua evaporação, a umidade do ar, temperatura da Terra e dos oceanos, bem como o fluxo de energia radioativa, registrou imagens de resolução moderada da Groenlândia, em julho de 2015.

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

Registro da NASA, Jeff Schmaltz, MODIS Land Rapid Response Team

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[1] Um rápido destaque: há um século e meio já existem eleições distritais na Groenlândia.

Soluções Ambientais


Por Equipe deSobre o Ambiente”.

Criou-se essa página para oferecer aos leitores soluções ambientais inteligentes, já realizadas por organizações de projetos feitos para atender ao ambiente. Ou seja, soluções de projeto que visam a finalidades produtivas e comerciais, mas, antes de tudo, à qualidade do ar, da água, do solo, bem como, à qualidade de vida da flora, da fauna e do homem.

Tenciona-se apresentar estudos e projetos inovadores já realizados, dos quais resultaram relações ambientais estáveis, mantidas entre um investidor e o ambiente que transformou. Na qualidade de principais agentes da transformação dos espaços físico e biótico da natureza, investidores responsáveis devem saber como construir em áreas adequadas. Por outro lado, precisam ser capazes de garantir a qualidade do ambiente onde implantam seus negócios.

Área alagada a ser trabalhada, mas somente por meio de um projeto inovador

Área alagada a ser trabalhada, mas somente por meio de um projeto inovador

Dentre os negócios mais comuns destacam-se turismo, hotelaria, indústria, construção civil, geração de energia, agropecuária, condomínios habitacionais, shopping centers e outros mais, todos a causar impactos sobre o ambiente.

Em suma, todas as atividades transformadoras promovidas pelo desenvolvimento precisam possuir desempenho ambiental adequado. Trata-se de um desempenho produtivo de tal ordem, que o ambiente para o qual são projetadas seja capaz de manter a sustentabilidade que lhe é inerente, a permitir a evolução espontânea e dinâmica de seus ecossistemas.

Visão de um resort projetado para uma área de ambiente nativo

Visão de um resort projetado para uma área de ambiente nativo

Equipes inovadoras

As organizações que projetam e implantam soluções ambientais – empresas de consultoria, fundações, institutos e associações –, precisam possuir gestores de alta qualidade, que hajam obtido notórios resultados em projetos inteligentes, desenvolvidos e executados.

Todavia, não basta tê-los em seus quadros técnicos. Eles precisam, sobretudo, de coordenar equipes inovadoras, nos trabalhos de escritório e campo. Apenas assim obtém resultados criativos, quase sempre requerendo investimentos menores. Além disso, mais efetivos no alcance das metas dos clientes[1].

Equipes técnicas inovadoras e criativas são cada vez mais complexas de serem montadas. Requerem dos empresários uma boa visão – de médio a longo prazo – de seus negócios e a aplicação de dois critérios na seleção de novos consultores: a personalidade e a competência profissional dos candidatos a futuro consultor.

Para identificar a personalidade profissional há um site que dispõe de ferramenta para essa finalidade. Muitas empresas de vanguarda o utilizam. É gratuito e não requer que se faça cadastro. Sugere-se realizar um teste clicando em 16Personalities. Gasta-se menos de 12 minutos e os resultados são atraentes. Quem o fizer, será surpreendido.

Quanto à competência técnica, precisa ser analisada em relação à da equipe já existente. Isto ocorre por que projetos de cunho ambiental demandam equipes de profissionais com distintas formações e óticas diferenciadas do que é o Ambiente.

Entretanto, com base nos dados e informações que dispõem, todas as equipes precisam se comunicar através da mesma linguagem conceitual: a da Teoria do Ambiente. Equipes de ecólogos, geólogos, arquitetos, de várias engenharias, climatólogos, botânicos, agrônomos, biólogos, hidrólogos, economistas e arqueólogos, dentre outras especialidades, além de seus conhecimentos específicos, precisam usar a teoria que é própria do ambiente.

