Microesculturas da Natureza


Ricardo Kohn, aprendiz de filósofo.

O fotógrafo londrino, Levon Biss, dedicava-se a produzir campanhas publicitárias de notórios ícones de sua geração. Após 18 anos dedicados a este gênero de fotos, sentiu a repetitividade das tarefas. Percebeu que suas fotos não mais lhe traziam prazer profissional; tinham a função de serem descartáveis. Até que um dia Sebastian, seu filho, lhe entregou um pequeno besouro que achara no jardim. Após examiná-lo em um microscópio, Levon fez diversos registros e verificou que, com lentes e iluminação adequadas, era possível ver detalhes de um inseto de 5 mm. Assim, teve início o “Projeto Microesculturas”.

Fez fotos de outros insetos e contatou a “Oxford University Museum of Natural History”, onde há uma bela coleção de espécimes da entomofauna mundial. O museu, ao ver a qualidade do trabalho fotográfico, permitiu que Levon registrasse 37 dos seus insetos. Após quase três anos de trabalho, estavam prontos e impressos a fotos dos pequenos animais. Todavia, em placas indoors de 2 a 3 metros de altura.

Scarab

Escaravelho – Amazoniam Purple Warrior

Este material já foi exposto em diversos países – Suíça, Dinamarca, Alemanha, Canadá, Itália, União dos Estados Árabes e Inglaterra, entre outros. O sucesso tem sido notável, em especial para os mais jovens, curiosos pela natureza primordial.

Para ter ideia do que foi necessário fazer, explorem o site de Levon: Microsculpture – The Insect Portraits of Levon Biss. Ele é dinâmico, as imagens dos 37 insetos se alternam na primeira página. Sugiro que iniciem pela palestra que Levon fez no TED Talk do Canadá. Depois, explorem cada inseto da coleção, com o nível de zoom que desejarem. Por fim, assistam ao vídeo que consta na primeira página. Mostra o processo de produção dos grandes indoors.

Orchid Cuckoo BeeAbelha – Orchid Cuckoo

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A ansiedade das expectativas


Ricardo Kohn, aprendiz de filósofo.

Ricardo KohnAngústia não é ansiedade, mas promessa de variadas doenças somáticas, por vezes, graves. Ansiedade, de fato, reside na esperança de que certas coisas ocorram, de acordo com as expectativas. Todavia, ansiedades intensas, não raro, transformam-se em angústias, fruto do medo associado ao desespero. Há que se ter atenção, pois seres humanos (os ditos sapiens) sempre são acometidos por ansiedades e, muita vez, angústias. Sim, angústia, aquela sádica senhora que devasta expectativas.

Em síntese, a roda de amigos de que participo – todos ao derredor dos 70 anos – comporta-se da seguinte maneira: alguns ainda criam novas expectativas; outros não veem este cenário como fator de perigo; porém, há dois angustiados. De toda forma, salvo raras exceções, temos vontade de deixar a cidade do Rio, dado que se tornou campeã em tiroteios, latrocínios, tráfico de drogas, distribuição de propina e desemprego em massa. A antroposfera do Rio constitui a amostra perfeita do Brasil Século XXI. A antiga capital do país não se inibe ao multiplicar os crimes tramados em Brasília, a soberana capital mundial da corrupção pública. A ser assim, sobrevém uma questão: ─ “O que um grupo de amigos pode fazer diante desta tragédia”?

Por mais difícil que seja, defendo que nosso grupo não deverá ceder aos riscos da falta de expectativas. Ao contrário, precisa tornar o medo causado por esta tragédia em projetos de sobrevida, com metas de curto prazo, inadiáveis. Afinal, quais de nós serão sadios após os 80 ou, ainda, quantos alcançarão esta idade?

De volta ao Rio – a dita “cidade maravilhosa, cheia de encantos mil”. Todos sabemos que o Estado do Rio se transformou em prostíbulo público, reino da insaciável quadrilha de corruptos que o comanda, há quase duas décadas. Já subtraíram dos cofres públicos cerca de R$ 280 bilhões, mas a justiça brasileira, salvo raras exceções, não consegue manter estes ladrões atrás das grades.

Vitória da corrupção: Rio, cidade-sede dos Jogos Olímpicos 2016

Uma das vitórias da corrupção: Rio, cidade-sede dos Jogos Olímpicos 2016!

Diante deste quadro estarrecedor, minha família passou a refletir sobre alternativas de vida para os anos que nos restam. Em todas as ponderações que fizemos, a premissa básica foi a mesma: abandonarmos a cidade do Rio. Escolhemos a região Sul como destino, mas não queremos residir em capitais. Nossas expectativas apontam para cidades pequenas, com custo de vida reduzido, mas que possuam cultura de origem europeia.

Pretendemos oferecer projetos essenciais, que coevoluam com a qualidade do ambiente regional, bem assim com o espectro da coletividade da qual desejamos participar ativamente; tal como fizemos nas cidades em que já vivemos. Afinal, somos empreendedores, sem receio de corrermos riscos produtivos. Infelizmente, no entanto, temos a tristeza de assistir ao caos instalado no Rio, uma obra deletéria de ordinários corruptos, totalmente adversa à ótica da filosofia naturalista que professamos.

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Obra sobre Filosofia do Ambiente


Assim fala o Ambiente

Durante um ano supervisionei a redação do ensaio “Princípios da Filosofia do Ambiente”. É dedicado aos que argumentam objetivamente, com base na lógica diferenciada.

Neste ensaio a ótica está invertida se comparada à tradicional postura da filosofia, qual seja, aquela que mantém o Homo sapiens como um ser superior a todas as coisas e a decidir sobre como usar o Ambiente. Em sua visão ufanista tudo o existe é de sua propriedade e serve somente para servi-lo.

No entanto, em “Como o Ambiente vê o Sapiens” fica claro que o sujeito da filosofia é o Ambiente; o Sapiens, apenas seu objeto de uso. De fato, o Ambiente reflete, pratica e ensina sua própria filosofia. Caberá ao Sapiens agradecer e ovacioná-la; acaso a entenda.

Para adquirirem esta obra inédita, cliquem aqui ou então na imagem da capa abaixo. Seu preço de lançamento é R$ 24,90, menos que o prazer fugaz de uma taça de vinho.

Abraça-os, o eterno
Ambiente

Capa

 

Valor do Sapiens ou Qualidade do Ambiente?


Ricardo Kohn, aprendiz de filósofo.

Parte-se da premissa que o homem [sapiens] atribui valor monetário a todas as coisas que deseja vender ou adquirir. Por sua vez, o ambiente terráqueo precisa manter a qualidade de sua natureza primordial. Portanto, infere-se que, em tese, tanto o sapiens quanto o ambiente, precisam trabalhar para obterem seus desejos e necessidades.

Todavia, nessas circunstâncias há que se optar entre o valor monetário do sapiens ou a qualidade do ambiente, pois esses cenários não costumam ocorrer ao mesmo tempo. Veja a imobiliária que lança um condomínio de prédios situado em ambiente de restinga; então, de forma evidente, remove a restinga e, em sua antroposfera, constrói o espaço valorizado para o sapiens. Assim, ganha o sapiens com ricos apartamentos, mas, de outro lado, o ambiente da restinga “segue rumo à contínua devastação”.

O que lhe parece este “belo cartão postal”?!

O que lhe parece este “belo cartão postal”?!

Prédios e lixos a consumir a restinga, esgotos in natura a escurecer o azul da lagoa que um dia fora translúcido, emissões gasosas que tonificam a respiração da fauna silvestre, quase extinta. De fato, pode ser um belo cartão postal, mas apenas segundo jacarés sobreviventes e sapiens que não lhes sentem o cheiro.

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Declaração Global dos Deveres Humanos


Ricardo Kohn, aprendiz de filósofo.

1. Contexto histórico

Pesquisadores creem que o mais antigo conflito comprovado entre sapiens ocorreu no leste da África, onde arqueólogos encontraram restos de 12 caçadores-coletores, chacinados por volta de 10.000 anos atrás, segunda a datação de Carbono-14. Devo dizer que, em minha opinião, o Homo sapiens foi o responsável ativo pela extinção das várias espécies humanas [Gênero Homo] com que conviveu. Observe na tabela abaixo:

Algumas espécies que descendem do Australopithecus

Espécie humana Existência estimada Região de ocorrência
Homo ergaster De 1,8 milhões há 1,2 milhões anos África (Quênia) e Ásia
Homo erectus De 1,8 milhões há 300 mil anos África, Europa, Ásia e Indonésia
Homo rudolfensis De 1,9 milhões há… anos África (Quênia)
Homo soloensis De … há 50 mil anos Ilha de Java, na Indonésia
Homo denisova De … há 50 mil anos Sibéria
Homo neanderthalensis De 500 mil há 29 mil anos Europa e Ásia
Homo floresiensis De 700 mil há 13 mil anos Ilha de Flores, na Indonésia
Homo sapiens De 200 mil anos até o presente Em todos os continentes

Desde que se tem informação da existência do sapiens, datada há cerca de 200 mil anos, ele coexistiu com outras espécies: o neanderthalensis, o denisova, o soloensis e o floresiensis tiveram presença confirmada em diversas regiões do ambiente terráqueo – Europa, Ásia, Sibéria e ilhas da Indonésia. Não foi por acaso que estas e outras espécies foram extintas. Paleontólogos e arqueólogos elaboraram hipóteses com vistas a explicar sua extinção. A que considero menos provável é a da miscigenação do sapiens com as demais. Parece-me uma falácia bio-demográfica, diante de uma simples questão:

─ “Como o sapiens, a mais jovem das espécies humanas, poderia ter população suficiente para ocupar Europa, Ásia, Sibéria e ilhas da Indonésia em pouco tempo, copular entre si e com todas as demais, a permanecer geneticamente dominante?” Isso me soa absurdamente falso.

2. Guerras entre nações

A hipótese da destruição furiosa das espécies com que o sapiens conviveu é mais verossímil, além de coincidir com o que, há muito, ele comete contra seus irmãos: o genocídio diário e sistemático em várias regiões do mundo, através de guerras entre povos e nações. É simples encontrar na Internet a lista das principais guerras que foram iniciadas pela índole desumana e psicótica do sapiens dominante. Para não me aprofundar sem necessidade, cito apenas o resultado de duas guerras mundiais: 10 milhões de mortos durante a Iª Guerra Mundial (1914-1918) e 50 milhões de mortos durante a IIª Guerra Mundial (1939-1945). Afora isso, as brutais devastações sofridas pelo ambiente europeu, com inimaginável custo de reconstrução a ser arcado por seus povos.

Ao fim da IIª Grande Guerra, após a rendição inconteste da Alemanha nazista – assinada em 30 de abril de 1945 –, o que restou aos povos do mundo foi o medo, o terror de enfrentar nova guerra com a mesma envergadura. Afinal, até esta data, somente no século XX, duas guerras já haviam tirado a vida de cerca de 70 milhões de cidadãos, entre civis e militares.

Vista de Berlim, em maio de 1945

Os países-membros que então lideravam a Organização das Nações Unidas – decerto, Grã-Bretanha e Estados Unidos – promoveram uma Assembleia Geral onde seria debatida uma declaração que definisse quais seriam os direitos humanos básicos. Para esses dois países, estavam relacionados à quatro liberdades: (i) liberdade da palavra e da livre expressão; (ii) liberdade de viver sem medo; (iii) liberdade de suprir necessidades e (iv) liberdade de religião. Observo que estas liberdades nunca existiram no regime comunista da União Soviética. A ser assim, questiono: uma declaração desse gênero não se tornaria uma ameaça à paz, um meio para instigar mais conflitos?