A depender do ambiente que estão a tratar[2], essas equipes podem ser numerosas, o que amplia a dificuldade da comunicação multidisciplinar. A ser assim, a qualidade da solução ambiental identificada pode ser prejudicada em seu desenvolvimento, perder em inteligência e criatividade.Imagem de divulgação

Para integrar a competência multidisciplinar de equipes técnicas, sugere-se a aquisição de uma obra recém-publicada. Clique em LTC Editora e leia acerca do conteúdo deste livro de Engenharia Ambiental: “Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão”. Contém abordagens que permitem a qualquer profissional falar a linguagem da Teoria do Ambiente, necessária para criar, desenvolver e implantar soluções ambientais inteligentes.

Casos de soluções realizadas

Está-se pesquisando casos que mereçam ser divulgados neste espaço. As publicações envolvem a organização que projetou a solução, a razão social do cliente, o problema a resolver e a solução encontrada.

Aguardam-se contribuições enviadas para o e-mail ricardo.kohn@gmail.com.

……….

[1] Esta introdução de “Soluções Ambientais” pode parecer humanamente utópica. Mas, de fato, não é por dois aspectos: (i) o ambiente a realiza de forma espontânea e aleatória; (ii) perseguir esta utopia não é perda de tempo, ao contrário. Trata-se da melhor provocação para a evolução humana.

[2] Uma solução ambiental criativa para usina hidrelétrica localizada na Amazônia decerto é bem mais complexa do que a solução para uma indústria farmacêutica situada na capital São Paulo.

O risco de dar cursos e palestras


Treinar no Setor Ambiental

Por Ricardo Kohn[1].

Cursos intensivos (de até 72 horas) e palestras de curta duração (1 hora) são processos complexos para serem realizados a contento. Satisfazer aos participantes (alunos) e à empresa promotora do evento não é tarefa simples.

Este artigo tem por finalidade analisar algumas variáveis que devem ser observadas pelo profissional convidado a dar um curso intensivo ou fazer uma palestra. Toma-se como base para análise o setor ambiental brasileiro.

Curso bem ministrado, sala de aula cheia

Infraestrutura de ensino correta, curso bem ministrado: sala de aula cheia e atenta

1. Definição do escopo

O mercado de treinamento oferece duas alternativas normais: o escopo do treinamento é definido pelo contratante do evento; ou o profissional de ensino estabelece o roteiro de sua fala. Não há dúvida, caso defina o escopo da “conversa saudável” que irá manter com o grupo, poderá criar empatia ao apresentar seu conhecimento.

E o motivo é nítido: ao estabelecer o conteúdo da apresentação, o profissional determina também a profundidade das abordagens que fará. Afinal, precisa deixar tempo para responder a questões, solucionar normais debates e esclarecer dúvidas remanescentes.

2. Foco objetivo

Sejam cursos ou palestras, se a finalidade é o ensino ou, diga-se, o despertar de mentes, o “professor” precisa ser focado no tema principal. Claro que pode fazer digressões, notas de rodapé ao conteúdo essencial. Sempre curtas e estimulantes.

Acredita-se que deva criar metáforas e até mesmo provocar risos de seu público. Assim constrói a empatia mútua e o interesse pelo conhecimento, além de facilitar a memorização dos que o assistem.

3. Técnico-científico ou legislação

Certa vez, alguém afirmou: “defina-se, ou Lei ou Ciência do Ambiente. As duas são incapazes de conviverem no Brasil”!

Em todos os países com sistema educacional sério, qualquer evento de treinamento para o setor ambiental possui cunho técnico-científico. E a causa é óbvia: nesses países a legislação é elaborada a partir do estado-da-arte das ciências de referência.

A ser assim, os treinamentos são mais produtivos, pois os profissionais aprendizes focam-se nas teorias, metodologias e exemplos práticos que recebem. Dessa forma, aprendem a dominar as práticas da Gestão do Ambiente.

Em nosso país, todavia, faz-se o inverso. A legislação, impositiva e burra, tem a pretensão de dizer como funcionam as ciências ambientais. Basta ler na maioria das ementas de cursos oferecidos ao mercado. Dão ênfase particular aos requisitos legais, associados aos temas do conhecimento que deveriam transferir aos alunos. Falam muito do “juridiquês ambiental” e propõem pouco para as ciências práticas que explicam o ambiente.

Toma-se o exemplo do caso mais simples: um curso com 16 h de duração sobre a operação que, no passado, era trivial: como obter licenças ambientais. Hoje, os diplomas legais afins a esse processo são tantos, provindos de inúmeras instituições públicas, que, em 16 horas, um “professor honesto” somente falará sobre as disparidades, controvérsias e conflitos criados pela lei vigente.