3. Declaração Universal dos Direitos Humanos

Enfim, a declaração acabou assinada em Assembleia Geral da ONU, a 10 de dezembro de 1948. Obteve 48 votos a favor, nenhum contra e 8 abstenções (União Soviética, Ucrânia, Polônia, Bielorrússia, Checoslováquia, Iugoslávia, África do Sul e Arábia Saudita). Ao analisar seu texto, verifiquei que é óbvio e até mesmo infantil. Porém, paradoxalmente, é presunçoso ao declarar-se uma coisa universal, a abranger o Cosmos. Todavia, nada oferece que seja capaz de remediar a ganância pelo poder do sapiens dominante e, sobretudo, impedir suas guerras e genocídios que, até hoje, devastam o ambiente terráqueo e os primatas da humanidade.

De fato, desde 1947 já se instalara um conflito inconsequente entre Estados Unidos e União Soviética – 40 anos de Guerra Fria. Mesmo após assinada a tal declaração universal, cerca de 20 milhões de pessoas, entre militares e civis, tiveram a vida ceifada em conflitos bárbaros, cujo único pano de fundo era a cínica disputa pelo poder mundial. De um lado, o comunismo bolchevique, liderado pela União Soviética; de outro, o capitalismo britânico, protagonizado pelos Estados Unidos. De fato, nunca trocaram um tiro sequer, pois lutavam de forma indireta, nas terras de nações aliadas, a massacrar civis de outras nações – Guerra do Vietnã, Guerra da Coreia. Foi assim que a grave crise do pós-guerra se tornou irreversível a médio prazo, com ou sem contar com um documento pretensioso que ousasse definir “os direitos do Homo sapiens sobre o Universo”.

A propósito, caso hoje estivesse a fazer a prova de redação para ingressar em alguma faculdade, este texto seria minha contribuição. Daria a ele o título mais oportuno: “Declaração Global dos Deveres Humanos”. Afinal, os sapiens civilizados conseguem cumprir com seus deveres essenciais. Mas, ao contrário, definir direitos básicos para o sapiens dominante é dar a própria cabeça ao cutelo da decapitação. Deve-se impor deveres a este primata destruidor!

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Ambiente: a origem da engenharia


Ricardo Kohn, aprendiz de filósofo.

Desde há bilhões de anos, nos espaços da Terra – ambiente terráqueo – existem as fácies dinâmicas de sua natureza primordial[1], “construídas” pela ação de eventos fortuitos, como terremotos, vulcanismos, furacões e tsunamis. No entanto, uma das funções essenciais do ambiente é ser o regente exclusivo desses eventos. Assim, pergunto: o que significa ser maestro de uma sinfonia de terremotos ou de uma orquestra de furacões e tsunamis?

É óbvio que maestros não são músicos, mas regentes da orquestra, de seu compasso e da evolução musical. Portanto, o ambiente não atua nas sinfonias de terremotos. Porém, como regente, faz com que sua natureza primordial permaneça estabilizada, a despeito da violência dos eventos fortuitos que nela ocorrem – eventos do ambiente.

Por volta de 70 mil anos atrás, grupos de sapiens arcaicos abrigavam-se em cavernas da Uma grande cavernanatureza primordial. Bebiam a água de rios e cascatas, alimentavam-se da flora e da fauna silvestres. Comportavam-se de forma similar aos demais primatas então existentes. Deste modo, ainda eram bens do ambiente, embora sujeitos às intemperanças da natureza. No entanto, talvez por receio de serem extintos em eventos desse gênero, refletiram sobre como a physis houvera sido “construída”. Foi assim que, 50 milênios depois, o mais sábio questionou aos demais:

─ “Será que algum dia conseguiremos engenhar cavernas maiores e mais seguras”? E a resposta surgiu em seguida:

─ “Primeiro precisamos entender como o ambiente fabrica suas cavernas e depois imitá-lo

Sem dúvida, era imprescindível conhecer a “engenharia do ambiente”, sempre realizada ao acaso. Foi assim que, mais tarde, árvores viraram casas; florestas de sequoias se tornaram condomínios de prédios; colmeias viraram fábricas; trilhas da fauna silvestre se transformaram em ruas e avenidas. Iniciava-se a construção da antroposfera do sapiens, paradoxalmente, um ordinário plagiador do ambiente que devasta.

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[1] Natureza primordial é sinônimo de physis e constitui o resultado da dinâmica das relações mantidas entre os bens que são propriedade exclusiva do ambiente: ar, água, solo, flora e fauna. O universo da natureza primordial é a Terra.

A antroposfera devora o ambiente


Ricardo Kohn[1], aprendiz de filósofo.

A fauna silvestre adapta-se ao ambiente e nele evolui há bilhões de anos, sem altera-lo. Há, como esperado, uma relação de cooperação factual entre ambos. Dessa forma, o ambiente é um dado do problema para a existência de todas as espécies silvestres da fauna. Seus habitats são feitos sem consumo de bens primordiais[2], livres de impactos adversos sobre a physis[3]. Enfim, a fauna silvestre mimetiza-se com o ambiente, imita-o para conserva-lo, a permitir que o ciclo de suas espécies prossiga no curso espontâneo da existência.

O sapiens moderno, no entanto, faz justamente o contrário. Devasta o ambiente, impacta sua physis, para depois ocupa-lo. Por meio de máquinas baseadas em tecnologia ditas de ponta, deforma-o para a satisfação de suas necessidades exóticas. Tudo isso para possuir a bela vista que descortina ao longe no horizonte, a valorizar a residência na qual passa suas férias. Nesse ímpeto arbitrário, quase despótico, o sapiens dominante acredita que sua antroposfera[4] é dona absoluta da physis do planeta e, assim, pode dispor de seus bens primordiais da forma que desejar. Afinal, na visão dominante, tratam-se de simples matérias-primas.

Guaratiba

A prova cabal que a antroposfera devora o ambiente, célere e sistematicamente!

Não detalho os contrastes entre a inteligência silvestre da fauna e a extravagante inteligência do sapiens dominante. Deixo a cargo do leitor refletir acerca das consequências lógicas dessa discrepância de atitudes e condutas.

Porém, o crescimento da antroposfera constitui um processo incontrolável, graças às ficções do sapiens, criadas durante milênios. Mercado, moeda, comércio e patrimônio são as que hoje detém maior influência na construção da antroposfera. A acumulação de riquezas tornou-se o único vetor que mobiliza o sapiens dominante. Aliás, enquanto houver bens primordiais que possa explorar, sua ganância não cederá. Seu único limite é o tamanho do ambiente disponível para ser ocupado.

Sobre isso, sabe-se que a superfície do ambiente terráqueo é da ordem de 510 milhões de km2, dos quais cerca de 70% são recobertos por água e 30%, por solo. Em outras palavras, o sapiens dispõe, em tese, de 153 milhões de km2 para ocupar com sua antroposfera. Contudo, o ambiente estima que, dadas as exigências oportunistas do sapiens dominante – conforto e segurança para seu mercado –, apenas 50% da superfície terrestre estaria disponível para ele, ou seja, algo como 76,5 milhões de km2, a equivaler, aproximadamente, a 15% do ambiente terráqueo.

Porém, todos os sapiens dominantes e raros – ainda precisam superar restrições para ocupar o solo terráqueo, tais como:

  • Áreas desertificadas;
  • Áreas montanhosas escarpadas e com grande altitude;
  • Espaços rochosos recobertos por densas florestas de monção, sem acesso para suas máquinas de desflorestamento.

Nesse cenário, o ambiente pondera que resta ao sapiens somente 1/8 da superfície terráquea que ele antes acreditava estar disponível – 63,75 milhões de km2. Parece ser muito, porém, para acolher 7,5 bilhões de sapiens excêntricos, esta superfície representa nada. Sobretudo, se o ambiente estiver correto, quando observa que 90% dos dominantes habitam áreas da sua antroposfera, onde inventou mercado, comércio, moeda e patrimônio. Em suma, sinto-me obrigado a apostar que a criatura [sapiens] acredita dominar seu criador [ambiente]. Em outras palavras, a antroposfera devasta e devora o ambiente.

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[1] Baseado no ensaio “Princípios da Filosofia do Ambiente”.
[2] Bens primordiais são os fatores básicos que se relacionam aleatoriamente para compor todos os ecossistemas do ambiente terráqueo: ar, água, solo, flora e fauna.
[3] A physis é tudo o que existe no ambiente, à exceção do que seja construído pelo homem”. Alguns filósofos naturalistas da Grécia Antiga a usavam em sua retórica. Deduzo que se referiam aos espaços físico e biótico do ambiente, a comportar sua dinâmica aleatória, função da necessidade e acaso.
[4] Assim como hidrosfera constitui a “esfera das águas”; biosfera, a “esfera da vida“; a antroposfera  é a “esfera dos homens e suas atividades”, onde são gerados estados, nações, cidades, moradias, escolas, indústrias, estradas, ruas, sistemas de esgotos, lixo e infraestrutura em geral.

Só restou a filosofia


Ricardo Kohn, aprendiz de filósofo.

Desde há pelo menos duas décadas, a imprensa em geral centra seu noticiário em fatos da delinquência: tráfico de drogas, pedofilia, estupros, latrocínios, assassinatos em massa e, sobretudo, corrupção descarada. Veículos da imprensa se esmeram em narrar os detalhes dos crimes cometidos, assim como o sofrimento de familiares [dos executados, estuprados e drogados]. Em síntese, para as grandes empresas de comunicação, mostrar “o sangue alheio” tornou-se negócio lucrativo. Sólida mesmo, só restou a filosofia.

Porém, aqueles sapiens que se submetem a receber essa avalanche diária de crimes sofrem efeitos danosos em suas reflexões. Os veículos mais poderosos reformatam rapidamente seu noticiário, função da decadência da sociedade a que fingem informar. É óbvio que, com muita destreza e eficiência, contribuem fortemente para o ocaso desta mesma sociedade. Afinal, possuem redes mundiais de repórteres e comentaristas, sempre a trazer “em primeira mão” as notícias mais repugnantes. É insuportável o clima criado pela imprensa. A ser assim, apenas restou a filosofia.

Não há dúvida que os mais perigosos veículos da imprensa são canais de televisão. Muitas vezes mostram imagens da “realidade concreta” que não passam de “realidades imaginadas”. Em poucas horas de um dia criam, recriam, dizem e desdizem a transmissão das ditas realidades concretas. Causam uma enorme confusão de informes, sempre em busca de serem “em primeira mão”, a “darem o furo” pelas reportagens… É com base nessa “incitação de manadas” que é calculado o preço para seus patrocinadores e publicidades. Como realidade concreta, somente restou a filosofia.

Nasci no sul, em 1948, embora more no Rio há 64 anos. Com certeza, na segunda metade do século 20 não existia a fúria atual do tráfico de drogas, da pedofilia, dos estupros, dos latrocínios e da corrupção em massa. Naquela época ainda havia alguma filosofia na imprensa.

É espantoso, destarte, o cenário de conflito que a imprensa proporcionou, com a invenção do “nós contra eles”. Nasce no século 21, quando políticos corruptos, ávidos por poder, ganham espaço em veículos da imprensa, a divulgarem as mentiras de seu populismo. A eterna desculpa da imprensa é a tal da “imparcialidade”. Por isso, oferece seus meios para que os repugnantes se justifiquem diante do povo a que odeiam, pois só precisam do nosso voto para continuarem na ladroagem organizada. De fato, só nos resta a filosofia.