Ou seja, não restará tempo para transmitir aos alunos o essencial: o que e como fazer para obter as licenças necessárias. Será impossível detalhar como são elaborados e geridos os estudos ambientais, os processos de auditoria interna e um eventual levantamento de passivos ambientais; como programar e gerir audiências públicas, acompanhar as sofridas auditorias públicas e participar de inspeções ambientais feitas in loco, por “peritos públicos”.

Enfim, pode-se afirmar que, ao contrário, é possível realizar operações ambientais realmente simplificadas, sem perder a qualidade de seus resultados. Operações que, para reduzir custos cada vez mais elevados, podem ter um padrão teórico factível, a despeito do amontoado de normas legais que castram a criatividade.

4. Expectativa dos alunos

Em tese, a motivação para participar de um curso caro ou de um seminário de palestras – caríssimo – é conhecer técnicas modernas, aplicáveis ao trabalho diário. Os alunos são profissionais formados, que desejam obter meios de melhorar suas atividades produtivas.

No entanto, nem todos têm essa motivação. Há os que desejam saber das leis envolvidas, a interminável burocracia que criam e qual o melhor caminho para superá-la, desde que sem ônus para sua empresa.

Para quem crê em “Coelhinho da Páscoa” e “Papai Noel” existem soluções. Sem dúvida há somente uma: contrate um excelente escritório em direito ambiental, pois seus advogados conhecem bem o “Labirinto do Minotauro”. Mas pode-se adiantar que gastará mais tempo e dinheiro do que elaborar, da forma técnico-científica adequada, todos os estudos ambientais requeridos.

5. Bom para oprofessor

Para a maioria dos brasileiros alfabetizados, quem profere palestras, conferências, dá aula em cursos intensivos ou ministra cadeira em universidade precisa ser professor em alguma área do conhecimento. Isso é mais do que bom, é ótimo!

Outro fato que merece destaque positivo é a cidade em que acontece palestra ou curso intensivo. Após dezenas de experiências nesses eventos, verificou-se que nas capitais do Norte, Nordeste e Centro-oeste o povo é mais receptivo, empático e interessado em aprender.

6. Ruim para oprofessor

Palestras e conferências em geral, têm público com formação diversificada. De toda forma, aquele que não estiver satisfeito, levanta-se, sai e parte para outro rumo. Não há desgaste relevante na imagem do professor que as profere.

Já nos cursos intensivos as consequências podem ser danosas. Basta que a organização que solicita um treinamento – dado que pouco ou nada conhece sobre o tema – detalhe de forma ostensiva o curso em módulos que acredita serem relevantes. Estejam certos, sempre existe um “gênio interno” disposto a especificar seu futuro cursinho particular.

A partir daí a empresa de treinamento – contratada por menor preço – sai à cata de um “mestre” que a ampare. Pobre do professor que aceitar essa encrenca. Nessas condições é quase impossível satisfazer a turma a ser treinada.

Há empresas que tratam o professor de “instrutor”. O fato é que “instrutor” está mais associado ao amestramento de animais domésticos, do que à educação. A ser assim, trata-se de ofensa aos alunos de qualquer curso. Não importa se possuem nível superior ou se são idosos; durante as aulas todos são alunos e, por civilidade, devem receber as narrativas do professor, concordem com elas ou não.

Em cursos fechados (in house) o professor precisa saber o perfil da turma com que trabalhará: formação, setor de trabalho na empresa e tempo de empresa. É temerário dar aulas para turmas com perfis distintos, por vezes conflitantes: projeto de engenharia, gestão do ambiente e gestão de obras, por exemplo. Têm esperanças distintas de aprendizado e os conflitos se sucedem nas costas do professor.