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Resgate do bom senso


Ricardo Kohn, Aprendiz de Filósofo.

Parece-me que bom senso não é uma habilidade inata do Homo sapiens. Creio que no seu DNA não há um gene responsável por esse traço de caráter. Aliás, não me recordo de portar “bom senso” ao nascer. Contudo, lembro-me bem de ouvir dos mais velhos uma sugestão diária: ─ “Menino, use seu bom senso”. Custei a perceber o que me diziam. Refletia indeciso sobre o que deveria ser bom senso. Porém, mesmo sem sabe-lo, acostumei-me à sugestão ancestral. Afinal, haveria de ter pelo menos uma razão lógica associada ao fato de possuir “bom senso”. Assim, em um dia perdido da juventude, a prudência aconselhou-me a aguardar o nascimento espontâneo desta sabedoria. Fiquei surpreso ao descobrir que bom senso era um tipo de sabedoria, mesmo ainda a desconhecer seu néctar.

Durante a adolescência ─ quando todos anseiam ser adultos ─, esqueci-me do bom senso. Graças a isso, presenciei atitudes insensatas de amigos. Fui imprudente em vários atos que cometi. Todos pagamos o justo preço das consequências. Diria hoje, da falta de bom senso. Aos poucos comecei a descobrir que esta faceta de caráter deve ser vista como uma arte da escultura. Entalha-se o bom senso através de processos de ensaio e erro, do aprendizado que provém das topadas que cometemos no caminho da maturidade.

Isto é Arte! A escultura quase perfeita de Lu Li Rong

Hoje ocorrem debates acalorados sobre algumas “exposições de arte viva”, por assim dizer. Ofereceram ao público variadas exibições de nudez humana. Não entro no mérito dessas exposições, foco apenas nos dois grupos que se digladiam com posturas opostas. De um lado,  os “progressistas”, que acham normais as demonstrações públicas feitas por homens pelados, pois constituem a livre expressão da arte. De outro, os “conservadores”, que acusam os donos desses eventos de destruidores da família, promotores da pedofilia, a afrontar princípios básicos de religiões. Ambas as argumentações me parecem esquisitas, fracas, pois nelas falta o bom senso, carecem de sensatez, são imprudentes.

A propósito, há uma íntima correlação entre bom senso, prudência e sensatez. Todos esses traços de caráter ─ que são artes da escultura ─ requerem capacidade de observar fatos, de refletir sobre eles, descobrir suas finalidades e entender os argumentos alheios, ainda que baseados em esquisitas alegorias[1], com vistas a embolsar dinheiro dos tolos.

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[1] Para a filosofia as “alegorias” são textos que encerram o valor simbólico das imagens e da narrativa, em decorrência das escolas a que pertencem.

Filósofo Aprendiz


Ricardo Kohn, Escritor.

Pelo menos durante um dia da vida, creio ser provável que um bom número de cidadãos haja sonhado em ser filósofo. Isto por que existe a leveza intelectual associada à prática da boa filosofia. Costumo dizer que fazer filosofia é duelar com a lógica e a razão das palavras, em busca de descobertas. Afinal, elas ganham vida própria assim que são escritas no papel. E o filósofo é o espadachim que se deixa levar, mas atento para manter a essência de seu texto, de modo a que ele não lhe escape e acabe seduzido pela dança das palavras.

Graças a esses aspectos, há questões a considerar:

  • Em sua origem, o que a filosofia significava para o cidadão comum?
  • Como o filósofo deve proceder perante seus discípulos?
  • Quais são as consequências de o cidadão ser parte do seleto grupo de filósofos, muito embora não haja sido convidado?

Antes tratar destas questões, acho importante mostrar onde se situa a filosofia. Para Bertrand Russel[1]todo conhecimento definido […] pertence à ciência; e todo dogma, quanto ao que ultrapassa o conhecimento definido, pertence à teologia. Mas entre a teologia e a ciência existe uma terra de ninguém, exposta aos ataques de ambos os campos: essa terra de ninguém é a filosofia”. Na literatura histórica, não encontrei reflexão mais objetiva do que esta.

A origem da filosofia acontece na Grécia Antiga – século VI a.C. –, por meio de uma escola fundada por Tales de Mileto, na Jônia, colônia grega situada no Mar Egeu. A Magna Grécia era notória como líder mundial do pensamento e a Escola de Mileto demarcou a origem da filosofia ocidental. Para cidadãos comuns, filosofia era o espaço em que ouviam e podiam questionar as reflexões de seus mestres. Foi o espaço semeado pelos pensadores gregos, onde havia a liberdade da palavra em prol da cultura, com vistas a educar cidadãos para descobrirem como pensar com a lógica.

Filosofia é exatamente isso: saber pensar, ponderar, refletir, argumentar, deduzir e inferir coisas sobre os temas oferecidos à mesa de diálogos. Deduzo que, para se tornar filósofo, não há regras ou normas que limitem qualquer cidadão comum. A prática da filosofia é aberta a todos, sem exceção. Dessa forma, infiro que ninguém precisa ser convidado para ser filósofo, basta saber qual espaço poderá ocupar com sua filosofia.

Como Filósofo Aprendiz optei por ingressar na filosofia, através de uma obra sucinta, Ícone da capaintitulada “Princípios da Filosofia do AmbienteComo o Ambiente vê o Sapiens”. É possível prever por este título que se trata de uma filosofia que inverte a egolatria filosófica presente nas reflexões de vários filósofos do medievo. Aqui o Ambiente é o sujeito e o Sapiens, seu objeto.

Os capítulos deste ensaio apresentam-se em 172 páginas, com a seguinte estrutura:

  • A Introdução da obra, onde parto de uma equação filosófica: Ambiente + Sapiens Impactos + Áreas Devastadas + Lixo + Restos do Ambiente.
  • O Sumário Histórico da Filosofia Ocidental, que visa a situar em qual espaço cultural a Filosofia do Ambiente poderá se assentar.
  • A Base Conceitual Científica, onde apresento conceitos que julgo relevantes sobre os processos ambientais, as características funcionais do ambiente e suas respectivas argumentações analíticas.
  • Os Primatas da Humanidade, onde busco compreender o comportamento do sapiens, como um reagente instável, às vezes espúrio, na equação filosófica enunciada.
  • Os Fundamentos da Filosofia do Ambiente, que apresenta algumas premissas em que devem se fundar a filosofia do ambiente. Essas premissas estimulam a realização de debates, os quais procuro formular através de questões com respostas provocativas, sobretudo, as relativas ao mundo em que se vive atualmente.
  • O Ambiente Terráqueo, onde revelo, através de constatações factuais, as principais ameaças à sua qualidade e, por óbvio, à vida de todos os seres vivos que habitam a Terra. Debato ameaças significativas impostas pelo homem aos espaços físico, biótico e antropogênico do ambiente terráqueo.
  • Como o Ambiente vê o Sapiens traz uma narrativa sumária da origem e evolução do Homo sapiens na Terra. Em “Assim fala o Ambiente”, coloco-me em seu lugar, com vistas a refletir sobre o sapiens como se eu fosse o ambiente. Esse exercício de lógica permitiu-me inferir sobre a conduta das espécies e subespécies do Homo sapiens, segundo a taxonomia do ambiente.
  • A Base Conceitual Filosófica apresenta a revisão dos conceitos científicos, segundo a ótica do ambiente, assim como sua argumentação analítica. A base filosófica está realizada a partir de “Assim fala o Ambiente” e do “Decálogo do Ambiente”.
  • Em Inferências Filosóficas procuro refletir sobre quatro temas: (i) as Religiões do Homem Dominante (Homo dominans); (ii) as Ciências do Ambiente; (iii) a Avaliação Filosófica de Impactos sobre o Ambiente; e ofereço (iv) Parábolas do Ambiente.
  • Em O Homem Primordial, apresento uma estratégia de ação para cooptar várias das subespécies do Homo dominans (Homem dominante) e torna-las Homo rarus (Homem raro), a espécie que, além de qualquer dúvida, é um bem do ambiente.
  • Concluo com o Epílogo, onde arremato conclusões e formulo expectativas.

Esperava lançar a versão digital deste livro em dezembro. Mas consegui publica-lo em 9 de novembro. Quem desejar conhece-lo clique aqui. Sugiro aos amigos que o adquiram e o divulguem nas redes sociais, no ambiente de trabalho, em faculdades e em escolas de nível médio. Desde já, feliz, agradeço a todos.

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[1]
Bertrand Arthur William Russell, matemático e filósofo, nascido a 18 de maio de 1872, no País de Gales. Prêmio Nobel de Literatura, em 1950. Atuou em vários países como professor de matemática avançada. Faleceu aos 97 anos, em 2 de fevereiro de 1970, na mesma nação britânica.

Guerra Civil no Rio


Ricardo Kohn, atento à filosofia.

Contexto
Chamavam-se favelas os conjuntos de precárias moradias que eram construídos por todo o país, após findada a IIa Guerra Mundial. Suas populações eram formadas por cidadãos que viviam à beira da miséria, necessitavam de abrigo e de estarem próximos a locais de trabalho. Afinal, “favelados” também precisam trabalhar, como condição lógica para superar a pobreza. Pois, pergunto-lhe: ─ “Você era pobre ou miserável nos anos ‘50”? Se era, sabe do que estou a falar.

Na cidade do Rio, quando ainda capital federal [Estado da Guanabara], o número de favelas era relativamente reduzido. Após a transferência da capital para a região centro-oeste, ao iniciar a década de ‘60 foram realizadas importantes obras públicas[1] na cidade. Todavia, sem que os operários construíssem moradias temporárias. Afinal, bons urbanistas cariocas, como Lúcio Costa, Sérgio Bernardes e Affonso Reidy, possuíam visão estratégica, a impedir a formação de enclaves urbanos. Tanto é assim, que o número de favelas não cresceu nesse período [1961-1965]. Dezenas delas foram relocadas por meios de projetos habitacionais – favelas da Catacumba, do Esqueleto, do Pasmado e do Pinto, são exemplos.

Mais tarde, sob a égide da ditadura militar, num ato arbitrário do governo Geisel, cometido em 1975, o Estado da Guanabara foi fundido ao Estado do Rio. O novo ente federado passou a chamar-se Estado do Rio de Janeiro, o que demonstra a absoluta falta de imaginação no comando militar do governo federal. Por que não mantiveram Estado da Guanabara? Afinal, a cidade do Rio, sua capital, era bem mais conhecida que Niterói, capital do Estado do Rio. Mais rica, dotada de maior base cultural; por óbvio, com belíssimos espaços naturais e, definitivamente, uma cidade histórica: foi a capital do Estado Brasileiro durante 339 anos versus os infames 57 anos da “Ilha da Corrupção”, a maldita Brasília.

Tudo leva a crer que esta fusão de estados, em consequência de uma ponte, foi uma grossa asneira. De todo modo, beneficiou bastante a Niterói. Basta refletir, pois lá existem somente 5 favelas, enquanto a cidade do Rio ostenta 763 favelas – IBGE, censo de 2010.