Existem muitos outros aspectos de cursos intensivos que podem prejudicar o professor. Mas, no adiantado da hora, reserva-se apenas mais um: de novo, a cidade em que ocorre o curso. Sem risco de cometer generalizações, nas regiões sudeste e sul, paulistanos e cariocas se destacam na forma de se comportarem em sala de aula:

  • Paulistanos – embora dedicados a entender os conhecimentos do professor, são atentos e rigorosos. Via de regra, são informados acerca dos temas a serem tratados pelo curso. Com educação, interrompem quando não concordam e pedem explicação lógica. Debatem muito, mas são cordiais e têm como objetivo aumentarem seus conhecimentos.
  • Cariocas – são heterogêneos no domínio da informação ambiental; vão além da variação normal. Entretanto, há os bem-informados que auxiliam ao professor. Porém, dentre estes, é comum emergir uma espécie curiosa, que precisa dar demonstrações públicas de ampla “sapiência”. Por serem narcisos, mal-educados e provocadores conseguem prejudicar a fluência do curso. No mais, os cariocas são ótimos, salvo quando sorriem pela frente e, pelas costasmalham o professor.

7. Sugestão

Em vários países do mundo a profissão de palestrante é concorrida e suficiente para manter um bom nível de vida. Bons professores universitários tornam-se palestrantes em algum momento de suas vidas.

No Brasil essa profissão da educação tem relativamente poucos adeptos, talvez por falta de um mercado próprio. Ainda assim, a maioria dos palestrantes de sucesso parece composta por paulistas.

Pois, seja um palestrante! Assuma esse desafio, palestre sobre a Ciência do Ambiente e crie o espaço que ainda falta. Assim, deseja-se que sua palestra seja épica, um tanto misteriosa, mas de sua exclusiva autoria. Sobretudo, que seja motivadora, estimulante para aqueles que vão gostar dos desafios propostos por você, caro Professor.Ricardo Kohn

……….

[1] Ricardo Kohn, Especialista em Gestão, com trinta anos de trabalho dedicado à consultoria em estudos, projetos e práticas ambientais, bem como ao treinamento de analistas e gestores em modelos, metodologias e sistemas para a melhoria do desempenho ambiental das organizações produtivas.

Lançada a obra ‘Ambiente e Sustentabilidade’


GEN – Grupo Editorial Nacional | LTC Editora.

AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão

A LTC Editora comunica o lançamento de mais uma obra técnico-científica:

Macedo, R. Kohn, AMBIENTE e SUSTENTABILIDADE – Metodologias para Gestão. GEN – Grupo Editorial Nacional, LTC Editora – Livros Técnicos e Científicos. ISBN 978-85-216-2731-9. Rio de Janeiro, RJ. 636 pg., julho 2015. 1ª edição.

Encontra-se disponível em formato impresso e em e-book. Docentes cadastrados no Grupo Editorial Nacional têm 30% de desconto.

Para os interessados em adquiri-la cliquem aqui.

Procurador ou “Encontrador”?


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior, o eremita

Zik Sênior, o eremita

Com base em minha experiência de vida, que afinal não é pequena [mais de um século], sinto-me à vontade para afirmar que o Brasil perdeu as pernas para caminhar. Foram decepadas pela ação solerte da corja instalada no poder.

A sociedade civil está perplexa: financia, a pagar taxa de juros escorchantes, as práticas de um abominável setor público. Sabe que esse cenário foi causado pela corrupção continuada em autarquias, estatais e bancos públicos. Enfim, tem absoluta consciência que esse teatro de horrores foi montado por súcias associadas aos três poderes da República: “independentes, mas harmoniosos na ladroagem”.

Em síntese, uma previsão: graças ao decano desgoverno instalado há 12 anos, a estrutura do Estado foi saqueada de tal forma, que é razoável estarmos ancorados sobre uma pré-revolução civil[1]. A meu ver, este é o estado de ânimo de 200 milhões de brasileiros. Com essa intensidade, como arrotava o ladrão-apedeuta, “nunca na história desse país” ocorreu roubo similar.

Aos perdedores, a desonra e a cabeça

Aos perdedores, a desonra e a cabeça

Através da “Operação Lava-Jato” [iniciada em março de 2014], a Polícia Federal investiga o ataque frontal aos cofres da Petrobras e órgãos financiadores. Decerto, quer iluminar os meandros tortuosos seguidos pelas quadrilhas. Até por que, numa parceria público-privada, afanaram somas astronômicas.

Muito embora não tenha como estimar até onde chegaram esses criminosos, meu chute é que o roubo do Tesouro Nacional foi da ordem de 80 bilhões de dólares, no mínimo. Ao que tudo indica, não ocorreu somente na Petrobras. É bem provável que Eletrobras, BNDES, Fundos de Pensão, Caixa Econômica e Banco do Brasil, hajam sido saqueados pelas mesmas quadrilhas público-privadas.