Convivência em favelas

Desde cedo, convivi com jovens criados em duas favelas de Santa Teresa: a do Morro da Coroa e a do Morro dos Prazeres. A nobre Coroa e os inesquecíveis Prazeres, como indicam seus apelidos. O que tenho a dizer sobre eles? Simples; eram jovens iguais a mim, embora com muito mais experiência para lidar com incertezas. Ademais, assim como eu, demonstravam alegria e sonhavam com tempos melhores. Estudavam, trabalhavam, faziam festas e convidavam amigos. Eu fui um deles, dentre muitos. Nunca fui tratado como um “estrangeiro na favela”. Aliás, sempre me senti igual a eles, os dignos e honestos favelados.

Além dos morros em que se iniciou a favelização daquele bairro – Coroa e Prazeres –, hoje nele existem diversas favelas: Fallet, Fogueteiro, Escondidinho, Coroado, Pereira e Júlio Otoni.

Desde há cerca de duas décadas – ou próximo a isso –, a imprensa simplesmente conseguiu extinguir as favelas; sumiu do mapa com todas elas. Tal como num passe de mágica, passou a noticiar os fatos ocorridos no que denomina comunidades. Infiro que, neste caso, esta expressão é falsa. De fato, comunidade significa “conjunto de indivíduos [fauna, flora ou sapiens] que vivem juntos na mesma área e que, em geral, interagem e dependem uns dos outros; sociedade”. Ou seja, nada diz que explique o que cria todas as favelas do mundo: precariedade, pobreza e até miséria. A hipocrisia [ou cinismo] de certos “intelectuais” brasileiros atingiu a esse ponto: mudam o nome da miséria humana e estão solucionados os problemas. Plim! Plim!

A filosofia dos feudos do tráfico

Demógrafos estimam que, entre 160 a 180 mil pessoas, vivem na favela da Rocinha, a qual, por lei, foi tornada bairro urbano, com comércio pungente, sobretudo, a venda de drogas, em prol da facção dos criminosos que a “administra”. Justo por isso, seus milhares habitantes são obrigados, por força da filosofia dos fuzis, a pagar preços exorbitantes por vários produtos e serviços, tais como bujões de gás, garrafões de água, aluguéis, fornecimento de energia, televisão a cabo e internet. Há situações em que pagam caro para garantir, inclusive, a própria vida.

Diante desse cenário, é comum que analistas concluam haver um “governo paralelo” na Rocinha. Penso diferente. Em minha ótica, existe uma “ditadura instalada na Rocinha”, que opera livre das ações de qualquer governo. Afinal, a Rocinha tornou-se o mais importante feudo do tráfico no Brasil, o reino onde impera o poder do chefe dos traficantes. Com todos os itens que nela são comercializados, diária e impunemente, há de se convir, trata-se de um mercado local com 180 mil pessoas, dominado pela filosofia dos fuzis, com altíssima taxa de furto, na casa dos bilhões de Reais. É quase uma cidade média que exporta drogas para todo o país. Isso inflama a cobiça dos chefes de feudos, em pelo menos 350 favelas. Todos os seus chefes sonham em dominar o terreno da Rocinha.

Devo inferir que, pela lógica, sem qualquer racionalidade, choques armados mais violentos entre os feudos do tráfico devem ser aguardados no Rio. Pobre dos povos que neles vivem e não têm como sair. Está-se diante de uma guerra civil.

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[1] De 1961 a 1965, destaco as seguintes obras realizadas no Rio: nova adutora do Guandu; o aterro e início do Parque do Flamengo; 21 viadutos; Plano Diretor do Sistema de Esgotos Sanitários; construção de cerca de 700 km da Rede de Esgotos Sanitários; construção de outros tantos quilômetros da Rede de Abastecimento d’água; projeto e execução dos sete quilômetros iniciais do Interceptor Oceânico da Zona Sul; Túnel Rebouças; Túnel Major Vaz; conclusão do Túnel Santa Bárbara; aterro e ampliação da Marina da Glória; aterro e ampliação da praia do Flamengo; aterro e ampliação da praia de Botafogo; aterro e duplicação da praia de Copacabana; Parque Ari Barroso; retificação, alargamento e novo traçado do Rio Berquó, em Botafogo; retificação, alargamento e novo traçado do Rio Papa-Couve, no Catumbi; Avenida das Américas; prolongamento da Avenida Brasil; instalação de 18 (dezoito) chafarizes em vários pontos da cidade; nova via de tráfego ligando a praia de Botafogo à rua Humaitá; ampliação e modernização da elevatória de esgotos Saturnino de Brito; elevatória de esgotos André Azevedo; galeria geral de esgotos para Ipanema e Leblon; galeria geral de esgotos da Avenida Bartolomeu Mitre; ampliação e modernização da elevatória de esgotos da Rua Santa Clara; ampliação da estação de tratamento de esgotos da Penha; nova estação de recalque da elevatória subterrânea da Hípica; e a Avenida Novo Rio, que liga a Avenida Brasil à Avenida dos Democráticos.

Abuso da Imoralidade


Ricardo Kohn, Escritor.

Interrompo minha faina literária para abrir uma discussão sobre um fato que considero sórdido: o Congresso Nacional vota uma lei para permitir que parlamentares corruptos punam o que considerarem abuso da autoridade, incluídos nesse contexto promotores, procuradores e juízes federais.

Um dos fatos mais escabrosos desse “projeto de lei” consiste em permitir que réus julguem seus acusadores e juízes, os quais, de acordo com o Estado de Direito, tenham estabelecido suas penas. Outra canalhice parlamentar – não há expressão mais adequada – é punir procuradores e juízes pela interpretação que fizerem do texto legal. Chamam a isso crime de hermenêutica.

A forma com que aceleram no Congresso o projeto de lei do “abuso da autoridade” apenas demonstra que os políticos corruptos e seus apaniguados encontram-se desesperados, diante do sério risco de habitarem penitenciárias por um longo período de tempo. Em minha visão, espero que isso aconteça o mais rápido possível, pois provas da corrupção cometida não faltam.

Não vou me alongar nesse tema. Faço apenas uma proposta objetiva. Creio que já passou a hora de a sociedade brasileira criar um projeto de lei popular: a lei para conter e punir severamente o Abuso da Imoralidade.

Sessão de socos e pontapés no Congresso Nacional

Pelo momento em que se vive


Ricardo Kohn, Escritor.

O mundo está virado de ponta-cabeça. Decisões de mandatários ameaçam o cidadão médio de todas as nações democráticas. Três casos chamam a atenção: a insanidade bélica do líder imprevisível da Coréia do Norte; a máquina de corrupção instalada no Brasil; e a estupidez ofensiva do novo presidente norte-americano.

Sobre o comportamento da Coréia do Norte não há previsões. Seu líder delinquente, além de ter iniciativas próprias, é massa de manobra de países próximos. No entanto, há o que analisar no Brasil e nos Estados Unidos.

Casa Branca, inaugurada a 1º de novembro de 1800

Casa Branca, inaugurada em 1º de novembro de 1800

O norte-americano médio possui um perfil pessoal bem definido: é inocente, acredita no que lhe dizem, dedica-se a fazer o que sabe, é sempre teimoso e produtivo, mas poucas vezes é hábil nas análises que efetua. Entretanto, é ativo na defesa de seus princípios democráticos e libertários.

Acredito que essa imagem espelha bem milhões de americanos. Basta recordar que, em 4 de julho de 1776, durante a Guerra Revolucionária (1775-1781), seus habitantes declararam a independência do jugo britânico e, naquele mesmo instante, tornaram-se uma República Democrática.

O povo americano é pragmático e luta contra qualquer decisão pública que possa submete-lo a cenários de desastre. Ouso dizer que, pela estupidez sequencial de seus recentes atos executivos, Donald Trump não ficará sequer um ano no cargo.

O brasileiro médio também possui seu perfil delineado: é metido a esperto, mente por motivos mesquinhos, crê saber de tudo, é indolente e improdutivo, adora criticar a quem acaba de conhecer. Por isso, está sempre preocupado com a defesa de seus direitos particulares, mas esquece de seus deveres diante da sociedade.

É essa curiosa criatura, filha imberbe da Nova República, que elege os membros dos poderes executivo e legislativo. Creio que há uma estreita ligação com nossa origem colonial e o tempo que o Brasil gastou para tornar-se República Independente: embora “descoberto” em 1500, colonizado durante 389 anos, foi somente em 15 de novembro de 1889 que se tornou uma república: às vezes ditatorial, outras democráticas, mas muitas vezes enredado pelo populismo porco e a corrupção pública organizada.

Palácio do Planalto, inaugurado em 21 de abril de 1960

Palácio do Planalto, inaugurado em 21 de abril de 1960

A única Constituição dos EUA foi ratificada em julho de 1788. Há 229 anos que independência e democracia caminham sólidas e inabaláveis no Estado norte-americano. Por outro lado, a última Carta Magna brasileira foi promulgada em outubro de 1988, dois séculos depois. Nos 36 anos que se seguiram ela não parou de receber “retalhos”, dada a imensidão de seus títulos, artigos e parágrafos, que só promovem controvérsias e conflitos.

O momento em que se vive é muito delicado. Assim como os norte-americanos, precisamos colocar milhões de brasileiros nas ruas, a gritar: ─ Programa Penitenciária para TodosÉ uma ordem!

Choque frontal com o Ambiente


Ricardo Kohn, Gestor do Ambiente.

A finalidade deste artigo é demonstrar a importância do ambiente estabilizado para todos os seres vivos do planeta, inclusive os humanos; do ambiente  estável versus os impactos que sofre com as atividades que nele são implantadas, as quais tentam ser explicadas como “a adaptação e evolução do homo sapiens face à dinâmica deste espaço”. Bela retórica, porém, falsa como rocha líquida. Inicia-se o artigo com a desmistificação da expressão “meio ambiente”.

1. Introdução

O vocábulo “meio” possui diversos significados, os quais variam em função de seu uso: como adjetivo, substantivo ou advérbio. Por exemplo, como adjetivo pode significar “metade”; como substantivo, “lugar onde se vive” = “ambiente”; como advérbio, “mais ou menos”. A fonte usada é o Dicionário Priberam[1], onde se encontram outros significados para este mesmo vocábulo.

Na expressão “meio ambiente”, o vocábulo meio pode ser entendido como adjetivo, substantivo ou advérbio. Ou seja, faz com que a expressão signifique coisas esdrúxulas: metade do ambiente, ambiente ambiente e mais ou menos ambiente.

Não há dúvida que essas expressões trazem um erro trivial da gramática (o pleonasmo ambiente ambiente) e dois deboches com as ciências do ambiente (metade do ambiente e mais ou menos ambiente). Além de deixar evidente a pouca formação de seu criador e respectivos repetidores, destaca-se.

2. A expressão “meio ambiente”

A origem temporal de “meio ambiente” é bem discutível. Sobretudo, quando se visa a acentuar a relevância de entender o que é o ambiente diante das práticas de trabalho em consultoria, foco principal desse artigo.

No entanto, provém da academia uma pesquisa exaustiva que pretende justificar que o termo a ser usado pode ser meio ambiente[2], quando consideradas as óticas das ciências naturais e ciências humanas. Segundo o texto, da ecologia e da educação ambiental. Essa pesquisa remete-se à Idade Média e considera que o ambiente (meio ambiente) deva ser visto, analisado e trabalhado através da visão antropogênica.

Discorda-se frontalmente dessa afirmação. As ditas ciências humanas não se prestam para entender o que é o ambiente, dado que são mais discursivas, opinativas, simples retórica. Há que se buscar ciências que o detalham “como se fossem o próprio ambiente a esclarecer seu comportamento, as relações que nele se estabelecem, bem como suas funcionalidades”.

Afinal, educação ambiental não constitui ciência, apenas uma técnica ainda rudimentar. Além disso, seu título é um pleonasmo (toda a educação é ambiental), tal como Saneamento Ambiental. Por acaso existe um sistema de tratamento de esgotos que não seja oportuno para a qualidade do ambiente?!

As ciências do ambiente[3] que se destacam são ecologia, meteorologia, hidrologia, geologia, pedologia e a biologia. É através da aplicação delas que se pode trabalhar impune no ambiente.

Porém, enfatiza-se que a explicação das atividades antropogênicas precisa ser efetuada através dos processos da ecologia. Há décadas que notórios ecólogos mundiais demonstram que o ser humano é parte dos ecossistemas, embora neles cause rupturas ambientais que os degradam.

3. Como são conceituados meio ambiente e ambiente

Os conceitos abaixo, bem como suas análises de conteúdo, demonstram que há um severo choque frontal entre a desinformação de legisladores e juristas versus a visão de consultores especializados, cientistas e acadêmicos.

3.1. Conceito brasileiro de meio ambiente

Segundo a Lei no 6.938[4], em vigor até hoje, meio ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.

O conteúdo deste texto, tido como oficial, cria severas dúvidas ao leitor medianamente atento. Destacam-se algumas:

  • Qual o significado de “condições, leis, influências e interações” no contexto do ambiente?
  • Quais são as entidades do ambiente que promovem “influências e interações”?
  • Como “condições e leis” podem “permitir, abrigar e reger a vida em todas as suas formas”, senão apenas no papel?
  • As ditas “influências” significam o quê, provém de onde, de que fatos?
  • As “interações” seriam similares às relações ambientais ou ecológicas?
  • Ainda assim, seriam somente as “interações” de ordem física, química e biológica?
  • Delas resultariam o quê, currais ou ecossistemas limpos?!

Trata-se do conceito “sopa de pedra”. Nele cabe de tudo. Mas, afora colocar a pedra no meio do prato, nada esclarece. É um mero jogo de palavras que não conseguem se conectar. Por isso mesmo, com significado difuso, ambíguo, genérico, confuso. Em suma, é uma piada oficial sem qualquer significação.

3.2. Conceito profissional de ambiente

Segundo especialistas em gestão do ambiente e ecologia, ambiente é qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem. Essas porções detêm distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são analisáveis através do desempenho de seus fatores físicos [ar, água e solo], bióticos [flora e fauna] e antropogênicos [homem e suas atividades].

A visão estável do ambiente

Engenharia inteligente, ambiente estabilizado

Segue a análise de conteúdo deste conceito:

  • Biosfera é a camada da Terra integrada à litosfera – que lhe serve de substrato –, onde ocorrem todos os seres vivos do planeta. A atmosfera e a hidrosfera são partes essenciais à biosfera e dela não são desvinculáveis. A ser assim, biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera conformam o ambiente integrado do planeta.
  • Fatores ambientais ou fatores ambientais básicos são os componentes dos sistemas ecológicos da Terra. Estão presentes em qualquer porção que se delimite em sua biosfera. Estes fatores são associados aos espaços ambientais que lhes são afetos, pela ordem: espaço físico [o ar, a água e o solo]; espaço biótico [a flora e a fauna]; e espaço antropogênico [o homem e suas atividades].
  • As relações mantidas entre fatores ambientais são realizadas através de trocas de matéria e energia, que são dinâmicas, interativas e espontâneas. Isto garante a estabilidade e a evolução dos sistemas ecológicos que conformam. Denominam-se relações ambientais.
  • Importante destacar o que deveria ser evidente: as relações ambientais, que ocorrem há milênios, são energizadas pela luz solar, e possuem naturezas física, química, biológica, social, econômica e cultural.

Por existirem o ar, a água, o solo, a flora e a fauna no mesmo cadinho da evolução da vida, a raça humana, embora considerada sábia, é, se tanto, a 6ª parte do ambiente da Terra. Mas nem todos têm sã consciência desse fato.

Em tempo, sugere-se não esquecer: “o ambiente é ilegal“, pois não funciona conforme determinam as leis e os responsáveis por sua produção. De fato, estes não possuem o devido domínio das ciências do ambiente. Além disso, que soe como uma ameaça: a lei da gravidade nunca será abolida por qualquer decreto-lei.

4. Considerações do autor

Atuo há 31 anos em Planejamento e Gestão do Ambiente. Exatamente, desde janeiro/1986. Confesso que, naquela ocasião, chamava de “meio ambiente” o objeto dos planos que elaborava. Contudo, pela carência de literatura em português, pude recorrer a livros e artigos em inglês para estudar o tema. Neles, sempre li apenas “environment[5], pois não existe o vocábulo “meio” a agredir a gramática e os estudantes.

Intitulei este artigo “Choque frontal com o Ambiente” por achar uma covardia, cometida pelos que possuem plateias, repisarem esse erro crasso sobre a ciência do ambiente. Refiro-me, sobretudo, a professores universitários, que mais parecem jornalistas televisivos, a estrelarem em Shows de Espalha Ignorância e enganarem covardemente àqueles que os assistem de forma passiva.

Deixo para reflexão dos leitores uma breve observação acerca do conceito de ambiente: o ser humano precisa ter muito cuidado com as artes de sua engenharia, pois “qualquer porção da biosfera” é apenas o planeta Terra inteiro. Minha única fé é no ambiente estável!

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Clique no título do e-book “PRINCÍPIOS DA FILOSOFIA DO AMBIENTE – Como o Ambiente vê o Sapiens“.

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[1] Confira em: https://www.priberam.pt/dlpo/Meio.

[2] Um trabalho intitulado “Um olhar epistemológico sobre o vocábulo ambiente: algumas contribuições para pensarmos a ecologia e a educação ambiental”, realizado por dois profissionais na UNESP, Rio Claro, SP. Chega a considerações finais um tanto insípidas, muito embora constem da tese de doutorado em Educação para a Ciência, de Job Antônio Garcia Ribeiro, hoje professor da UNESP.

[3] Nota: não se usa o termo Ciências Naturais, pois implicaria admitir que existam Ciências Artificiais.

[4] Datada de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a “Política Nacional do Meio Ambiente”.

[5] Em países mais civilizados o vocábulo equivalente a “meio ambiente” é environment (Grã-Bretanha e EUA); environnement (França); umwelt (Alemanha); ambiente (Itália).

Penitenciárias de alta segurança


Os pensadores brasileiros encontram-se atormentados. O lamentável quadro de insegurança prisional no Brasil dá margem a indagações. Dado que as notícias que obtemos da imprensa não são seguras, temos imensas dúvidas sobre a possível segurança nacional.

A tal “guerra de facções” acontece em presídios de diversos estados. Nas cidades de Manaus (AM) e Nísia Floresta (RN), por exemplo, chacinas foram cometidas em presídios, nas barbas do poder público. Se considerarmos que existem cerca de 2.000 unidades carcerárias no país, de que crimes essas ditas “facções” serão capazes de cometer, se não forem contidas pelas Forças Armadas?!

Surge a primeira dúvida: ─ “O termo facção significava o quê”?

Concordamos que no passado era referido às facções em que se dividiam partidos políticos: as facções conservadoras, as extremistas, as populistas e as “em cima do muro”. Para grupos organizados de criminosos, preferimos usar o termo malta. Tanto serve para se referir a traficantes e assassinos, quanto para as maltas políticas que, descaradamente, assaltam o Erário.

Chamou-nos a atenção o fato que existem pelo menos 27 maltas de traficantes, presos em penitenciárias. Por outro lado, há 35 partidos políticos registrados no TSE, com parlamentares soltos no Congresso.

E tem-se outra dúvida: ─ “Quem chefia as maltas de traficantes”?

Iniciamos a pensar que ainda existem os super-traficantes. Mas logo verificamos que ou estão recolhidos em presídios ou foram executados pela polícia e por seus rivais. Ficamos com a nítida sensação que as maltas de traficantes são comandadas pela cúpula de certas maltas políticas! Elas nos parecem intimamente entrelaçadas.

A matança no presídio de Alcaçuz, Nísia Floresta

Considere que basta pegar o telefone ─ a beber uísque na piscina do hotel 5 estrelas ─ e dar ordens ao traficante encarcerado. Obediente, ele cometerá a barbárie solicitada. Dessa forma, desde 1º de janeiro temos assistido, ao vivo, a matança dentro de penitenciárias. Virou seriado de televisão.

Debatemos sobre os ditos “presídios de segurança máxima”. Óbvio que, se existem essas unidades, é por que também há os de segurança mínima! Uma penitenciária construída sobre dunas é piada de segurança. Para fazer túneis de fuga basta dispor de uma colher de plástico!

Adveio desse debate outra dúvida especial: ─ “Fazem projetos de arquitetura para presídios”?

Encontramos diversos presídios de alta segurança que tiveram projetos de arquitetura, a garantir sua eficiência, ou seja, manter os presidiários em “celas individuais com 6 a 7 m2” ou células solitárias controladas pela administração do presídio.

Chamou-nos atenção a penitenciária ADX Florence, construída no Colorado, Estados Unidos. É considerada a prisão mais segura do mundo. Os detentos chamam-na “Inferno na Terra”; mas é questão de ponto de vista…

Imagem aérea da ADX Florence

Vista aérea da penitenciária ADX Florence

A ADX Florence está situada em região montanhosa e sem vegetação. Essa é a estratégia adotada para manter os criminosos de alta periculosidade presos, “sadios” iguais aos do Brasil.

A penitenciária chega a brilhar por sua limpeza e manutenção permanente. Seus corredores chamam atenção pela qualidade de suas instalações e equipamentos de controle.

O corredor da ADX Florence

O corredor da ADX Florence

Até hoje não há notícia da fuga de prisioneiros ou de motins internos na ADX Florence. De fato, cada detento tem sua área individual de sol e lazer, onde pode permanecer até uma hora por dia, sem contato com os demais presidiários.

De certa forma, achamos essa medida simples e relativamente fácil de ser aplicada. Basta ter um bom projeto de arquitetura e uma região montanhosa para instalar a penitenciária, com suas celas, corredores, bem como sistema de varrição por câmeras de vídeo e detectores de movimento.

Presídio Central de Porto Alegre

Presídio Central de Porto Alegre

O Brasil  optou por “novas tecnologias” de segurança. Existem várias modalidades de presídios no país: o “Queijo-suíço”, onde os detentos fogem pelos furos que cavam; o “Mercado-árabe”, com detentos soltos no pátio, a vender panos, maconha e outras iguarias. Porém, são incontáveis os presídios “Peneira”, cercados por grandes paredões modernos, que já vem furados de fábrica.

Se nada mais há para ser tratado, consideramos encerrada esta condenação.

Tagarelice de suposições


Ricardo Kohn, escritor.

Em certos telejornais existe um hábito curioso. Repórteres que cobrem fatos nos locais de ocorrência insistem em usar o verbete “suposto”. Dizem eles, quase emocionados: liderados pelo suposto chefe da facção; degolado pelo suposto assassino (!); a quadrilha de colarinho-branco é comandada pelo suposto Rei do Quadrilhão; cometeram um suposto desvio do erário; está na UTI acometido de suposta febre amarela (!); e assim prossegue a ladainha do telejornal.