Creio que no Ministério Público haja um grande número de procuradores, muito bem pagos com o nosso dinheiro. Procuram bastante em pilhas de papel, mas nada acham. Então, faço aqui uma proposta: mudem esse cargo para “encontradores” e soltem-nos nas ruas como cães de ataque.

Do contrário, as quadrilhas continuarão a saquear, inaugurar obras superfaturadas e sorrir descaradamente para fotos.

……….

[1] Conflitos dessa ordem no país sempre receberam apelido de movimento social, rebelião de massa ou mesmo títulos estranhos, como Balaiada, Cabanagem, Sabinada e Guerra Paulista, que nada significam para os ignorantes em história. Todavia, de fato, todas foram revoluções civis, sempre funestíssimas para os derrotados. Mas a propósito, será que a sociedade brasileira será mais uma vez derrotada?

Ecossistema educacional


Por Ricardo Kohn, especialista em Gestão.

Não parece haver muita dúvida que a educação, para evoluir, precisa funcionar como se fora um ecossistema, ou seja: com todos os seus fatores constituintes em permanente interação; capacidade de auto-organização e evolução; a absorver tudo o que é capaz de produzir, mas sem gerar conhecimentos inúteis; capacidade de superar-se; e a garantir estabilidade nas relações mantidas por seus fatores básicos.

Na teoria, um sistema ecológico decorre das relações ambientais espontâneas mantidas entre seus fatores básicos, quais sejam, o ar, a água, o solo, a flora, a fauna e o homem. Embora diversos em essência, na educação também existem fatores que são lhes básicos para possuir desempenho: aluno, professor, escola, curso, comunicação e prática.

O aluno constitui o objetivo da educação. O professor, na qualidade de ator que o motiva a dedicar-se. A escola, através de instalações, oficinas, equipamentos e material didático, é o ambiente da educação. O curso, por meio de suas cadeiras, fornece a teoria essencial aos níveis do aprendizado básico. Por sua vez, a comunicação constitui o elo de interação entre todos os fatores. Tem-se por fim a prática, que aperfeiçoa e consolida o aprendizado. Esses fatores básicos, sem dúvida, conformam um ecossistema.

Colégio de Aplicação da UFV

Uma ótica

Muitas das ciências existentes, senão todas, decorreram da capacidade do homo sapiens em observar como os organismos e as coisas funcionavam. Essa assertiva fica mais evidente caso se tome como exemplos a Biologia, a Ecologia e a Geologia.

Os trabalhos realizados por Charles Darwin são uma bela demonstração desse fato. Foram feitos através da simples observação, por um homem disposto a explicar a evolução de seres vivos. Dessa forma, é possível concluir que Darwin foi, ao mesmo tempo, aluno, professor, escola e prática, um soberbo pesquisador.

Relação entre fatores

Nos ecossistemas primitivos as relações ambientais mantidas entre seus fatores componentes são de natureza física, química, biótica, econômica, social e política. Já no ecossistema educacional essas relações são, sobretudo, de caráter cultural.

A ser assim, educação de qualidade precisa obter a dedicação de alunos ao aprendizado, desde que motivados por seus professores, a qualidade da escola, a objetividade dos ensinamentos transmitidos e a imprescindível prática contínua do que foi apreendido.

Educação brasileira

Em geral, a educação pública no Brasil, nos níveis fundamental e médio, é de péssima qualidade. Lidera a evasão escolar no continente Americano. O MEC, bem como Conselhos federal e estaduais de educação, mantém exagerada burocracia, que impede a melhoria dos modelos de ensino, da renda dos professores e do interesse dos alunos.

O cenário atual é tão degradante, que não adianta fazer reformas ou revoluções no ensino atual. É necessário repensar a estrutura desta instituição, suas relações com a saúde, a ciência e o real desenvolvimento do país. Repensar, de forma a torna-la um ecossistema ambiental, capaz de evoluir por si próprio.

A visão sistêmica que se tem acerca da possível deste setor encontra-se sumarizada no artigo Ambientologia para a Educação, publicado em 8 junho de 2015. Leia e, caso acredite, ofereça suas contribuições e melhorias.