Acredito que esse suposto noticiário seja fruto de uma diretriz, entalhada a ferro-e-fogo, pelo suposto editor-chefe, sempre marionete dos que mandam na emissora.

Como seria noticiado um suposto jardim, semeado de supostas flores a desabrochar

Como seria noticiado um suposto jardim, semeado de supostas flores a desabrochar, supostamente.

Consultei o dicionário para confirmar o significado do verbo supor: 1. Alegar ou afirmar hipoteticamente para tirar alguma indução; 2. Admitir como possível, conjecturar, imaginar, presumir; 3. Formar hipóteses sobre.

Concluí que qualquer noticiário feito com base em suposições ou é falso ou só impede que o editor-chefe suje as cuecas. Além de duelar com as imagens mostradas, nada informa ao telespectador que, por sinal, paga caro para assistir supostos comentaristas e repórteres amestrados.

Por óbvio, há exceções. São os jornalistas que não abrem mão de narrar a verdade factual, sem propelir suposições cretinas. Porém, são poucos, a maioria é feita de “lambe-sacos” e “tagarelas supositórias”.

A continuar com essa ladainha televisiva, plena de suposições, as empresas proprietárias das emissoras poderão falir. Ou não! Que tal mudar o nome do jornal para Supositório Jornalístico?…

Terroristas no Brasil


Por Simão-pescador, da Praia das Maçãs.

Simão-pescador

Simão-pescador

Permaneci silencioso durante 2016. Rascunhei artigos para o blog, mas depositei-os na lixeira. Eram superficiais diante dos “desgovernos brasileiros” neste século XXI. Venderam ao mundo um país de mentira, criado a peso d’ouro pela propaganda oficial.

Entrementes, por motivos de família, cá de Portugal, acompanho o desempenho do Brasil desde março de ‘64, quando ocorreu a revolução militar. Interessei-me pelo facto de ter os dois filhos mais velhos a residir no Brasil. Pensava que poderiam ser vitimados por guerrilheiros urbanos, que lutavam armados para implantar a ditadura do proletariado. E meus meninos eram comerciantes da livre iniciativa que, em tese, poderiam ser executados, na qualidade de “inimigos da guerrilha marxista-leninista”, que então se ensaiava.

Com o retorno do Brasil ao Estado de Direito Democrático (1988), acreditei que tudo iria melhorar; sou otimista. A economia seria recuperada e a política tinha líderes competentes para conduzi-la. Enganei-me, tal “o quadrado que acredita rolar”… Os guerrilheiros-terroristas continuaram a tentar assumir o poder central, muito embora, desta feita, a usar “focinho de paz e amor”. Por fim, desgraçadamente, conseguiram-no em 2003.

Resultado: tudo o que acontece hoje no país assume dimensões descomunais. Em especial, ladroagem, corrupção, ataques ao erário, analfabetismo, miséria, desemprego, caos político-econômico e total insegurança pública. Estas são as “realizações nobres” de quadrilhas do “colarinho-branco”. Tratam-se de factos imundos, imensamente imundos.

O Brasil de hoje é terra quase arrasada. Mas estou pasmo, pois muitos dos “guerrilheiros marxista-leninistas”, dos ditos “anos de chumbo”, tornaram-se misteriosamente milionários!

A parte isto, recebi telefonema de meu mais velho no dia primeiro de 2017. Evidente que me desejou longa vida e um bom ano de pesca. Porém, falou-me acerca de um massacre em duas unidades prisionais de Manaus, cometido entre presidiários de duas facções criminosas: a tal Família do Norte (FDN) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). ─ “Pai, chacinaram e degolaram 60 membros do PCC nessas prisões”, disse-me ele assustado.

Ouvi estupefacto as notícias de Simãozinho. Interessei-me por conhecer mais detalhes da clamorosa barbárie. Após analisar o farto material que comenta esse genocídio medieval, cheguei a cinco conclusões elementares:

  • A FDN é a protagonista da barbárie, associada à facção do Rio de Janeiro, o chamado Comando Vermelho (CV);
  • O PCC é a maior facção criminosa brasileira; sediada em São Paulo, esse gigante do crime comanda o tráfico transnacional de cocaína e armas pesadas. É mais destruidora que as demais;
  • O objetivo desta “irmandade temporária” é destruir o PCC ou pelo menos vence-lo na região norte, justo por que faz fronteira com países produtores de cocaína em larga escala – Bolívia, Peru e Colômbia. A questão é baratear a rota do tráfico, afora contar com a obscura segurança da floresta amazonense;
  • O genocídio realizado em Manaus envolve tão-somente dois presídios; todavia, existem centenas deles espalhados pelos estados brasileiros, onde o litígio entre essas mesmas facções está prestes a rebentar;
  • Merece atenção a possível participação do executivo, legislativo e judiciário amazonense em esquemas de propina com a empresa que diz administrar presídios instalados no estado.

Diagnóstico sumário da grave ameaça

Em síntese, o Brasil está a ser tomado por facções de guerrilheiros-terroristas, semelhantes às da década de ’60. Não se trata de acionar as polícias civil e militar, pois o país vive um Estado de Guerra aberta contra o tráfico internacional. Sinto dizer, mas está prestes a se tornar uma grande Colômbia, onde o terrorismo das FARC formula práticas brutais para a FDN executar!

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Operações Especiais na selva e na cidade

Para enfrentar cenários de guerra, a pronta-resposta somente cabe às Forças Armadas. Não importa o que acham ou pensam o Ministro da Justiça, a Presidente do STF ou o próprio Presidente da República. O único a comandar esse quadro há de ser o Ministro da Defesa, a quem cabe garantir a segurança nacional com o uso da força, sempre que necessário.

Finalizo surpreso com o facto que o Brasil possui a melhor escola mundial de guerra na selva. Através do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), ao longo de seu meio século de existência, já formou milhares de profissionais da selva. Um dos paradigmas que orienta esses militares é eloquente, a meu ver:

─ “Pense e aja como caçador, não como caça”.

Profecias para 2017


Por Zik-sênior, o ermitão.

Zik Sênior

Zik Sênior

É redundante analisar o que aconteceu em 2016; parece falta do que fazer, é pataquada! Todos sabem que a única ação relevante que ocorreu durante o ano passado foi a de desmascarar a corrupção generalizada que se instalou no Estado Brasileiro, desde as eleições de 2002. Foram 14 anos de bandalha.

O país tornou-se um ninho de quadrilhas; a corrupção foi socializada pelo cafetão do povo. O pensamento dele ainda arde em meus ouvidos: ─ “Todos nós temos direito a comandar uma quadrilha-de-assalto ao tesouro público”.

A ser assim, faço uma pergunta elementar: ─ “O que precisa ser feito em 2017”?

E a resposta é simples: ─ “Colar cacos institucionais que ainda restam e incinerar o lixo público remanescente”. Afora isso, estou preocupado. Nesse cenário, só me resta fazer profecias para 2017, as quais posso ver na lâmpada do futuro:

─ Em julho, por erro de cirurgia plástica, o rosto de uma senadora começará a desbarrancar. Vai brotar-lhe um narigão de bruxa com verrugas, seus olhos ficarão vermelhos e empapuçados, cabelos a cairdentes a apodrecer. Que lástima…

─ Durante 2017, inúmeros prefeitos recém-eleitos sofrerão graves problemas de saúde. Muitos falecerão, mas a maioria terá diarreia crônica diante do que recebeu de seu antecessor.

─ Em abril, “Lola da Silva” será enviado para a Papuda, antes mesmo de se tornar “dodecaréu”. Capacíssimo! Na História do planeta, será o 1º Campeão Mundial em Corrupção… “Uma inesquecível vitória“, segundo dirá o próprio a um repórter.

─ No mês da sorte – agosto –, acontecerão 20 prisões de políticos e autoridades. Condenados por “mera picuinha” de 9 juízes da 1ª instância. Confesso, gostaria que fossem 200 ou 300 prisões…

─ Por falar nisso, ao longo do mês de junho, dois juízes da Alta Corte sofrerão impeachment, por justa-causa: calhordice amestrada.

─ Em setembro, a esbravejar num palanque, “Lindinho” sofrerá tremeliques, a parecer um enfarto; mas logo uma equipe médica do SUS descobrirá que o “rapaz apenas se borrara nas calças”. Cuidado, jovem, esforços exagerados podem matar…

─ Em novembro, a “anta desvairada” será atacada por populares revoltados, após um comício que cometerá no Nordeste. Eles nada entenderão do que ela falará. Isso enraivece qualquer pessoa decente…

─ Neste ano, o Dr. Canalheiros será caçado no país pela Polícia Federal. Depois de fugir muito por todas as regiões, será descoberto no porão imundo de sua casa de campo, escondido a beira-mar. Veja quanta água…

Tsunami política

Resultado da tsunami política

No apagar das luzes, ainda consigo ver mais uma profecia na lâmpada:

─ No último trimestre de 2017, a PF fará um arrastão em Brasília, São Paulo. Minas Gerais e Rio de Janeiro. Vejo 480 policiais conduzindo a “moçada” com algemas e mordaça, senão eles xingam e cospem

Em 2017, salve-se quem puder!

Para que serve a Gestão do Ambiente


Ricardo Kohn, Consultor em Gestão.

Introdução

Segundo arqueólogos e pesquisadores, o homo sapiens surgiu no ambiente terrestre há cerca de 190.000 anos. Estimam que seu comportamento moderno date de 50.000 anos atrás. Sempre buscou construir seu habitat preferencial, dispondo dos meios de que se apropriava do ambiente. E ainda se comporta assim, mesmo a saber que o ambiente da Terra é finito.

O homo sapiens evoluiu de (i) pequenos grupos nômades de caçadores-coletores (10.000 anos atrás); (ii) passou pela fixação de grupos maiores, graças à agricultura ainda precária; (iii) até chegar a construir as cidades, com sistemas de transporte, moradias, fábricas, escritórios de trabalho, universidades, instituições científicas, etc.

Embora, no tempo e no espaço, esses três cenários sejam distintos, há um fato comum entre eles: tudo foi construído pelo “homem inteligente” sobre o ambiente terrestre, a despeito das consequências nefastas que resultaram nesse ambiente.

Há outra variável a ser considerada nessa evolução: a produção de ciências para que o homo sapiens pudesse melhorar, em proveito próprio, a apropriação dos bens de propriedade do ambiente, a que chama docemente de recursos naturais. Assim nasceram, a partir da filosofia e da matemática, as ciências que são consideradas básicas: geologia, hidrologia, pedologia, biologia, ecologia, física e química. No entanto, causa perplexidade que a evolução dessas ciências se deu, sobretudo, nos últimos 200 anos!

Infere-se assim que o homo sapiens moderno somente começou a usar sua inteligência nos últimos 4% de seu tempo de existência no ambiente do planeta. Nesse mesmo período aprimorou várias tecnologias derivadas das ciências. Merece destacar as diversas engenharias, em constante aprimoramento, que lhe permitiram construir cidades, bem como incontáveis artefatos de paz e guerra, de vida e morte.

Legado do homo sapiens

Seu mais importante legado foi a produção do conhecimento, não há dúvida. Todavia, esse conhecimento não é acessível para a maioria dos habitantes do planeta. Esse fato é explicado pela Economia, que estabelece valor monetário para todas as coisas que representem serviço ou produto, fruto do trabalho humano.

Porém, o “humano inteligente” criou outras áreas do conhecimento e difundiu-as como se fossem ciências: Antropologia, Arqueologia, Sociologia e “CiênciaPolítica, por exemplo. Deve-se refletir se constituem ciência ou tecnologia. Na ótica deste artigo, tratam-se de para-ciências[1]. Vejamos.

Classificação de Ciência, Tecnologia e Para-ciência

Há uma tendência na formação superior brasileira que precisa ser revista: chamar de ciências várias tecnologias que nelas se apoiaram para serem elaboradas.

Até por que, há os que entendem, da forma correta, a tecnologia como a ciência aplicada. Todavia, devem adotar redação mais apropriada: a tecnologia resulta da aplicação de ciências conhecidas e confirmadas.

A ser assim, uma ciência deve abordar temas acadêmicos, possuir conceitos próprios, bem como teorias que correlacionam conceitos e processos, os quais constituem estruturas que visam a melhorar o conhecimento humano.

Por sua vez, a tecnologia precisa ser destinada à realização de atividades práticas, com base nas ciências conhecidas. Pressupõe, por parte de seus usuários, o conhecimento razoável das ciências utilizadas.

Porém, tem-se a 3ª classe de abordagem ao conhecimento humano, que é a para-ciência. Possui conceitos e processos próprios, usa conceitos de outras áreas, possui uma abordagem teórica básica e metodologias para aplicação prática. Pode-se dizer que é próxima da ciência, mas usa tecnologias pré-existentes.

Esse é o caso de áreas do conhecimento humano, como Engenharia, Arquitetura, Medicina, Economia, Antropologia, Arqueologia, Sociologia, Política[2] e, mais recentemente, Gestão do Ambiente. Todas são “para-ciências”.

Homo sapiens no Ambiente

Há cerca de somente 45 anos, iniciou-se a preocupação crescente com a Natureza. A engenharia e a economia, conforme operavam, possuíam a capacidade de devastá-la. Dado a isso, vários movimentos de “ativismo ambiental” nasceram naquela oportunidade.

Em países do 1º mundo esse ativismo logo se transformou em cursos de nível superior. Leis foram promulgadas para determinar como o homo sapiens deve se relacionar com o ambiente. Porém, um fato chamou a atenção. As leis se baseavam nas ciências básicas e não duelavam com suas teorias, conceitos e processos. No mais das vezes, as leis foram regidas pela Ecologia, que trata da coleção de ecossistemas que conformam o ambiente.

No ocaso brasileiro, o ativismo ambiental foi carnavalizado. Leis foram promulgadas com propostas bizarras. Chocam-se frontalmente com as ciências que deveriam atender e criaram verdadeiras muralhas burocráticas, a duplicar o custo dos trabalhos de controle ambiental que determinam.

De início, empresas privadas e fundações começaram a oferecer cursos intensivos de 5 dias. Mesmo assim, somente ensinavam como aplicar as leis promulgadas em estudos ambientais. O primeiro curso de nível superior foi criado em 1976: Graduação em Ecologia, na (Unesp) Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro.

Hoje diversas universidades oferecem cursos de nível superior em Engenharia Ambiental, Ecologia e Gestão Ambiental, entre outros. Observa-se que o processo da gestão e da engenharia são distintos. Além disso, o conteúdo da Engenharia Ambiental não deve ser semelhante ao da Gestão do Ambiente. Até por que, o ser humano ainda não possui, que se saiba, a “habilidade” de projetar e construir o ambiente primitivo.

Conceito de Gestão

A gestão requer a existência de um objeto a ser gerido. Pode ser uma equipe de pessoas, uma empresa, uma escola, um serviço público, um município ou um estado, por exemplo.

Para efetuar a gestão são realizadas atividades que a antecedem. Eis o processo que culmina com a gestão propriamente dita.

  • Conhecer as entidades do objeto que se relacionam e de que forma se relacionam (diagnosticar);
  • Identificar as ameaças e oportunidades decorrentes dessas relações (análise SWOT[3]);
  • Baseado em variáveis críticas, internas e externas às entidades do objeto, estimar como elas se relacionarão (prognosticar e cenarizar);
  • Identificar e mensurar os efeitos positivos e negativos, presentes e futuros, sobre o desempenho das entidades relacionadas, bem como caracterizar os efeitos sobre as partes afetadas (avaliar);
  • Elaborar um plano de ação para otimizar os efeitos identificados (planejar);
  • Gestão: implantar o plano, monitorar e aferir os resultados alcançados, ajustando-o sempre que necessário (replanejar).

A Gestão do Ambiente

O processo mantém-se o mesmo, acima sumarizado. Seu objeto é o Ambiente. As entidades que se relacionam são “atividades humanas e o ambiente da região em que se localizam”.

A finalidade da Gestão do Ambiente é manter a Sustentabilidade da região afetada, a garantir que as atividades humanas apresentem Desempenho Ambiental adequado, de forma a manter a Estabilidade do Ambiente, como fora em sua origem.

Visando a esclarecer aos leitores, conceitua-se Ambiente da seguinte forma:

“É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem. Essas porções possuem distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, e são analisáveis pelo comportamento de seus fatores físicos (ar, água e solo), bióticos (flora e fauna) e antropogênicos (homem e suas atividades)”.

Da mesma maneira, Sustentabilidade é um atributo exclusivo do Ambiente, que consiste em sua capacidade – e na de seus ecossistemas componentes – de manter e desenvolver relações ambientais estáveis entre seus fatores constituintes – ar, água, solo, flora, fauna e homem.

Tela do computador de um aficionado em Gestão do Ambiente

Tela do computador de um especialista na Gestão do Ambiente

Conclusões

Em síntese, quando bem aplicada, a Gestão do Ambiente é a ferramenta essencial para o controle de qualidade da Economia e da Engenharia. Sem aplicar suas teorias e práticas, as grandes decisões empresariais e públicas continuarão a se pautar no retorno financeiro de investidores e na factibilidade da engenharia em realiza-las a baixo custo.

Acredita-se que a “para-ciênciaGestão do Ambiente mereça ter espaço acadêmico e prático na Universidade Brasileira. Decerto não afetará os demais cursos e, sobretudo, o de Ecologia, pois foi concebida a partir de seus princípios conceituais.

Bibliografia

Este artigo tem como fundamento as teorias e práticas obtidos na seguinte obra:

______

[1] O prefixo grego “para-” significa “proximidade, semelhança, intensidade”. Criou-se o neologismo “para-ciência”, de maneira a classificar um conteúdo teórico e prático que constitua a transição entre ciência e tecnologia.

[2] A pretensão humana, sempre arrogante, denominou a Política de Ciência Política!

[3] De forma simplificada, a análise SWOT identifica os pontos forte e fracos do objeto a ser gerido, bem como as oportunidades e ameaças que incidem sobre o objeto. Trata-se de tecnologia testada.

Alienígenas à solta


Ricardo Kohn, escritor.

E, por fim, foi comprovado: os alienígenas realmente existem e vivem no Brasil, instalados de norte a sul do país. Ao que se sabe, existem milhares deles à solta, a trafegar na escuridão com propósitos inconfessáveis, diria Hitchcock.

Segundo informe de um agente especial da inteligência britânica, Mr. Ian Weaver, a Scotland Yard, com suporte norte-americano – NSA, CIA e FBI –, montou uma força-tarefa dedicada a traçar o perfil nebuloso desses aliens e realizar ações higienizadoras. O pouco que me foi dito é fruto de árdua investigação, altamente confidencial, em curso há quase quinze anos.

Conversei com o agente Weaver no The World’s End, Hight Street, Edimburg. Isso esclarece os relatos que recebi: escoceses não se dão bem com ingleses. Sobretudo, após a 10ª dose de single malt, quando ingleses são vistos como inimigos figadais.

The World’s End – Histórico Pub Escocês

The World’s End – Histórico Pub Escocês

Comíamos saladas e carnes para guarnecer o estômago. Porém, em dado momento Weaver levantou-se e seguiu em direção ao banheiro. Ao retornar ouvi sua voz exaltada:
─ “Fuck The Scotland Yard! I’m not a boy scout!

Fiquei apreensivo, pois Ian Weaver é um ruivo com quase 2 metros de altura e pesa 120 quilos, sem gorduras. Porém, recuperado pela água gelada que jogara no rosto, falou sobriamente acerca das descobertas da força-tarefa: os principais traços do perfil ameaçador dos aliens do presente, que buscam ocupar e derrotar a nação brasileira. Fez uma espécie de taxonomia dos alienígenas à solta, a qual partilho com os leitores.

1. Aparência física: os aliens são feitos de pasta mole, de massa imoral de modelar. Assumem a fisionomia que mais lhes convier no momento, desde um juiz da alta corte, passando por molusco ordinário, até chegar a ladrão de galinhas ou mesmo a uma vagabunda brejeira.

2. Comunicação: em tese, os aliens são capazes de aprender todos os idiomas falados no planeta. No entanto, são precários na sintaxe e, sobretudo, na conexão lógica entre as frases. Assim, na comunicação com terceiros, sempre resultam parágrafos sem sentido, talvez pela possível redução de seus neurônios no ambiente da Terra.

3. Habitat: tudo indica que os aliens são capazes de viver em qualquer tipo de comunidade, em especial aquelas que possuam proximidade com as vítimas que estão selecionadas: pessoas, setor privado, empresas estatais e inúmeras instituições públicas. Weaver disse ser normal que possuam vários habitats no país. Contudo, o preferencial é Brasília.

4. Alimentação: os alimentos dos aliens são variados. Depende da aparência que assumirem no momento. Por exemplo, no mesmo dia, podem almoçar em um restaurante de luxo com políticos e empresários. Mais tarde, jantar na favela, pela “amizade de negócios” que estabeleceram com o chefe do tráfico.

No entanto, pelas experiências de laboratório feitas em aliens capturados, há pelo menos dois traços comuns a todos: (i) quando roubam grandes quantias de dinheiro público, ficam enfastiados e não necessitam de mais alimentos; e (ii) quando canibalizam seres humanos, tanto física, quanto monetariamente.

5. Reprodução: os aliens machos evitam acasalar com as fêmeas da sua espécie. O motivo é simples. Após a cópula, elas normalmente os devoram. Dessa forma, adaptaram-se para acasalar com fêmeas humanas. Segundo Weaver, tudo leva a crer que, durante a cópula, eles transmitem sua psicopatia aos filhotes humanos produzidos. Chamam a isso de “força do amor filial”. Não se sabe ainda a causa dessa transmissão, se é genética ou fruto da manipulação mental.

6. Interesse: em suma, o interesse original dos aliens é tomar o país de assalto. Todavia, como não possuem exército, buscam a conquista por meio da falência do Estado. Tentam quebrar as principais empresas estatais. Desviam dinheiro público, pagam propina aos companheiros e enriquecem a si próprios.

A propósito, o agente Ian Weaver tem uma tese que me pareceu possível:
─ “Eles roubam para implantar aDitadura Alienígena do Proletariadono Brasil”.

7. Vícios: mesmo com todas as cruéis habilidades que praticam nos brasileiros, os aliens não são perfeitos em suas ações imorais. Quero crer que no planeta desconhecido de onde provém, não existem bebidas como cerveja e cachaça. Pois bem, o agente especial disse-me que, a começar pelo “Comandante dos Alienistas” (o molusco ordinário), 90% deles viciou-se nessas bebidas. Muitos, sem carro e motorista, colapsam pelas sarjetas.

Segundo o agente Weaver, o gerente da força-tarefa obteve informes que retratavam uma situação patética: o assassinato sumário de um alien municipal por uma quadrilha de aliens federais, que se considerara roubada. Houve temor que essa prática se tornasse um vício, tal a cachaça. Muito embora haja ocorrido outros assassinatos políticos, em situações bizarras de fogo-amigo, o gerente decidiu não levar as investigações adiante.

O agente especial narrou outros vícios menores dos alienígenas. Mas disse-me que, por serem menos insidiosos – aliens malhando a mulher de outros aliens; aliens cuspidores; aliens pederastas; aliens predadores –, foram arquivados para eventuais investigações.

Despedi-me de Ian Weaver e deixei o pub – The World’s End – rumo ao aeroporto. Durante o voo de retorno ao Rio, integrei todas as anotações que fizera de nossa conversa. Fiquei circunspecto por dois motivos:

Como um investigador escocês sabe tanto acerca do Brasil, no século 21?
Acho de passei a crer nos alienígenas à solta!

Soldado-raso da Matemática


Ricardo Kohn, escritor.

Ao fim da década de ’30, nascer na floresta Amazônica e, ainda assim, sobreviver, era “indicador de elevada espiritualidade”, segundo a crença dos moradores de Arapuruca. Mas foi o que aconteceu com o mais novo morador do vilarejo, batizado nas águas do igarapé que atravessava a comunidade. Em homenagem a seu avô português, foi nomeado Raul Simas Neto.

Dr. Reinaldo Simas, seu saudoso pai, foi um médico que abnegara a própria vida para cumprir o juramento da profissão. Embora residisse em Manaus, deslocava-se com a família e atendia a várias populações ribeirinhas, moradoras no interior do Amazonas. Dava consultas, fazia exames, distribuía remédios e aplicava vacinas para as zoonoses da região. Tudo às custas do “Consultório do Dr. Simas”.

Após 12 anos dedicados à clínica geral, o sisudo Reinaldo conversou com sua mulher. Pensava como seria possível criar condições para a vida futura de Raul. Disse-lhe:

─ “Ione, temos que pensar na vida do Raulzinho. Ele precisa cursar boas escolas e ter uma formação superior adequada. Os tempos futuros dele não nos pertencerão”…

Foi assim que o médico definiu, de forma lógica, quase matemática, a equação capaz de criar um futuro melhor para Raulzinho. E Dona Ione, munida do sentimento da bem-aventurança, iniciou o transporte da família para o Rio de Janeiro.

Instalaram-se no bairro de Ramos e matricularam Raulzinho no Colégio Cardeal Arcoverde. Lá ele cursou ginásio e científico, destacando-se nas disciplinas da matemática e estatística.

Após concluído o ciclo básico, Raul ingressou no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Morou durante 5 anos nos alojamentos do ITA, em São José dos Campos. Formou-se com louvor em engenharia eletrônica, turma de 1962.

Tinha sede de retornar para casa e conseguir trabalho adequado, onde aplicaria os complexos ensinamentos que recebera. Seu sonho era ingressar na Petrobras.

Fez concurso público para Engenheiro de Manutenção da Petrobras. Logrou êxito, mas foi alocado na Refinaria Duque de Caixas como “mero operário de manutenção da REDUC”. Lá permaneceu por dois anos, sem perspectivas de carreira.

Com a bagagem acadêmica que possuía, Raul resolveu dar tempo ao mercado de trabalho. Assim, matriculou-se no curso noturno da Faculdade Nacional de FilosofiaUniversidade do Brasil –, para se aprimorar em modelagem matemática. Do próprio ITA, já recebera bons conhecimentos de Pesquisa Operacional, porém, formou-se em Matemática na F.N.Fi.

equacoes-complexas

Na visão de Raul, abrira-se um novo segmento do mercado: o relativo ao desenvolvimento de algoritmos e modelos matemáticos destinados a otimizar projetos de engenharia. Junto com outros quatro especialistas, fundaram uma empresa dedicada, que ganhou o nome criativo de “Matema”.

Raul e eu conhecemo-nos em 1971, num seminário de Matemática Aplicada. Recebera um convite e decidi comparecer. Embora não fosse conhecedor da matéria – nada entendi dos algoritmos apresentados –, após concluído o seminário, a matemática tornou-se para mim a base da lógica, o fundamento do raciocínio: – “Quod erat demonstrandum[1], por assim dizer.

Nesse evento, meu então professor de Pesquisa Operacional, Frederico, apresentou-me Raul Simas Neto. Entre outras coisas, Fred gostava de citar o nome completo das pessoas, o que mostrava sua prodigiosa memória. Por outro lado, meu instinto notou que ele nutria admiração pessoal e acadêmica por Raul, muito embora, também fosse um cidadão consciente e houvesse obtido mais títulos universitários.

Passou algum tempo para que nos aproximássemos. Afinal, não pertencíamos a mesma geração. Raul é 10 anos mais velho. No entanto, acredito que a causa foi o interesse mútuo pela literatura e a obra de escritores universais. Ambos gostamos de escrever contos e crônicas; no eterno verão da cidade do Rio nunca postergamos uma conversa de bar, com petiscos, regada a chope gelado.

Bem, passaram-se 45 anos e chegamos ao final de 2016. Somos avôs com a cabeça quase branca. Atualmente, posso afirmar, somos da mesma geração, apenas com uma Grande Guerra entre as datas de nossos nascimentos.

Temo-nos falado mais por telefone, pois a economia não está a permitir a prática de exageros. Em nossa última conversa, Raul afirmou que precisava trabalhar, mesmo após aposentado. Seu interesse é aplicar “métodos quantitativos” para resolver problemas que hoje não faltam ao país.

Disse-lhe que ele continuava 10 anos luz à frente de nossa época. Mas respondeu-me com espanto:

─ “Que isso?!, sou um soldado-raso da Matemática”.

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[1] Em português, “como queríamos demonstrar” ou “cqd”.

Pequena luz na escuridão


Ricardo Kohn, escritor.

Lucas nasceu no pós-guerra, filho de família remediada. Porém, com esforço da avó, estudou em bons colégios. Diz o grupo de amigos da época do qual faço parte , que era uma pessoa incomum: “todo dia acordava feliz e em busca de algo novo; amava fazer amizades; falava com todos, sem restrição”. Nunca pensou se corria algum risco com essas atitudes. Lucas não era estrategista.

Desde criança mostrava habilidades nativas. Por exemplo, capacidade de observar o mundo a seu redor, sem fazer críticas; era um curioso contumaz. Possuía criatividade ao formular soluções para percalços diários. Partilhava as soluções que encontrava com todos e ficava feliz com isso. Lucas, o jovem inocente.

a-luz-na-escuridao

Mais tarde, a cursar uma universidade pública, perguntava aos professores “como aplico essa teoria no meu trabalho”? Sua preocupação era a prática que desejava realizar. “A teoria eu aprendo nos livros”, pensava Lucas, o adolescente desafiador.

Quando cursava o 1º ano na faculdade, foi indicado para o cargo de Secretário do Diretório Acadêmico. Lucas era democrata e liberal; a chapa que o convidou tinha perfil autocrático, de esquerda. A curiosidade fez com que aceitasse o convite. Desejava saber o que era Diretório Acadêmico e como funcionava. Pois bem, foi eleito Secretário Geral do Diretório Acadêmico, com mais votos que a chapa de esquerda! Tinha liderança, porém nunca se interessou em saber quem o indicara. Lucas, o universitário iluminado.

Durante o 2º ano, começou a trabalhar numa empresa de projetos. Atuava junto a engenheiros de primeira linha. Com eles assistiu seu maior desejo tornar-se realidade: praticar as teorias. Porém, aos poucos, surgia nele um conflito: “sigo na faculdade ou persigo meu trabalho”? Em dois meses, decidiu. Trocou certos professores pelos mestres da engenharia. Assistia às aulas apenas de professores que, nas suas palavras, “não vomitavam decorebas”. Lucas, o pragmático.

Três anos após, obviamente, não concluiu a graduação; no entanto, tornara-se “bacharel em práticas”. Aprendera a fazer seus trabalhos, apenas com a prática e a leitura técnica. Pode-se dizer que se tornara professor de si mesmo. Lucas, o invejado autodidata.

Semana passada encontrei-me com ele. Almoçamos juntos. Não nos víamos há quase 30 anos. Sua reação foi o doce sorriso franco, o mesmo de sempre. Trocamos um forte abraço. Os poucos fios de cabelo que ainda lhe restam estão brancos. Mesmo assim, Lucas é jovem para a idade.

Nosso reencontro durou mais de nove horas! Fomos os últimos a “sermos expulsos” do restaurante. Pude concluir que ele vincara os mesmos valores que construíra desde a infância: inocente, desafiador, iluminado, pragmático e autodidata.

Sinto grande admiração por Lucas: tornou-se um estrategista: a pequena luz que mostra a escuridão em que se vive! Marcamos nova data para não esquecermos que ainda há futuro…

Já se passaram 54 anos…


Por Ricardo Kohn, escritor.

Morava no Rio, em Santa Teresa, mas cursava o 1º ano científico no Liceu Franco-Brasileiro, no bairro de Laranjeiras. No fim do ano de 1962, por volta da uma da tarde, peguei um bonde lotado na Estação da Carioca, no centro do Rio. Era sábado (tínhamos aulas aos sábados) e fora convidado para assistir a uma audição de piano. Uma das futuras pianistas era minha namorada; não queria me atrasar.

Lembro-me que o motorneiro já avisara estar prestes a sair da estação, a tilintar o sino do bonde. Assim, subi no estribo esquerdo do reboque, fora do caminho de cobradores.

O antigo bonde de Santa Teresa, com carro elétrico e reboque

O antigo bonde de Santa Teresa, com carro elétrico e reboque

De fato, nunca ficava no caminho dos cobradores. Eles perambulavam pelo estribo, a cobrar cada passageiro, com as mãos coalhadas de notas velhas e sebosas, presas entre os dedos para dar trocos.

Embora a maioria dos cobradores fosse boa gente, havia os que tentavam se roçar em jovens do estribo. Por isso, sempre viajava no lado esquerdo, mesmo quando sentava em um banco do reboque.

Logo no início da viagem, para entrar no bairro o motorneiro tinha que trafegar sobre os Arcos da Lapa. O vento na face era gostoso. Sobretudo, para os que viajavam no estribo e não sentiam receio da altura. Naquela máquina de ferros sobre trilhos, sacolejava-se sobre ruas, carros e o telhado de casarões antigos, a quase 20 metros de altura do solo.

Para os mais jovens éramos heróis dos bondes de Santa Teresa; para adultos, apenas idiotas.

O acidente

Finda a travessia do aqueduto da Lapa, estava-se em Santa Teresa, no início da rua Joaquim Murtinho. Os motorneiros giravam o manete de cobre para acelerar o comboio e subir até a Estação do Curvelo.

Naquele dia – 7 de novembro de 1962 – eu estava distraído, pendurado no estribo a brincar com uma criança risonha no colo de sua avó. Foi assim que, na primeira curva da Joaquim Murtinho, meu corpo projetou-se para fora do reboque; fiquei exposto numa via de mão dupla. Um outro bonde que descia a rua bateu em minha cabeça, arrancando-me de tudo. Caí entre os dois pares de trilhos de ferro e a luz se apagou

Três dias depois acordei sem saber em que ambiente me encontrava: deitado numa cama de hospital, com mais de 160 pontos na cabeça. Não quebrei ossos, mas aprendi que nunca fora um herói